Talvez você acredite que todo mundo tem a mesma
lista de obrigações. Afinal, se só existe uma forma correta de se pensar e agir
sobre cada assunto, como poderia haver mais de uma lista? Porém, o número de
listas é igual ao número de pessoas que existem. Talvez seja maior...
Para começar, as obrigações variam de cultura para
cultura. O que é bem-visto em um país ou região pode ser mal visto em outro e
vice-versa. As obrigações também variam conforme a legislação local, as crenças
religiosas, as filosofias de vida, as ideologias políticas, etc.
Quando alguém assume uma posição radical acerca de uma convicção que acredita
que todos deveriam compartilhar, nossa tendência é considerar esse indivíduo
muito dedicado ou fanático, dependendo se concordamos ou não com ele.
Nossas concepções são mutáveis. As normas
culturais mudam com o passar do tempo. O que era proibido em outra época pode
ser tolerado e até imposto hoje, enquanto que o que era obrigatório antes pode
ser hoje apenas uma opção pessoal e talvez até mesmo intolerado ou proibido.
As normas culturais do passado tinham sua razão de ser dentro do contexto sociocultural e econômico da época. Alguns hoje podem considerar certas normas do passado como sendo absurdas, já outros podem acreditar que estas normas faziam com que a vida fosse melhor.
As normas culturais do passado tinham sua razão de ser dentro do contexto sociocultural e econômico da época. Alguns hoje podem considerar certas normas do passado como sendo absurdas, já outros podem acreditar que estas normas faziam com que a vida fosse melhor.
O mesmo ocorre em nível intrapessoal: nossas
concepções sobre certo e errado mudam com o passar do tempo. Poucos têm
aos 40 anos exatamente as mesmas convicções e valores que tinham aos 20 anos.
Ainda que as crenças principais continuem sendo as mesmas, em geral a
compreensão que a pessoa tem delas se modificou, tornando-se mais complexa e
flexível.
AS
VANTAGENS DA RIGIDEZ
As normas são necessárias, pois elas nos orientam
e simplificam nossa vida. O problema não é seguirmos regras, o problema é
seguirmos regras de forma rígida e automática. Por que caímos neste erro?
Porque é mais fácil simplesmente fazer tudo “do jeito certo”, sem nunca ter que
pensar profundamente em questões fundamentais.
Esse automatismo não é ruim em si mesmo: se parássemos para fazer densas análises filosóficas em cada passo que déssemos, ficaríamos paralisados. Além disso, certas situações não proporcionam tempo para ponderações, temos que agir rápido. Nestes casos, em geral é melhor errar para o lado da segurança. Olhar para os dois lados antes de atravessar uma rua é um hábito saudável, mesmo quando se trata de uma rua de mão única.
Esse automatismo não é ruim em si mesmo: se parássemos para fazer densas análises filosóficas em cada passo que déssemos, ficaríamos paralisados. Além disso, certas situações não proporcionam tempo para ponderações, temos que agir rápido. Nestes casos, em geral é melhor errar para o lado da segurança. Olhar para os dois lados antes de atravessar uma rua é um hábito saudável, mesmo quando se trata de uma rua de mão única.
É reconfortante e produtivo poder contar com
alguma estrutura e estabilidade. As normas proporcionam previsibilidade à vida.
A flexibilidade pode ser assustadora e em excesso provoca caos. Quanto mais opções
de escolha nós recebemos, mais oportunidade nós temos de tomar uma decisão
“errada”. Quando estamos certos do que nós mesmos e os outros devemos fazer e
sentir, nosso mundo se estabiliza, pois sabemos qual é o nosso papel e podemos
nos concentrar em outros assuntos.
ASSIM
NÃO
Entretanto, embora em geral o simplesmente seguir
as regras seja mais fácil, acreditar que existe um único modo correto de agir,
sem opções nem margem de manobra, pode nos causar sofrimento desnecessário.
Então precisamos parar para refletir. Nossos condicionamentos se tornam
problemáticos:·
- Quando fizemos (ou não) algo e nos sentimos culpados e sem valor;
- Quando existe conflito interno entre nossos deveres e desejos;
- Quando ficamos magoados porque alguém fez ou deveria ter feito algo;
- Quando aquilo que queremos conflita com as crenças de outra pessoa.
É possível identificar as crenças que dificultam
nossa vida. O primeiro passo para lidar de forma construtiva com os condicionamentos
que nos fazem sofrer é elaborar uma lista específica deles.
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