domingo, 1 de setembro de 2013

Teorias do Desenvolvimento (4/6): Grupo C - Metas Sem Estágios


Entre os que propõem mudanças qualitativas sem estágios rígidos estão os teóricos neopiagetianos e neopsicanalistas, além dos teóricos humanistas como Abraham Maslow com sua Pirâmide das Necessidades.
 


TEORIAS NEOPSICANALÍTICAS E NEOPIAGETIANAS

O psiquiatra George Vaillant propôs um modelo de embasamento psicanalítico do desenvolvimento da maturidade adulta em que conserva a noção de sequência e de direção, mas rejeita a ideia de estágios fixos. Em vez disso, sugere que uma crescente maturidade na vida adulta é o abandono gradativo de mecanismos de defesa que distorcem a percepção e o uso cada vez maior de mecanismos que permitem uma percepção mais acurada.

A mudança é gradual e não ocorre com todos e nem do mesmo jeito. Há um caminho para a maturidade, mas ele não é delimitado da mesma forma para todos e nem todos percorrem a mesma distância nele. Da mesma forma, há abordagens neopiagetianas que enfatizam a sequência em vez dos estágios.


TEORIAS HUMANISTAS

Um tipo bem diferente de teoria, mas que se encaixa neste grupo, é a abordagem humanista, tipificada por Abraham Maslow e Carl Rogers, que aponta para a ênfase excessiva da psicanálise e propõe que cada indivíduo nasce com o impulso para realizar todo o seu potencial e alcançar a autorrealização. Assim, há uma mudança de desenvolvimento qualitativo, mas não são propostos estágios.

Maslow dividia os motivos ou necessidades em “motivos de carência” (impulsos para a homeostase física e emocional, como alimentos e relacionamentos) e “motivos de existência” (o desejo de compreender, doar, crescer) e afirmou que a satisfação deste segundo tipo produz uma ótima saúde.

Além disso, Maslow descreveu essas necessidades ou motivos em uma hierarquia de necessidades, que precisa ser satisfeita a partir da base: somente quando as necessidades fisiológicas são satisfeitas é que surgem as necessidades de segurança e assim por diante até chegar ao topo da pirâmide. Por esse motivo acreditava que as necessidades existenciais são significativas, pois só podem ser atingidas por adultos que encontraram meios estáveis para satisfazer suas necessidades de amor e de apreço, o que se assemelha aos estágios de intimidade e geração de Erikson. Porém, Maslow sugeriu uma sequência potencial de desenvolvimento, não necessariamente seguida por todos.


COMENTÁRIOS

As teorias do desenvolvimento com estágios rígidos cada vez mais parecem ser inadequadas, pois experiências particulares evidentemente constituem uma influência mais poderosa do que a faixa etária na determinação de uma habilidade, comportamento ou perspectiva de um indivíduo. A ideia de sequências partilhadas permite a noção mais razoável de que crianças e adultos se desenvolvem de maneiras compartilhadas, mas que existe espaço para a variação individual gerada em parte pelas experiências particulares nos ambientes específicos de cada um.

Entretanto, a maioria das teorias do tipo “metas sem estágios” é muito recente e nenhuma possui a mesma magnitude dos paradigmas de Piaget, Freud e Erikson. Mais pesquisas precisam ser feitas. Assim, ainda é cedo para afirmar que elas oferecerão a síntese que permite maior compreensão.


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