O stress não é uma doença, mas sim uma complexa
série de reações neurofisiológicas a qualquer desafio que o ser humano enfrente, mesmo que
seja algo que aprecie (como uma viagem de férias). As crenças, valores e modo
de pensar geral da pessoa influenciam muito o tamanho, o tipo e a duração do stress
que ela vai enfrentar diante de determinado desafio. Existe
o stress saudável, que nos torna mais alertas, vigorosos, até mesmo mais
criativos. A ausência de todo e qualquer stress gera tédio. Tudo tem
prós e contras, possibilidades e riscos, mas alguns só olham para os aspectos
negativos e em consequência sofrem mais stress negativo.
O stress começa com a percepção de uma suposta ameaça ou
oportunidade que constitua um desafio para a pessoa que a percebe como tal. O pensamento lógico e o
pensamento emocional se entrelaçam na interpretação dos estímulos ambientais e
dos próprios pensamentos, produzindo a reação neurofisiológica. Por exemplo, um
barulho no quintal à noite pode ser atribuído a um ladrão ou a um gato,
produzindo um estado emocional correspondente: medo ou indiferença. Depois que
tudo fica bem, o corpo/mente volta ao estado normal de serenidade.
Portanto, o stress provoca uma série de alterações
no organismo que se prepara para a ação. Porém, o organismo não foi feito para
viver continuamente neste estado neurofisiológico tenso e assim pode ter sua saúde
prejudicada. O problema não é o stress em si, mas sua continuidade e/ou
repetição excessiva.
Diversos fatores da vida moderna contribuem para o
stress nocivo contínuo, em especial nos grandes centros urbanos, como a
insegurança, a urgência constante, as altas exigências, as expectativas de "sucesso" e de "felicidade", a falta de condições adequadas
de trabalho e/ou moradia, trânsito, inversão de valores, etc. Até as crianças
são afetadas.
O stress nocivo contínuo pode afetar a
produtividade e a qualidade do trabalho, o funcionamento do corpo (incluindo o
sono), os relacionamentos, o sexo. As pessoas estão adoecendo por causa do stress
e precisando não apenas de cuidados médicos, mas também de orientação e outros
profissionais para remediar e prevenir os efeitos adversos. Até a alimentação
influi na capacidade do organismo de lidar com o stress e por isso as pessoas
muito estressadas precisam seguir orientação nutricionista.
Alguns meses de psicoterapia cognitivo-comportamental
focada em como lidar com o stress pode ajudar muito a pessoa. É necessário
aprender os próprios limites físicos e emocionais, a lidar com a ansiedade, a
ser assertivo, a ter boas relações com os outros, a definir suas próprias
prioridades e alinhar sua vida com elas e outras lições importantes. Quinze
sessões podem ser o suficiente para a pessoa ajustar seu modo de pensar e agir
de modo a reduzir seu stress ao tolerável.
Claro que o indivíduo pode ter problemas mais sérios,
que podem necessitar de uma terapia mais longa para modificar seu modo de pensar, agir e viver. Mas a questão aqui é aprender princípios
e técnicas para fazer ajustes urgentes nos seus padrões de pensamento e comportamento
focados em um problema específico, que é o stress prejudicial. Depois de cuidar
dessa necessidade urgente, a pessoa pode aprofundar seu autoconhecimento e
autoaprimoramento com uma psicoterapia mais longa, seja cognitivo-comportamental,
psicanálise ou outra abordagem.
* * *

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Envie-nos seu comentário inteligente e educado: