Existem dois fatores
principais no desenvolvimento. As crianças iniciam suas vidas com cargas
genéticas herdadas. Algumas possuem um temperamento mais fácil de lidar,
outras são mais difíceis. A maioria possui uma saúde relativamente boa, embora
ocasionalmente possam ter diferentes problemas de saúde, enquanto algumas podem
ter problemas mais sérios.
Muitas características
podem variar muito de criança para criança dentro da faixa de normalidade:
altura, peso, idade em que entra na puberdade e assim por diante. A maior parte
das crianças possui um potencial nato um pouco acima ou um pouco abaixo da
média para as capacidades cognitivas, físicas e sociais. Uma pequena minoria
possui algum talento bem acima da média e outra pequena minoria possui algum
talento bem abaixo da média.
O que nos leva ao segundo
fator: a influência ambiental. Cada uma dessas situações (em especial as
mais difíceis) requer que os pais e outros adultos tenham habilidade para
evitar que a criança entre em um círculo vicioso de autodestruição e entre em
um círculo virtuoso de progresso. As características que a criança traz à
interação ambiental gera uma tendenciosidade no sistema, à qual os adultos
precisam reagir de forma construtiva para corrigir e canalizar na direção certa
através do amor, da compreensão e de uma variedade de estímulos.
O problema é que os
ambientes também variam muito e os pais e outros adultos que interagem com uma
criança nem sempre são capacitados para fornecer a orientação e o apoio
necessários. Existe uma variedade muito grande quanto ao conhecimento do
que deve ser feito, da capacidade de fazê-lo (o que inclui recursos
materiais e imateriais) e até da motivação para auxiliar a criança.
Assim, de modo geral,
podemos dizer que existem dois tipos de crianças: (1) as mais capacitadas,
pois possuem mais fatores inatos ou adquiridos que promovem seu progresso do
que fatores que o obstruem e (2) as crianças mais vulneráveis, pois
trazem mais obstruções para si mesmas.
Mas essa classificação é
dúbia: por exemplo, um garoto dotado de um extraordinário talento para
Matemática necessita de tantos cuidados especiais quanto uma criança com
deficiência mental, pois precisa de orientação e oportunidades para desenvolver
seu dom, para aprender a lidar com a incompreensão das pessoas e assim por
diante. Portanto, embora ele tenha uma grande capacidade, também tem uma grande
vulnerabilidade.
Também podemos dizer de
modo geral que existem dois tipos de ambientes: (1) os mais promissores,
que oferecem mais orientação e apoio para a criança e (2) os mais deficitários,
pois apresentam mais obstruções ao desenvolvimento da criança. Claro que a
maioria dos ambientes possui tanto fatores promissores quanto deficiências, mas
o que predomina?
De qualquer forma, a biologia da criança vai interagir
com o ambiente e dessa interação surgirá resultados. E como estamos
dissertando de modo geral sobre dois tipos de crianças e dois tipos de
ambientes, chegamos a quatro possíveis resultados básicos.
Por exemplo, escores
muito baixos de quociente intelectual são mais comuns entre crianças que
tiveram baixo peso ao nascer e que foram criadas em famílias
muito pobres, ao passo que crianças com baixo peso no nascimento criadas em
famílias de classe média desenvolvem QI basicamente normais, tal como ocorre
com bebês de peso normal ao nascer criadas em famílias de baixa renda. O
significado disso é que o mesmo ambiente pode ter efeitos diferentes,
dependendo das capacidades que a criança traz à equação.
As vulnerabilidades e capacidades
provavelmente são cumulativas. Uma criança cujo primeiro ambiente tenha sido
insuficiente para um bom desenvolvimento se tornará mais vulnerável e demandará
mais para apresentar um desenvolvimento satisfatório.
Os mesmos conceitos são
úteis para compreendermos o desempenho de adultos sob estresse. Diante de
grandes desafios, porque alguns desmoronam, outros apenas sobrevivem e alguns
perseveram e vencem? Pelo menos parte da resposta está na interação entre os
fatores internos e externos, as vulnerabilidades e capacidades da pessoa de um
lado e as fontes de apoio e de pressão de outro.
Um bom suporte de outros
e a capacidade cognitiva e emocional de lidar com o problema nos auxiliam a
continuar ou a mudar de curso. Já relações insatisfatórias com os outros,
insegurança e sensação de impotência aumentam nossa vulnerabilidade a crises.
Enquanto algumas capacidades e pontos fracos foram adquiridos na vida adulta,
outros vêm desde a infância
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