John Bowlby nasceu em 1907 na Inglaterra. Estudou Psicologia, Ciências Naturais e Medicina. Tornou-se psicanalista, fazendo análise de crianças com a supervisão de Melaine Klein. Em 1940 publicou trabalhos sobre a criança, a mãe e seu ambiente. A pedido da ONU, em 1951 publicou o relatório “Cuidados Maternos e Saúde Mental”. Três noções básicas fazem parte de sua obra: o apego, a perda e a separação.
TEORIA DO APEGO
Em seu trabalho sobre apego e separação, Bowlby fez uma mescla entre psicanálise, etologia e biologia para formar sua teoria. Percebeu que o vínculo afetivo não era uma característica apenas humana: Algumas espécies têm formas peculiares de formar esse vínculo afetivo, como no caso da “imprinting”, que é o termo usado para descrever o comportamento instintivo de algumas aves que, quando saem dos ovos, formam um vínculo afetivo com o primeiro corpo ou objeto que lhes transmite segurança.
Freud utilizou o termo “impulso secundário” para o vínculo afetivo na relação entre o bebê e a mãe ou pessoa que cuida dele. Esse conceito sustenta que o vínculo ocorre porque a mãe ou cuidador se mostra ser a pessoa que pode sanar as necessidades fisiológicas (alimentação, segurança) e que depois de sanadas essas necessidades é que o vínculo se estabelece. Há três tipos de comportamento de apego:
1- Apego Seguro: A criança se comporta confiantemente em um ambiente desconhecido e o explora mesmo diante de uma pessoa que não conhece, pois confia que a qualquer sinal de perigo poderá contar com sua mãe;
2- Apego Ansioso: A criança evita o contato com a mãe quando esta retorna e trata um desconhecido de forma mais amigável do que trata a mãe;
3- Apego Inseguro Ansioso: Alguns bebês se mostram raivosos ou passivos, demonstrando não ter confiança de que serão auxiliados caso precisem de assistência. Em vez disso, esperam ser rejeitados e não acolhidos.
SEPARAÇÃO E PERDA
A criança que não se adapta a um novo lugar (seja uma instituição, seja uma família substituta ou adotiva) o faz não só pelo luto e tentativa de reaver a família original, mas porque o fato dela estar lá concretiza que aquilo que foi perdido não está disponível e a chance de voltar à família parece ficar cada vez mais distante. A separação tem três fases:
1- Protesto: a criança chora e tenta recuperar o objeto perdido;
2- Desespero: alternância de raiva e tristeza, constatação de uma perda que a deixa desamparada;
3- Desapego: a criança renuncia definitivamente ao sentimento de apego com o seu cuidador.
A base do desenvolvimento da personalidade e da saúde mental da criança em seus primeiros anos de vida está relacionada à boa relação com sua mãe ou cuidador(a). Essa relação é essencial e sua ausência foi denominada por Bowlby como “privação materna”, termo que se refere a situações onde a criança convive com sua mãe, mas não recebe os necessários cuidados afetivos, ou a casos em que a criança é afastada dos cuidados maternos e mantida em instituições como creches residenciais e hospitais. Mas o efeito da privação pode ser amenizado se a criança for cuidada por outra pessoa por outra pessoa em quem ela confia e substitua a mãe.
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