Muitas pessoas estão bem insatisfeitas com suas vidas, até mesmo angustiadas,
por causa de dificuldades pessoais que não conseguem superar. E muitas são
menos efetivas do que poderiam ser em sua vida profissional por causa da forma
como pensam, se sentem e agem. A psicoterapia pode auxiliar essas pessoas a
cultivar equilíbrio e efetividade.
Os conceitos distorcidos sobre felicidade tornam as pessoas infelizes. Acreditam
que ser feliz significa viver em êxtase ou viver em função de divertir-se. Confundem
“felicidade” com “prazer”, “necessidades” com “desejos”, “realização” com
“status”. Esse modo de pensar produz apenas alívio imediato e problemas
profundos no longo prazo.
Um genuíno contentamento na vida resulta de um estado de paz e
equilíbrio que nasce da satisfação das poucas reais necessidades do ser humano:
físicas, emocionais, intelectuais e existenciais. Estar em circunstâncias que
dificultam a satisfação destas necessidades pode nos deixar descontentes.
Porém, a maior obstrução à nossa felicidade é termos conceitos errôneos sobre o
que ela realmente significa e como encontrá-la.
Uma insatisfação crônica pode manifestar-se na forma de sintomas orgânicos ou psicossomáticos,
que nada têm de imaginários. O indivíduo não sabe lidar com sua tristeza, sua
raiva, seu medo. Esses sentimentos
mal-elaborados se tornam tóxicos. A tensão o impede de usufruir a vida. Alguns
são explosivos, outros são implosivos. O intelecto
do indivíduo é influenciado negativamente: ele se torna incapaz de tomar
decisões ou então toma más decisões, tem dificuldade para aprender, para usar a
memória e para exercer a criatividade.
Frustrações fazem parte da vida de todos nós, pois é impossível sempre ter
todos os desejos realizados. Porém, alguns parecem sentir maior dificuldade de
superar suas frustrações e prosseguir a vida e têm a percepção de que os outros
lidam melhor e assim são mais felizes.
Esse mal-estar interior transborda para o exterior, gerando problemas interpessoais (com outras
pessoas). O sujeito vai a um extremo ou ao outro: é agressivo ou passivo,
autoritário ou permissivo, rejeita todas as críticas ou aceita todas, fica
imaginando o que os outros estão pensando dele e reage de acordo com essa
fantasia. Sente-se sozinho e isolado, ainda que cercado de muitas pessoas. Teme
ser abandonado e pode ser o ciumento doentio que torna a vida do outro um
tormento ou pode ser a pessoa que se sujeita a abusos para preservar o
relacionamento. O indivíduo não tem relacionamentos saudáveis, pois não sabe
amar nem ser amado.
Várias pessoas possuem problemas na esfera
sexual. Algumas sentem dificuldade de ter excitação ou até perdem todo o
interesse. Outras se tornam obcecadas por sexo, que pode degenerar-se cada vez
mais.
O mal-estar também pode se manifestar na vida profissional. Alguns se sentem insatisfeitos com o lugar em
que trabalham; outros, com a própria carreira profissional. Parte destes
resigna-se a deixar tudo como está esperando que a situação melhore por si só;
parte resolve mudar de trabalho ou até de profissão e alguns destes acabam mais
frustrados que antes.
Por fim, muitos se queixam da sensação
de vazio, do sentimento de que sua existência é um desperdício de tempo e
de energia. São ressentidos com o passado, insatisfeitos com o presente e
pessimistas quanto ao futuro. Alimentam uma atitude depreciativa sobre si e
sobre as outras pessoas. Esse modo de pensar contamina suas palavras e ações,
prejudicando seus relacionamentos e os resultados que obtêm. Concluem que a
vida não tem sentido ou objetivo e podem recorrer a vícios para aliviar sua
frustração.
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