Entre os que propõem
mudanças qualitativas sem estágios rígidos estão os teóricos neopiagetianos e neopsicanalistas,
além dos teóricos humanistas como Abraham Maslow com sua Pirâmide das Necessidades.
O psiquiatra George
Vaillant propôs um modelo de embasamento psicanalítico do desenvolvimento da maturidade
adulta em que conserva a noção de sequência e de direção, mas rejeita a ideia
de estágios fixos. Em vez disso, sugere que uma crescente maturidade na vida
adulta é o abandono gradativo de mecanismos de defesa que distorcem a percepção
e o uso cada vez maior de mecanismos que permitem uma percepção mais acurada.
A mudança é gradual e não ocorre com todos e nem do mesmo jeito.
Há um caminho para a maturidade, mas ele não é delimitado da mesma forma para
todos e nem todos percorrem a mesma distância nele. Da mesma forma, há
abordagens neopiagetianas que enfatizam a sequência em vez dos estágios.
TEORIAS HUMANISTAS
Um tipo bem diferente de
teoria, mas que se encaixa neste grupo, é a abordagem humanista, tipificada por
Abraham Maslow e Carl Rogers, que aponta para a ênfase excessiva da psicanálise
e propõe que cada indivíduo nasce com o impulso para realizar todo o seu
potencial e alcançar a autorrealização. Assim, há uma mudança de
desenvolvimento qualitativo, mas não são propostos estágios.
Maslow dividia os motivos
ou necessidades em “motivos de carência”
(impulsos para a homeostase física e emocional, como alimentos e
relacionamentos) e “motivos de
existência” (o desejo de compreender, doar, crescer) e afirmou que a
satisfação deste segundo tipo produz uma ótima saúde.
Além disso, Maslow
descreveu essas necessidades ou motivos em uma hierarquia de necessidades, que
precisa ser satisfeita a partir da base: somente quando as necessidades
fisiológicas são satisfeitas é que surgem as necessidades de segurança e assim
por diante até chegar ao topo da pirâmide. Por esse motivo acreditava que as
necessidades existenciais são significativas, pois só podem ser atingidas por
adultos que encontraram meios estáveis para satisfazer suas necessidades de
amor e de apreço, o que se assemelha aos estágios de intimidade e geração de
Erikson. Porém, Maslow sugeriu uma sequência potencial de desenvolvimento, não
necessariamente seguida por todos.
COMENTÁRIOS
As teorias do
desenvolvimento com estágios rígidos
cada vez mais parecem ser inadequadas, pois experiências particulares
evidentemente constituem uma influência mais poderosa do que a faixa etária na
determinação de uma habilidade, comportamento ou perspectiva de um indivíduo. A
ideia de sequências partilhadas permite a noção mais razoável de que crianças e
adultos se desenvolvem de maneiras compartilhadas, mas que existe espaço para a
variação individual gerada em parte pelas experiências particulares nos
ambientes específicos de cada um.
Entretanto, a maioria das
teorias do tipo “metas sem estágios” é muito recente e nenhuma possui a mesma
magnitude dos paradigmas de Piaget, Freud e Erikson. Mais pesquisas precisam
ser feitas. Assim, ainda é cedo para afirmar que elas oferecerão a síntese que
permite maior compreensão.
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