A Mania
de Perseguição é o vício cognitivo de encarar toda e qualquer pergunta ou afirmação
que outros façam (para nós e para terceiros) como um ataque, a mania de levar
tudo para o lado pessoal. É a atitude de quem pensa que tudo o que as pessoas
dizem e fazem é dirigido a ele e/ou pensar que tudo que acontece é de sua inteira
sua responsabilidade.
Se essa atitude persecutória for constante, mesmo em pequenas dosagens, gera irritação e/ou culpa no próprio indivíduo e incomoda as pessoas com quem ele convive. Claro que não estamos incentivando o erro oposto: a ingenuidade e o desligamento de tudo. É bom estar atento, pois as pessoas realmente emitem mensagens indiretas e podem dizer ou fazer algo endereçado para nós, embora sem citar nosso nome. Mas o excesso dessa atenção causa dificuldades e sofrimentos desnecessários.
Tudo o que acontece ou é dito pode ser interpretado de diversas formas. Por exemplo, um professor diz que alguns alunos estão se empenhando pouco na matéria. Um determinado aluno ouve e conclui que o professor está falando dele e se sente injustiçado porque está se empenhando.
O pior é que esse tipo de reação provavelmente já se tornou o padrão deste aluno em todos os ambientes: em casa, no trabalho, na escola, etc. Ele vive na defensiva, procurando sinais de que o estão atacando ou perseguindo de alguma forma. E rejeita a priori como injustas e mal intencionadas todas as críticas, tanto as críticas que supõe que sejam dirigidas a ele quanto as que lhe são de fato endereçadas.
Seria muito melhor se esse aluno não levasse essa crítica e outras para o lado pessoal. Ficar ressentido (ou pior, viver neste estado mental) apenas drena nossas forças emocionais e intelectuais, que poderiam ser melhor aproveitadas de outra forma. Mas simplesmente ignorar o que talvez seja um aviso importante para nós também pode ser fatal. O que fazer então?
Nós captamos inúmeras informações do ambiente a cada momento e algumas delas são feedbacks importantes. Precisamos saber filtrar o que vemos, ouvimos e sentimos no lugar e momento em que estamos. Assim, muito mais produtivo é primeiro analisar SE houve mesmo uma crítica e SE essa crítica aplica-se a nós. Quais são as evidências?
Então, SE a crítica é para nós e SE a crítica é válida, o melhor a fazer é ser objetivo e aplicar as correções necessárias e possíveis. Porém, SE não houve de fato crítica nenhum, ou SE a crítica não é para nós, ou SE a crítica é inválida, então o melhor a fazer é ignorá-la emocionalmente.
Um alarme de incêndio precisa ter seus sensores bem ajustados para não deixar de reagir a um fogo que se alastra, mas não deve ser tão sensível a ponto de acionar por causa da faísca de um interruptor ou tomada. O mesmo vale para nossa percepção. Todos nós precisamos de equilíbrio e bom senso na nossa sensibilidade às críticas diretas e às críticas sutis, observar e sentir como estão nos avaliando.
Esse sensor precisa ser bem ajustado. Se você for sensível de menos às mensagens das pessoas, perderá informações valiosas e sua personalidade e o seu comportamento serão deturpados. Mas se você for sensível demais às mensagens das pessoas, se você for um indivíduo suscetível, vai detectar insultos e rejeições imaginários por toda parte, o que também deturpará sua personalidade e comportamento, causando sofrimento a si mesmo e a outros.
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