Todos os seres humanos
possuem “pontos cegos”: aspectos pessoais a respeito dos quais o próprio indivíduo
não possui consciência, mas que talvez sejam percebidos por outros. As pessoas
têm pontos cegos diferentes e possuem diversos graus de autoconhecimento,
algumas mais do que outras. Porém, ninguém possui um autoconhecimento completo
e absoluto, todos nós necessitamos de feedbacks.
Aqueles que acreditam ser a exceção à regra da nossa constituição humana costumam ser indivíduos estagnados em aspectos fundamentais do seu ser. Muitas vezes possuem um modo de pensar cínico, complexo de vítima, acreditam que o mundo é fundamentalmente injusto. Sua mentalidade rígida e negativa os coloca em círculos viciosos de insatisfação crônica com a vida. Esse comportamento pode ser o único que conhecem e é repetido para se protegerem, mas apenas os prejudica.
Para complicar, além da
mudança intrapessoal que temos continuamente, os contextos em que vivemos
também estão sempre em contínua mutação, ainda que geralmente seja muito
gradual. Às vezes alguém se queixa de que a empresa ou outra organização em que
está há anos mudou e agora ele não se sente bem lá. Ou que seu cônjuge, familiares
ou amigos mudaram, não são mais os mesmos. A questão é se quem mudou foi a
organização (ou as outras pessoas) ou se foi o próprio indivíduo, que passou a
observá-las de uma nova perspectiva. A resposta provavelmente é que ambos
mudaram.
É difícil determinar por
quanto tempo (e a cada quanto tempo) alguém deve buscar autoconhecimento. Deve
dedicar duas semanas por ano para profundas pesquisas e reflexões? Ou uma
semana por semestre? Ou um fim de semana por trimestre? Ou deve fazer continuamente
esforços intermitentes; ou seja, estar sempre lendo livros, ouvindo palestras,
etc., sem regularidade fixa? Cada indivíduo deve formular seu próprio plano de
desenvolvimento pessoal para revisar seus pontos fortes e pontos fracos, seus potenciais
e limitações, seus valores e objetivos. Fazer psicoterapia é um modo de obter
maior autoconhecimento.
Também é necessário
elaborar sua própria definição de “sucesso”. Não se trata de cunhar uma nova
definição totalmente inédita, mas de não aceitar passivamente as receitas que
nos foram dadas no passado. Em vez disso, deve pesquisar o que diferentes pensadores
dizem ou disseram sobre o assunto, discriminar o que parece razoável e fazer
uma síntese coerente desses elementos. É um processo que exige tempo e energia,
tanto intelectual quanto emocional. Sofremos pressão de outros para seguir
determinadas fórmulas de “sucesso”. Perceber quais são essas pressões e como
elas atingem nossos pontos fracos e afetam nossos sentimentos é outra matéria
para o nosso autoconhecimento
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