quarta-feira, 15 de maio de 2013

Treinamento para a Infelicidade (2/5): Sintomas



Muitas pessoas estão bem insatisfeitas com suas vidas, até mesmo angustiadas, por causa de dificuldades pessoais que não conseguem superar. E muitas são menos efetivas do que poderiam ser em sua vida profissional por causa da forma como pensam, se sentem e agem. A psicoterapia pode auxiliar essas pessoas a cultivar equilíbrio e efetividade.
 
Os conceitos distorcidos sobre felicidade tornam as pessoas infelizes. Acreditam que ser feliz significa viver em êxtase ou viver em função de divertir-se. Confundem “felicidade” com “prazer”, “necessidades” com “desejos”, “realização” com “status”. Esse modo de pensar produz apenas alívio imediato e problemas profundos no longo prazo.
 
Um genuíno contentamento na vida resulta de um estado de paz e equilíbrio que nasce da satisfação das poucas reais necessidades do ser humano: físicas, emocionais, intelectuais e existenciais. Estar em circunstâncias que dificultam a satisfação destas necessidades pode nos deixar descontentes. Porém, a maior obstrução à nossa felicidade é termos conceitos errôneos sobre o que ela realmente significa e como encontrá-la.
 
Uma insatisfação crônica pode manifestar-se na forma de sintomas orgânicos ou psicossomáticos, que nada têm de imaginários. O indivíduo não sabe lidar com sua tristeza, sua raiva, seu medo. Esses sentimentos mal-elaborados se tornam tóxicos. A tensão o impede de usufruir a vida. Alguns são explosivos, outros são implosivos. O intelecto do indivíduo é influenciado negativamente: ele se torna incapaz de tomar decisões ou então toma más decisões, tem dificuldade para aprender, para usar a memória e para exercer a criatividade.
 
Frustrações fazem parte da vida de todos nós, pois é impossível sempre ter todos os desejos realizados. Porém, alguns parecem sentir maior dificuldade de superar suas frustrações e prosseguir a vida e têm a percepção de que os outros lidam melhor e assim são mais felizes.
 
Esse mal-estar interior transborda para o exterior, gerando problemas interpessoais (com outras pessoas). O sujeito vai a um extremo ou ao outro: é agressivo ou passivo, autoritário ou permissivo, rejeita todas as críticas ou aceita todas, fica imaginando o que os outros estão pensando dele e reage de acordo com essa fantasia. Sente-se sozinho e isolado, ainda que cercado de muitas pessoas. Teme ser abandonado e pode ser o ciumento doentio que torna a vida do outro um tormento ou pode ser a pessoa que se sujeita a abusos para preservar o relacionamento. O indivíduo não tem relacionamentos saudáveis, pois não sabe amar nem ser amado.
 
Várias pessoas possuem problemas na esfera sexual. Algumas sentem dificuldade de ter excitação ou até perdem todo o interesse. Outras se tornam obcecadas por sexo, que pode degenerar-se cada vez mais.
 
O mal-estar também pode se manifestar na vida profissional. Alguns se sentem insatisfeitos com o lugar em que trabalham; outros, com a própria carreira profissional. Parte destes resigna-se a deixar tudo como está esperando que a situação melhore por si só; parte resolve mudar de trabalho ou até de profissão e alguns destes acabam mais frustrados que antes.
 
Por fim, muitos se queixam da sensação de vazio, do sentimento de que sua existência é um desperdício de tempo e de energia. São ressentidos com o passado, insatisfeitos com o presente e pessimistas quanto ao futuro. Alimentam uma atitude depreciativa sobre si e sobre as outras pessoas. Esse modo de pensar contamina suas palavras e ações, prejudicando seus relacionamentos e os resultados que obtêm. Concluem que a vida não tem sentido ou objetivo e podem recorrer a vícios para aliviar sua frustração.
 
 
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