Rumos individuais de vida
também são afetados por experiências singulares, não compartilhadas. Por exemplo:
- Nem todo mundo passa pela experiência de ter seus pais se divorciando durante sua infância ou juventude
- Inversamente, nem todo mundo passa pela experiência de conviver a vida toda com o pai e a mãe juntos
- Alguns tiveram pais alcoólatras, outros não
- Alguns vieram de famílias numerosas, outros de famílias pequenas
- Alguns foram primogênitos, outros filhos do meio, outros foram caçulas e alguns foram filhos únicos
Além disso, as pessoas receberam diferentes
instruções religiosas (inclusive nenhuma). Também receberam diferentes
estímulos ou desestímulos para instruir-se, para casar-se e assim por diante.
Diversas pessoas passaram por muitos trabalhos e ficaram desempregados com
frequência, enquanto algumas se aposentam no primeiro emprego, mas a maioria
está em algum ponto entre esses extremos. E assim por diante.
A fase da vida da
pessoa em que ocorrem as experiências marcantes influencia o seu
desenvolvimento. Passar por uma forte experiência positiva ou negativa justo em
uma fase crítica do desenvolvimento é mais impactante do que passar por essa
mesma experiência antes ou depois dela. Pessoas que nascem e têm o início de
suas infâncias em períodos de recessão econômica e pessimismo, mas que começam
suas vidas de jovens adultos em tempos de recuperação econômica e otimismo, são
menos impactadas do que as que saem da infância e passam a juventude em
pleno auge da crise, apesar da diferença entre esses dois grupos poder ser de
menos de 10 anos.
Outro exemplo: enfrentar
desemprego ou viuvez antes dos 30 anos é bem diferente disso acontecer depois
dos 40. Também podemos citar que indivíduos que não conseguem se casar e/ou
atingir uma “boa situação” profissional e financeira antes de completar 30 anos
podem vestir um estereótipo negativo. Em qualquer faixa etária, a pessoa cujas
experiências de vida se desviam da sequência esperada pode se sentir fora do
caminho.
A consistência com o
passar do tempo também pode ser explicada em termos biológicos.
Utilizando estudos de gêmeos e crianças adotadas, geneticistas do comportamento
descobriram uma influência genética significativa sobre uma ampla faixa do
comportamento. Todos nós recebemos uma herança genética compartilhada que nos
faz com que sejamos seres humanos. Dentro de certos limites, essa herança
permite ampla variedade, o que forma a individualidade de cada um de nós.
Assim, herdamos um
conjunto de características e tendências, coletivas e individuais. Entre estas
se incluem não apenas aspectos físicos (como etnia, altura, sexo, etc.),
mas também aspectos cognitivos (como maior talento para Matemática,
maior capacidade de visualização, etc.) e também aspectos de personalidade
(como temperamento, traços, grau de emotividade, etc.). Até mesmo tendências a psicopatologias
possuem influências genéticas.
Entretanto, isso não quer
dizer que cada indivíduo está predeterminado pela genética a um destino
inexorável. Os genes fornecem a uma pessoa um conjunto de potencialidades,
limites e tendências (como a capacidade inata dos bebês de aprender um idioma).
Mas é a interação da carga genética (genótipo) com o ambiente que
produzirá o indivíduo (fenótipo).
Se separarmos dois gêmeos idênticos no parto, um for criado na China e outro na Inglaterra, ambos aprenderão idiomas e culturas totalmente diferentes, apesar da carga genética igual. Além disso, dentro de certos limites, nós somos tanto produto quanto produtores dos nossos ambientes através do nosso comportamento.
Se separarmos dois gêmeos idênticos no parto, um for criado na China e outro na Inglaterra, ambos aprenderão idiomas e culturas totalmente diferentes, apesar da carga genética igual. Além disso, dentro de certos limites, nós somos tanto produto quanto produtores dos nossos ambientes através do nosso comportamento.
A consistência no
comportamento com o passar do tempo também pode ser fomentada pelos efeitos
cumulativos de comportamentos anteriores e ainda porque crianças e adultos
tendem a selecionar os nichos em que se encaixam bem os seus comportamentos
básicos. Pessoas que obtiveram resultados positivos em certas atividades e resultados negativos em outras tendem a repetir os primeiros e evitar os segundos. Com o
tempo, se tornam cada vez mais hábeis naquilo em que parecem já ter talento
nato. Mas deixam de enfrentar desafios e adquirir aprendizados que poderiam
ampliar suas habilidades e percepções.
Além disso, as
oportunidades que uma pessoa recebe possibilitam que ela se qualifique para
futuras oportunidades adicionais, em outro tipo de efeito cumulativo: somente
aqueles que tiveram a oportunidade de trabalhar como auxiliares administrativos
poderão adquirir conhecimentos e habilidades que lhes permitirão ser promovidos
a assistentes administrativos e assim por diante. E as oportunidades que a pessoa não teve dificultam que ela se qualifique para novas oportunidades.
Por fim, o temperamento
herdado geneticamente e cultivado para melhor ou para pior pelo ambiente
familiar interage com os ambientes que a pessoa lida depois no trabalho. Um
indivíduo com “temperamento difícil” que trabalha em ambientes melhores terá um
desenvolvimento pessoal e profissional melhor do que um indivíduo com
“temperamento difícil” que trabalha em ambientes piores. Os estímulos
ambientais podem despertar e promover o que há de melhor ou pior em cada
pessoa.
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