Muitos de nós, quando
éramos crianças, ficávamos perplexos ou irritados quando algum adulto nos via
depois de certo tempo e dizia admirado o quanto havíamos crescido. Mas agora
que somos adultos, quando encontramos alguma criança depois de certo tempo (um
parente ou filho de um conhecido), sentimos o impulso de falar o mesmo. Algumas
crianças não sentem que estão crescendo, outras pensam que estão crescendo
rápido demais. Já com outros adultos, evitamos comentar alguma mudança (a não
ser que seja algo simpático de se dizer).
Em parte esse
comportamento é convenção social, mas em parte é resultado da nossa expectativa
de que as crianças mudem e de que os adultos permaneçam iguais. Até certo ponto
essa expectativa é razoável. Porém, as crianças também apresentam continuidades
e os adultos também apresentam mudanças. O menino que é tímido aos 2 anos
provavelmente será pelo menos um pouco tímido aos 12. E um homem de 35 anos
pode ter atitudes e valores um tanto diferentes dos que tinha aos 25 anos.
Assim, no estudo do
desenvolvimento através do ciclo da vida, precisamos compreender tanto a mudança
quanto a continuidade, padrões de desenvolvimento individuais e
compartilhados, além das relativas influências da biologia e dos ambientes em
que a pessoa nasce e cresce. Por quais mudanças uma pessoa passa em cada fase
da vida? Temos diversas expectativas sobre o que acontece na infância, na
puberdade e na maturidade. Mas como a história de vida e os ambientes
influenciam essa progressão? E o que exatamente é biológico e o que é
sociocultural?
Um dos principais tipos
de mudança é aquele compartilhado e característico da idade, que pode ser
produto da maturação (relógio biológico) e/ou do condicionamento ambiental
(relógio social). O bebê aprende a engatinhar, depois andar e correr. Meninos e meninas entram na puberdade e desenvolvem as características
físicas de homens e mulheres. Com o correr dos anos, ocorrem outras
mudanças. O ambiente influencia essas mudanças, mas não pode determiná-las:
elas ocorrem “de dentro para fora”.
Ocorre uma interação
entre a programação biológica e as influências ambientais. As crianças são
enviadas para a escola entre seus 5 e 7 anos, pois se acredita que nesta faixa
elas já estão prontas para lidar com as tarefas escolares. Mas o fato delas
serem expostas ao ambiente escolar também modela e impulsiona o seu
desenvolvimento, pois elas recebem muita orientação e estímulos. Há
expectativas sociais para cada faixa etária, fazendo com que a mesma interação
biologia/ambiente continue por toda a vida, canalizando e impulsionando o
desenvolvimento das pessoas, mas também às vezes limitando o potencial humano.
As culturas e subculturas
podem definir de modos diversos o relógio social. Por exemplo, diferentes
culturas possuem diferentes expectativas quanto a em que idades as pessoas
devem se casar, quando devem ter filhos e quantos e assim por diante. Não
devemos presumir que um padrão seja necessariamente o único ou o mais correto
só porque é o que conhecemos. Além disso, diferentes subgrupos também passam
por períodos históricos diferentes, em pontos diversos em seu desenvolvimento,
sendo que todos podem alterar os seus padrões subjacentes.
Por exemplo, quem nasceu
em 1970 completou 18 anos em 1982, quase no meio de uma década de recessão
econômica no Brasil. Já quem nasceu em 1990 completou 18 anos em 2002, uma
época melhor em termos econômicos e bem diversa nos aspectos político, cultural
e tecnológico. Mesmo que ambos tenham nascido e crescido na mesma cidade e
sejam da mesma classe social, ainda assim o contexto de cada época influenciou
a formação de suas vidas, produzindo perspectivas e desafios diferentes. Como
grupos, as pessoas que nasceram em 1970 e as que nasceram em 1990 possuem visões
da vida muito diferentes. Em outras palavras, eles pertencem a gerações
diferentes no sentido de “época”.
A consciência a respeito
das diferenças entre os subgrupos é muito importante nos estudos dos adultos,
nos quais as comparações de diferentes faixas etárias são inevitavelmente
confundidas com efeitos das diferenças culturais. Digamos que uma pesquisa
mostre que em determinada população as pessoas na faixa dos 20 anos tenha certo
conjunto de medos e desejos a respeito de um assunto, as da faixa dos 40 tenha
outro e as pessoas da faixa dos 60 anos tenha ainda outro.
Devemos atribuir essas
diferenças às mudanças de perspectivas que ocorrem com o passar dos anos? Ou
devemos atribuir aos diferentes contextos socioculturais e econômicos em que
esses grupos de pessoas nasceram e cresceram? Espera-se que uma pessoa de 40
anos tenha mesmo uma visão da vida diferente da de uma de 20. Mas, em geral,
uma pessoa que nasceu e cresceu em uma época de pessimismo também naturalmente
terá uma mentalidade diferente da atitude de uma que nasceu e cresceu em uma
época de otimismo.

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