Para compreender o indivíduo, além de sua história pessoal, é necessário conhecer os desafios que o ser humano enfrenta como coletividade. Embora cada um de nós seja único como indivíduo, nossas características humanas essenciais são as mesmas de todas as pessoas, em todo o planeta e em todas as épocas. É este alicerce compartilhado que permite à ciência especificar elementos comuns a todos nós.
Muito se fala que “você é único, em todo o mundo e em toda a História nunca houve e nunca haverá alguém exatamente igual a você”. Sim, é verdade. Porém, é apenas um lado da moeda. Também é verdade o oposto disso: ninguém é totalmente único, nunca houve nem haverá alguém totalmente diferente de você, pois você é em grande medida similar a cada pessoa que existe, existiu e existirá.
Independentemente das nossas crenças a respeito da origem e formação da vida, todos nós concordamos que o ser humano é um ser vivo, uma entidade biológica. Possui mecanismos anatômico-fisiológicos e instintos que permitem ao indivíduo e à espécie preservar sua existência.
Entre estes mecanismos e instintos está a capacidade de processar informações do ambiente (visão, audição, temperatura, etc.) e do próprio organismo (fome, sede, etc.) e de engendrar emoções básicas que levem o indivíduo a satisfazer suas necessidades biológicas aproveitando oportunidades e fugindo dos perigos que o mundo externo apresenta. Assim, se estamos com fome ficamos mais atentos a cheiros e outros sinais de alimentos. Caso estejamos na rua e vejamos um cachorro grande solto, imediatamente nosso organismo fica alerta em algum grau.
TODOS os animais processam informações, captando estímulos externos do ambiente e estímulos internos do seu próprio organismo, classificando e reagindo a estes estímulos de forma a evitar perigos e aproveitar oportunidades de alimentação, abrigo e assim por diante.
ENTRETANTO, o ser humano é capaz de ir muito além desse alicerce biológico fundamental que todos os seres vivos possuem. É capaz processar informações em altíssimos graus de abstração, elaborar raciocínios intricados, imaginar realidades que ainda não existem e experimentar sentimentos complexos.
PORÉM, por maior que seja o “prédio”, o ser humano ainda se constrói sobre esse alicerce biológico compartilhado por todos nós e é influenciado por ele. Possui comportamentos típicos da espécie e um ciclo de vida no qual cada etapa é influenciada por fatores genéticos e ambientais, formando sua história de vida e individualidade. Nossa maior capacidade de processar informações produz uma gigantesca variância de individualidade. Permite todas as façanhas humanas impossíveis aos animais, mas também possibilita desajustes psicológicos.
“Filogenética” significa “origem tribal”. Nós somos da tribo dos seres humanos. Embora tenhamos semelhanças básicas, possuímos capacidades, limitações e necessidades específicas, diferentes das que possuem os integrantes da “tribo” dos cães, da “tribo” dos gatos e assim por diante. É impossível revogar nossa “origem tribal” e negá-la só produz problemas. Para encontrar satisfação na vida precisamos levar em conta esse poderoso fator, desenvolvendo uma compreensão das leis naturais que contingenciam nossa vida e cultivando harmonia com elas.
O indivíduo nunca é um evento completo, é sempre um processo vivo que caminha da sua interpretação do passado para sua visão do futuro. Muito depende da aceitação da possibilidade de levar uma vida equilibrada, sensata e (de modo geral) satisfatória, na qual suas necessidades humanas estejam em harmonia com as oportunidades e exigências da realidade. Porém, embora sempre em processo de complementação, podemos nos tornar completos o suficiente para os desafios atuais e para os próximos.
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