Uma
dificuldade de alguns perfeccionistas é aceitar fazer algo do jeito de outra
pessoa, não por uma questão ética ou prática, mas apenas para agradá-la e não
ocorrer um impasse ou um ambiente desagradável. As pessoas possuem critérios
diferentes para o que é ideal em cada assunto. Defender que algo seja feito de determinada forma não é errado em si mesmo. Mas o perfeccionista quer que TUDO seja SEMPRE
perfeito pelos critérios DELE, o que aborrece os demais.
Com
colegas, essa atitude gera um ambiente ruim. Com um chefe, seu zelo pode ser
confundido com insubordinação. Um supervisor é responsável pelos resultados da
equipe, que são avaliados por critérios impostos pelos superiores hierárquicos
dele. Então o perfeccionista deve escolher entre (1) insistir em seus próprios
métodos e critérios, (2) procurar outro trabalho ou (3) ajustar-se. Cada uma
dessas alternativas possui custos e benefícios.
Alguns
perfeccionistas não conseguem nem sequer ver alguém fazendo algo de um jeito
diferente deles. Querem intervir e “corrigir” a pessoa para que ela faça da
maneira “certa”, ainda que seja uma banalidade. Para eles não basta que a louça fique
limpa, você tem que lavar do “modo correto”: seguir certa ordem, segurar a
louça e a esponja de certa maneira e assim por
diante. Essa atitude de microgerenciamento aborrece os demais.
Mais
uma vez pode ser útil classificar o assunto em questão em escalas de zero a
dez. Qual a importância dessa tarefa específica ser ótima ou apenas boa? Esse
projeto é crucialmente importante ou é apenas mais um dentre tantos? É uma
questão de ética ou de mera preferência pessoal? Qual a importância dessa
pessoa na minha vida? Porque antagonizar uma pessoa muito importante por um
assunto pouco importante?
Incorpore
estas cinco diretrizes ao seu conceito de “perfeição”:
(1)
Sempre ajuste suas exigências às circunstâncias específicas;
(2)
Aceite experimentar novos métodos;
(3) Siga os critérios do seu supervisor;
(4) Valorize o
bom relacionamento com os outros;
(5) Seja
condescendente com preferências pessoais dos outros.
Esse modo de pensar e agir estratégico pode
gerar desconforto no começo, talvez até alguma crise de consciência. Mas com o
tempo você se habitua e aprende que em geral o melhor é evitar os extremos e
seguir o caminho da moderação, do equilíbrio e do bom senso.
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