quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Perfeccionismo (6/8): Avalie suas Razões


Cada um de nós precisa determinar a importância que atribui aos seus padrões particulares de perfeição. Porém, só podemos chegar a um veredicto sensato depois de considerarmos as razões das nossas escolhas, o que NÃO inclui as razões dadas pelos nossos críticos externos e internos. Vamos considerar três perguntas que nos ajudam a avaliar nossas razões.


P1- “O que preciso sacrificar para fazer tudo do meu jeito neste caso?”

Em alguns casos, vale a pena insistir e lutar para que algo seja feito da forma que acreditamos ser a correta ou a melhor. Se você acredita estar diante de uma batalha que vale a pena ser travada, siga em frente. Mas sempre pare antes para enumerar os prós e os contras, os custos e os benefícios, a fim de tomar uma decisão bem pensada. Às vezes, ceder sai bem mais barato do que lutar. Mas com frequência os perfeccionistas entram em batalhas automaticamente, movidos pelo impulso de corrigir. O resultado muitas vezes é uma “vitória” que custa mais caro do que uma "derrota".


P2- “Será que estou interpretando bem as expectativas dos outros?”

Às vezes prolongamos um projeto ou adiamos uma iniciativa porque supomos que o outro exige altíssimos padrões de nós. Porém, supor não é saber. Pode ser que aquilo que consideramos "menos do que o nosso melhor", seja considerado "fantástico" pelo outro. A perfeição é uma questão subjetiva: o que um considera bom, um segundo considera insuficiente e um terceiro considera excessivo. Como descobrir os parâmetros de alguém?

Podemos descobrir bastante dialogando assertivamente com a pessoa. Mas também é necessário sair do teórico e abstrato para o prático e concreto, produzindo resultados e submetendo-os à avaliação do outro. Se houver feedbacks negativos, você terá aprendido quais são as suas lacunas pela perspectiva dele e então poderá corrigir nas próximas tentativas. É um processo desafiante e desconfortável, mas que gera progresso. O segredo para perseverar e vencer é manter em foco suas metas de longo prazo.


P3- “Será que não estou sendo exigente demais comigo mesmo?”

Alguns perfeccionistas possuem uma autocrítica muito forte. Não conseguem receber um elogio sem replicar com uma autodepreciação. Acreditam que quem os elogia não conhece os fatos ou está apenas sendo gentil. Às vezes é isso mesmo. Mas os perfeccionistas tendem a rejeitar elogios sinceros e merecidos porque impõem padrões absurdamente altos a si mesmos, deixando-os sempre com um gosto amargo de frustração na boca, o que é muito desmotivador para eles próprios.

Quando os perfeccionistas olham um metafórico “copo pela metade”, eles tendem a olhar apenas para a “metade vazia”, ignorando a “metade cheia”. Certo especialista escreve livros e artigos que são muito apreciados pelo público em geral, mas que não são vistos como eruditos pelos colegas, que é o desejo dele. Será que ele deve passar a vida se torturando? Ou deve ficar satisfeito por seu trabalho ser admirado por outros aspectos?
    
    
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