quarta-feira, 1 de maio de 2013

Compreendendo o Stress



O stress não é uma doença, mas sim uma complexa série de reações neurofisiológicas a qualquer desafio que o ser humano enfrente, mesmo que seja algo que aprecie (como uma viagem de férias). As crenças, valores e modo de pensar geral da pessoa influenciam muito o tamanho, o tipo e a duração do stress que ela vai enfrentar diante de determinado desafio. Existe o stress saudável, que nos torna mais alertas, vigorosos, até mesmo mais criativos. A ausência de todo e qualquer stress gera tédio. Tudo tem prós e contras, possibilidades e riscos, mas alguns só olham para os aspectos negativos e em consequência sofrem mais stress negativo.
 

O stress começa com a percepção de uma suposta ameaça ou oportunidade que constitua um desafio para a pessoa que a percebe como tal. O pensamento lógico e o pensamento emocional se entrelaçam na interpretação dos estímulos ambientais e dos próprios pensamentos, produzindo a reação neurofisiológica. Por exemplo, um barulho no quintal à noite pode ser atribuído a um ladrão ou a um gato, produzindo um estado emocional correspondente: medo ou indiferença. Depois que tudo fica bem, o corpo/mente volta ao estado normal de serenidade.
 
Portanto, o stress provoca uma série de alterações no organismo que se prepara para a ação. Porém, o organismo não foi feito para viver continuamente neste estado neurofisiológico tenso e assim pode ter sua saúde prejudicada. O problema não é o stress em si, mas sua continuidade e/ou repetição excessiva.
  
Diversos fatores da vida moderna contribuem para o stress nocivo contínuo, em especial nos grandes centros urbanos, como a insegurança, a urgência constante, as altas exigências, as expectativas de "sucesso" e de "felicidade", a falta de condições adequadas de trabalho e/ou moradia, trânsito, inversão de valores, etc. Até as crianças são afetadas.

O stress nocivo contínuo pode afetar a produtividade e a qualidade do trabalho, o funcionamento do corpo (incluindo o sono), os relacionamentos, o sexo. As pessoas estão adoecendo por causa do stress e precisando não apenas de cuidados médicos, mas também de orientação e outros profissionais para remediar e prevenir os efeitos adversos. Até a alimentação influi na capacidade do organismo de lidar com o stress e por isso as pessoas muito estressadas precisam seguir orientação nutricionista.
 
Alguns meses de psicoterapia cognitivo-comportamental focada em como lidar com o stress pode ajudar muito a pessoa. É necessário aprender os próprios limites físicos e emocionais, a lidar com a ansiedade, a ser assertivo, a ter boas relações com os outros, a definir suas próprias prioridades e alinhar sua vida com elas e outras lições importantes. Quinze sessões podem ser o suficiente para a pessoa ajustar seu modo de pensar e agir de modo a reduzir seu stress ao tolerável.
 
Claro que o indivíduo pode ter problemas mais sérios, que podem necessitar de uma terapia mais longa para modificar seu modo de pensar, agir e viver. Mas a questão aqui é aprender princípios e técnicas para fazer ajustes urgentes nos seus padrões de pensamento e comportamento focados em um problema específico, que é o stress prejudicial. Depois de cuidar dessa necessidade urgente, a pessoa pode aprofundar seu autoconhecimento e autoaprimoramento com uma psicoterapia mais longa, seja cognitivo-comportamental, psicanálise ou outra abordagem.
 

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