quarta-feira, 15 de maio de 2013

Rigidez Mental (1/6): Introdução


A Rigidez Mental é caracterizada pelo pensamento “Isso Deve Ser Assim”. Claro que normas são necessárias para a vida em sociedade e que temos que segui-las com seriedade para o benefício mútuo. O problema é que alguns indivíduos as seguem muito rigidamente, além de criar várias regras adicionais. Vivem angustiados, se policiando e se recriminando. Não enxergam alternativas de pensamento e de ação. E dentre essas pessoas, uma grande parte quer impor suas regras arbitrárias aos outros.


A maioria concorda que existem comportamentos aceitáveis e inaceitáveis, que há diferença entre certo e errado, embora as pessoas não concordem em tudo quanto a quais exatamente devem ser os limites e apesar das pessoas nem sempre transformarem a teoria ética em prática. A civilização seria impossível se assassinato, violência, furtos e mentiras fossem considerados normais, apenas banalidades, se as pessoas não aceitassem normas sociais. Até mesmo criminosos seguem algumas normas entre eles.

Portanto, o problema não está no conceito de "regras" em si mesmo, nem no verbo “dever”, mas no seu uso inadequado, no como interpretamos as normas e no significado que damos a estas palavras e outras similares. O problema está nas obrigações que seguimos sem reflexão. Essas obrigações são um dedo em riste apontando para nós e dizendo: “Não se atreva a desviar-se nem um milímetro dessas determinações ou vai se envergonhar muito: os outros vão lhe reprovar, pois é isso que eles devem fazer!”.

Claro que nem sempre o senso de dever é tão pesado. Podemos falar que “temos” que fazer algo simplesmente no sentido de que é aconselhável ou até mesmo só um desejo, como quando falamos que "temos que assistir determinado filme". Porém, muitos utilizam esse verbo para se referir aos conceitos de certo e errado de modo perfeccionista, rígido e extremista.

Em geral são valores que nossos pais nos inculcaram na infância. A criança pequena possui pouca ou nenhuma capacidade de abstração porque seu sistema nervoso ainda está em desenvolvimento. Antes dos doze anos, ainda não possuem o nível de integração neurológica necessário para compreender diversos fatos, então a linha que separa o certo do errado é muito rígida e simplista. A criança aprende que o fogão é quente e que deve ficar longe dele; só com o tempo ela passa a compreender que apenas algumas partes do fogão são perigosas e apenas em determinadas circunstâncias.

Quando crianças, aprendemos que as pessoas são boas ou más, que se você fizer isso é uma pessoa boa e se fizer aquilo é uma pessoa má. Com o tempo, desenvolvemos a capacidade de compreender que a realidade é mais complexa. Porém, algumas noções rígidas continuam mesmo depois que nos tornamos adultos capazes de fazer distinções sutis e abstratas.

Essas noções geram normas rígidas e simplistas que não admitem meios-termos nem fatores atenuantes ou agravantes. São consideradas fatos concretos, infalíveis e indubitáveis que impomos a nós mesmos e aos outros. Não devemos nem sequer pensar no assunto, apenas obedecer. Está certo e ponto final, tudo mais está errado.


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