A Rigidez
Mental é caracterizada pelo pensamento “Isso Deve Ser Assim”. Claro que normas são necessárias para a vida em sociedade e que temos que segui-las com
seriedade para o benefício mútuo. O problema é que alguns indivíduos as seguem
muito rigidamente, além de criar várias regras adicionais. Vivem angustiados, se
policiando e se recriminando. Não enxergam alternativas de pensamento e de
ação. E dentre essas pessoas, uma grande parte quer impor suas regras
arbitrárias aos outros.
A maioria concorda que existem comportamentos aceitáveis e inaceitáveis, que há diferença entre certo e errado, embora as pessoas não concordem em tudo quanto a quais exatamente devem ser os limites e apesar das pessoas nem sempre transformarem a teoria ética em prática. A civilização seria impossível se assassinato, violência, furtos e mentiras fossem considerados normais, apenas banalidades, se as pessoas não aceitassem normas sociais. Até mesmo criminosos seguem algumas normas entre eles.
Portanto, o problema não está no conceito de
"regras" em si mesmo, nem no verbo “dever”, mas no seu uso inadequado, no como interpretamos as normas e no
significado que damos a estas palavras e outras similares. O problema está nas
obrigações que seguimos sem reflexão. Essas obrigações são um dedo em riste
apontando para nós e dizendo: “Não se atreva a desviar-se nem um milímetro dessas determinações ou vai se envergonhar muito: os outros vão lhe reprovar,
pois é isso que eles devem fazer!”.
Claro que nem sempre o senso de dever é tão
pesado. Podemos falar que “temos” que fazer algo simplesmente no sentido de que
é aconselhável ou até mesmo só um desejo, como quando falamos que "temos que
assistir determinado filme". Porém, muitos utilizam esse verbo para se referir
aos conceitos de certo e errado de modo perfeccionista, rígido e extremista.
Em geral são valores que nossos pais nos
inculcaram na infância. A criança pequena possui pouca ou nenhuma capacidade de
abstração porque seu sistema nervoso ainda está em desenvolvimento. Antes dos doze
anos, ainda não possuem o nível de integração neurológica necessário
para compreender diversos fatos, então a linha que separa o certo do errado é
muito rígida e simplista. A criança aprende que o fogão é quente e que deve
ficar longe dele; só com o tempo ela passa a compreender que apenas algumas partes
do fogão são perigosas e apenas em determinadas circunstâncias.
Quando crianças, aprendemos que as pessoas são
boas ou más, que se você fizer isso é uma pessoa boa e se fizer aquilo é uma
pessoa má. Com o tempo, desenvolvemos a capacidade de compreender que a
realidade é mais complexa. Porém, algumas noções rígidas continuam mesmo depois
que nos tornamos adultos capazes de fazer distinções sutis e
abstratas.
Essas noções geram normas rígidas e simplistas que não admitem meios-termos nem fatores atenuantes ou agravantes. São consideradas fatos concretos, infalíveis e indubitáveis que impomos a nós mesmos e aos outros. Não devemos nem sequer pensar no assunto, apenas obedecer. Está certo e ponto final, tudo mais está errado.
Essas noções geram normas rígidas e simplistas que não admitem meios-termos nem fatores atenuantes ou agravantes. São consideradas fatos concretos, infalíveis e indubitáveis que impomos a nós mesmos e aos outros. Não devemos nem sequer pensar no assunto, apenas obedecer. Está certo e ponto final, tudo mais está errado.
* * *

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Envie-nos seu comentário inteligente e educado: