quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Interação Genética x Ambiente (1/2)

 
Historicamente, filósofos e psicólogos têm debatido o dilema “biologia versus ambiente”. Entretanto, agora entendemos que todo comportamento e toda mudança de desenvolvimento constitui um produto da interação de ambas. No estudo do ambiente (criação), é importante verificar bastante além da família imediata e se leve em conta influências culturais mais amplas.

Os bebês parecem iniciar a vida com uma ampla variedade de tendências inatas em suas formas de reagir aos diferentes estímulos em seu redor. O desenvolvimento posterior é o resultado da interação desse conjunto biológico de potencialidades e tendências do indivíduo com o ambiente específico em que vive.
   
Cada criança (e cada adulto também) cria modelos internos de significados para interpretar as experiências passadas e para compreender novas experiências. O efeito subjetivo de uma experiência (um evento ambiental) repousa não nas propriedades objetivas desta, mas na interpretação que o indivíduo faz dela, no significado que atribui a ela. Quantas vezes alguém faz uma observação inócua e a outra pessoa toma suas palavras como um ataque a ela? Essas pessoas suscetíveis têm um modelo interno de que os outros (ou determinados indivíduos) sempre querem atacá-las e assim vivem na expectativa de um ataque, interpretando palavras e ações neutras como dirigidas contra elas.
    
Todos nós desde crianças elaboramos modelos internos (conjuntos de pressupostos acerca do mundo, de si mesmo e da relação com os outros) pelos quais são filtradas todas as experiências subsequentes. Esses modelos foram formados a partir de experiências reais, mas geram expectativas que afetam nossa interpretação de novas experiências. Essas interpretações nos levam a agir e reagir de formas que influem construtiva ou destrutivamente em novas relações e situações.
  
Por exemplo, a quantidade objetiva de fatores estressantes e de apoio social que uma pessoa recebe são importantes, mas mais importante ainda é o modo como ela percebe esses fatores e apoio: se um indivíduo tiver fatores relativamente pequenos e suficiente apoio e recursos, mas acreditar que seus problemas são gigantescos e que seu apoio e recursos são escassos ou inexistentes, ele se sentirá mal. Outro exemplo: casais em que ambos são inseguros (baixa autoconfiança e baixa confiança um no outro) têm mais conflitos do que casais seguros.
   
O conceito de “modelos internos” ajuda a compreender a continuidade do comportamento através do tempo. Esses modelos podem ser modificados, mas em geral eles mudam pouco e devagar, continuando a moldar nossas percepções e experiências durante anos e anos. Além disso, o conceito de “modelos internos” explica em parte porque as pessoas extraem experiências subjetivas tão diferentes dos mesmos acontecimentos objetivos.
     
Para compreender o desenvolvimento de uma criança não basta olhar apenas pra ela e sua família imediata, nós precisamos olhar todo o cenário sistêmico em que ela está crescendo: sua vizinhança e escola, as vidas profissionais do pai e da mãe e a satisfação deles com estas, o relacionamento entre seus pais, o ambiente familiar e assim por diante. Crianças que crescem em bairros caóticos enfrentam problemas diferentes daquelas criadas em bairros estruturados. Pais despreparados e sobrecarregados geram ambientes familiares bem diversos de pais preparados e com domínio da situação.
 
Em geral as pessoas tendem a repetir com seus filhos os padrões com que foram criados; assim, pais que foram eles próprios criados com métodos deficientes tendem a disciplinar seus filhos de formas incorretas, gerando neles atitudes negativas que vão dificultar sua vida social, acadêmica e profissional. Porém, até mesmo pais que foram criados com bons padrões podem criar seus filhos de forma inadequada por passarem fases de estresse, como desemprego ou doença, sem adequado apoio social. Além de tudo isso, precisamos olhar para as alterações sociais, culturais e econômicas que afetam a todos, como as mudanças de valores da sociedade.
    
    
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