quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Perfeccionismo (7/8): Aprenda a Ceder


Uma dificuldade de alguns perfeccionistas é aceitar fazer algo do jeito de outra pessoa, não por uma questão ética ou prática, mas apenas para agradá-la e não ocorrer um impasse ou um ambiente desagradável. As pessoas possuem critérios diferentes para o que é ideal em cada assunto. Defender que algo seja feito de determinada forma não é errado em si mesmo. Mas o perfeccionista quer que TUDO seja SEMPRE perfeito pelos critérios DELE, o que aborrece os demais.

Com colegas, essa atitude gera um ambiente ruim. Com um chefe, seu zelo pode ser confundido com insubordinação. Um supervisor é responsável pelos resultados da equipe, que são avaliados por critérios impostos pelos superiores hierárquicos dele. Então o perfeccionista deve escolher entre (1) insistir em seus próprios métodos e critérios, (2) procurar outro trabalho ou (3) ajustar-se. Cada uma dessas alternativas possui custos e benefícios.

Alguns perfeccionistas não conseguem nem sequer ver alguém fazendo algo de um jeito diferente deles. Querem intervir e “corrigir” a pessoa para que ela faça da maneira “certa”, ainda que seja uma banalidade. Para eles não basta que a louça fique limpa, você tem que lavar do “modo correto”: seguir certa ordem, segurar a louça e a esponja de certa maneira e assim por diante. Essa atitude de microgerenciamento aborrece os demais.

Mais uma vez pode ser útil classificar o assunto em questão em escalas de zero a dez. Qual a importância dessa tarefa específica ser ótima ou apenas boa? Esse projeto é crucialmente importante ou é apenas mais um dentre tantos? É uma questão de ética ou de mera preferência pessoal? Qual a importância dessa pessoa na minha vida? Porque antagonizar uma pessoa muito importante por um assunto pouco importante?

Incorpore estas cinco diretrizes ao seu conceito de “perfeição”:

(1) Sempre ajuste suas exigências às circunstâncias específicas;

(2) Aceite experimentar novos métodos;

(3) Siga os critérios do seu supervisor;

(4) Valorize o bom relacionamento com os outros;

(5) Seja condescendente com preferências pessoais dos outros.

Esse modo de pensar e agir estratégico pode gerar desconforto no começo, talvez até alguma crise de consciência. Mas com o tempo você se habitua e aprende que em geral o melhor é evitar os extremos e seguir o caminho da moderação, do equilíbrio e do bom senso.


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