Pode ser muito confuso
aprender que não somente existem diferentes teorias do desenvolvimento, mas que
existem até mesmo diferentes grupos ou “famílias” destas teorias. É difícil
assimilar informações complexas sem um alicerce teórico sobre o qual nos apoiar
e uma lente paradigmática pela qual interpretá-las. Nossa tendência é querer saber qual delas está "certa" e descartar as demais. Porém, o ser humano é maior que qualquer teoria.
Nenhuma dessas teorias é
capaz de responder de modo adequado por todas as evidências disponíveis a
respeito do desenvolvimento humano, mas cada uma delas oferece conceitos úteis
e pode propiciar um arcabouço no qual podemos examinar o corpus da
pesquisa.
Para os estudiosos que
investigam o desenvolvimento biológico do ser humano, os padrões que parecem
surgir em cada faixa etária parecem evidenciar um padrão desenvolvimental
básico, enquanto as influências da geração e da subcultura em que as pessoas
nasceram são apenas um ruído de fundo que só atrapalha.
Já para os estudiosos que
investigam o desenvolvimento sociocultural do ser humano, as diferenças entre
grupos de pessoas são a própria matéria de interesse e mostram como indivíduo e
sociedade interagem, enquanto padrões biológicos são de importância menor.
Teorias da aprendizagem
enfatizam o papel vital da experiência ambiental na moldagem do indivíduo (desenvolvimento
“de fora para dentro”). Por outro lado, teóricos como Piaget asseveram que a
criança utiliza o material fornecido pela experiência para construir sua
própria realidade, sua própria compreensão (desenvolvimento “de dentro para
fora”). Os teóricos de inclinação psicanalítica situam-se em algum lugar entre
esses dois polos.
Não se trata de mera
questão de gosto pessoal: diferentes teorias geram diferentes tipos de
perguntas e de respostas e requerem diferentes tipos de pesquisa. Eleger uma
teoria pode iluminar nosso caminho, mas o atrelamento dogmático a ela pode nos
tornar cegos para fatos expostos por outras teorias. Existem de fato tanto a programação biológica quanto a programação
sociocultural e ambas interagem contribuindo para produzir o indivíduo. E a própria pessoa contribui para o seu desenvolvimento dentro dessas contingências através de sua volição. O ambiente influi no indivíduo e o indivíduo influi no ambiente.
Mesmo tendo escolhido uma teoria, temos que estar atentos para outros lados de
cada questão.
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