Existe outra forma de classificar as comparações: (1) aquelas que envolvem fatores que podemos nos equalizar com o outro e (2) aquelas
que envolvem fatores que não podemos equalizar. Nesta postagem vamos considerar
o primeiro tipo. O que podemos fazer?
DO QUE VOCÊ
SE DISPÕE A ABRIR MÃO?
Caso a comparação que o aflige seja a respeito de
algo sobre o qual você possa agir para igualar-se ao outro e você não prefira
banalizar e esquecer, a questão é: do que você está disposto a abrir mão para
conseguir esse objetivo? Quando se compara com os outros, você se lembra de
contabilizar os sacrifícios que eles podem ter feito? E está disposto a fazer o
mesmo?
A maioria das pessoas quer grandes resultados em
sua vida, mas não se dispõe a pagar grandes preços por eles. Querem tudo com
pouco ou nenhum custo. E “preço” aqui não se refere apenas a custos monetários,
mas principalmente a custos em termos de tempo, energia, recursos,
oportunidades sacrificadas, desgaste físico, emocional e intelectual, diversos
tipos de riscos, etc.
- Queria ter um cargo como o dele, mas não me disponho a me mudar para a cidade X como ele;
- Queria ter uma loja como a dela, mas não quero trabalhar 14h/dia x 7dias/semana como ela;
- Queria ter o mesmo prestígio que ele, mas não quero deixar de ter tempo livre como ele;
- Queria fazer um mestrado como ela, mas não quero investir tudo o que é exigido como ela fez.
Se você não se dispõe a pagar o preço para
conseguir o que quer, não se surpreenda se não conseguir.
PESE OS PRÓS
E OS CONTRAS
Quando estiver fazendo um processo decisório entre
duas ou mais alternativas, faça uma comparação completa. Não compare
simplesmente a alternativa A com a alternativa B. Pegue papel e caneta (ou faça
tabelas no editor de texto ou de planilha) e faça duas tabelas, cada uma com
duas colunas. Uma das colunas da primeira tabela é para os prós da alternativa
A e a outra coluna é para os contras da mesma. Faça igual com a segunda tabela
em relação à alternativa B.
As duas tabelas costumam quase se sobrepor de
forma invertida: os prós da alternativa A costumam ser praticamente iguais aos
contras da alternativa B e vice-versa. Porém, ao anotar as vantagens e desvantagens
de cada opção e ponderar sobre elas, adquire uma perspectiva mais ampla e
objetiva delas.
Depois de arrolar os prós e contras, você pode
reler e dar uma nota de 1 a 5 para cada item de acordo com a importância que
você lhe dá, desde o “pouco importante” (nota 1) até o “muito importante” (nota
5), podendo dar notas intermediárias (2, 3 e 4). Deste modo a comparação
torna-se mais profunda e racional e você verá quais pontos são mais importantes
para você.
DÊ UM
PASSO DE CADA VEZ
Cuidado com a combinação de mania de comparação
com perfeccionismo. Lembre-se de que quando adotamos uma postura “tudo ou nada”
(“Quero tudo do meu jeito ou prefiro desistir de tudo”), o mais provável é que
terminemos com nada. Experimente sentir-se satisfeito com o que já tem agora e
com o que pode razoavelmente mudar. É melhor do que nada. Assim você muda o seu
referencial de forma que o motive a prosseguir e permite que modifique os
termos da comparação. Talvez não sejamos capazes de caminhar tão rápido quanto
gostaríamos, mas podemos avançar um passo de cada vez.
Certo homem teve que deixar sua carreira
profissional por causa de um problema de saúde. Seu trabalho era sua maior
fonte de prazer e de reconhecimento. Os amigos o lembram de que ainda tem a
família e as amizades, que nada apaga o seu passado e que ele ainda pode fazer
alguma outra atividade. Mas ele ainda sente-se infeliz, pois se definia por seu
trabalho e agora se vê como uma mera sombra do que foi.
O seu antigo trabalho de fato ficou no passado e
não voltará. A questão agora é para onde ir daqui em diante. Mesmo que não
goste tanto de uma nova atividade,
será mais prazeroso do que espojar-se indefinidamente. Ele tem que mudar os
termos de comparação aos poucos.
Uma sugestão é: seja qual for o seu caso, faça um brainstorm
(sozinho e/ou com amigos) anotando o máximo possível de ideias sobre o que pode
fazer, mesmo que algumas pareçam tolas. Depois que tiver pensado em várias
ideias, passe a analisá-las uma de cada vez. Modifique ideias que talvez sejam
viáveis depois de ajustadas. Quando alguma parecer suficientemente viável,
volte a fazer um brainstorm para ter
ideias sobre como implementá-la. Divida a lista de providências em etapas
pequenas.
O processo pode demonstrar que certa ideia é mais
viável do que parecia. Ou que ela de fato é inviável. Possivelmente surgirá a
percepção de que é necessário desenvolver determinada habilidade, o que é uma
meta. Pondere os prós e contras, os potenciais custos e benefícios de cada
alternativa. Prossiga tendo ideias, elaborando e implementando planejamentos.
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