quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Interação Genética x Ambiente (2/2)

 
  
Existem dois fatores principais no desenvolvimento. As crianças iniciam suas vidas com cargas genéticas herdadas. Algumas possuem um temperamento mais fácil de lidar, outras são mais difíceis. A maioria possui uma saúde relativamente boa, embora ocasionalmente possam ter diferentes problemas de saúde, enquanto algumas podem ter problemas mais sérios.
   
Muitas características podem variar muito de criança para criança dentro da faixa de normalidade: altura, peso, idade em que entra na puberdade e assim por diante. A maior parte das crianças possui um potencial nato um pouco acima ou um pouco abaixo da média para as capacidades cognitivas, físicas e sociais. Uma pequena minoria possui algum talento bem acima da média e outra pequena minoria possui algum talento bem abaixo da média.
    
O que nos leva ao segundo fator: a influência ambiental. Cada uma dessas situações (em especial as mais difíceis) requer que os pais e outros adultos tenham habilidade para evitar que a criança entre em um círculo vicioso de autodestruição e entre em um círculo virtuoso de progresso. As características que a criança traz à interação ambiental gera uma tendenciosidade no sistema, à qual os adultos precisam reagir de forma construtiva para corrigir e canalizar na direção certa através do amor, da compreensão e de uma variedade de estímulos.
    
O problema é que os ambientes também variam muito e os pais e outros adultos que interagem com uma criança nem sempre são capacitados para fornecer a orientação e o apoio necessários. Existe uma variedade muito grande quanto ao conhecimento do que deve ser feito, da capacidade de fazê-lo (o que inclui recursos materiais e imateriais) e até da motivação para auxiliar a criança.
     
Assim, de modo geral, podemos dizer que existem dois tipos de crianças: (1) as mais capacitadas, pois possuem mais fatores inatos ou adquiridos que promovem seu progresso do que fatores que o obstruem e (2) as crianças mais vulneráveis, pois trazem mais obstruções para si mesmas.
    
Mas essa classificação é dúbia: por exemplo, um garoto dotado de um extraordinário talento para Matemática necessita de tantos cuidados especiais quanto uma criança com deficiência mental, pois precisa de orientação e oportunidades para desenvolver seu dom, para aprender a lidar com a incompreensão das pessoas e assim por diante. Portanto, embora ele tenha uma grande capacidade, também tem uma grande vulnerabilidade.
   
Também podemos dizer de modo geral que existem dois tipos de ambientes: (1) os mais promissores, que oferecem mais orientação e apoio para a criança e (2) os mais deficitários, pois apresentam mais obstruções ao desenvolvimento da criança. Claro que a maioria dos ambientes possui tanto fatores promissores quanto deficiências, mas o que predomina?
 
De qualquer forma, a biologia da criança vai interagir com o ambiente e dessa interação surgirá resultados. E como estamos dissertando de modo geral sobre dois tipos de crianças e dois tipos de ambientes, chegamos a quatro possíveis resultados básicos.
      

  
Por exemplo, escores muito baixos de quociente intelectual são mais comuns entre crianças que tiveram baixo peso ao nascer e que foram criadas em famílias muito pobres, ao passo que crianças com baixo peso no nascimento criadas em famílias de classe média desenvolvem QI basicamente normais, tal como ocorre com bebês de peso normal ao nascer criadas em famílias de baixa renda. O significado disso é que o mesmo ambiente pode ter efeitos diferentes, dependendo das capacidades que a criança traz à equação.
   
As vulnerabilidades e capacidades provavelmente são cumulativas. Uma criança cujo primeiro ambiente tenha sido insuficiente para um bom desenvolvimento se tornará mais vulnerável e demandará mais para apresentar um desenvolvimento satisfatório.
   
Os mesmos conceitos são úteis para compreendermos o desempenho de adultos sob estresse. Diante de grandes desafios, porque alguns desmoronam, outros apenas sobrevivem e alguns perseveram e vencem? Pelo menos parte da resposta está na interação entre os fatores internos e externos, as vulnerabilidades e capacidades da pessoa de um lado e as fontes de apoio e de pressão de outro.
    
Um bom suporte de outros e a capacidade cognitiva e emocional de lidar com o problema nos auxiliam a continuar ou a mudar de curso. Já relações insatisfatórias com os outros, insegurança e sensação de impotência aumentam nossa vulnerabilidade a crises. Enquanto algumas capacidades e pontos fracos foram adquiridos na vida adulta, outros vêm desde a infância
  
   
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