domingo, 15 de setembro de 2013

Rigidez Mental (5/6): A Rigidez Alheia


Muitas vezes problemas acontecem quando nossos pontos de vista conflitam com os de outros, o que é frequente por que cada pessoa tem a sua própria lista de convicções e valores e elas nem sempre coincidem. Em alguns casos, discussões acaloradas podem ocorrer por causa de motivos pouco ou nada importantes, mas que causam irritação crescente e generalizada.


Pode ser difícil aceitar o ponto de vista divergente de alguém, principalmente quando a pessoa critica o nosso. Acreditamos estar certos e não vemos por que aceitar algo errado. Mas não precisamos assimilar como certa a opinião do outro, basta aceitar que os outros podem ter ideias diferentes das nossas. Aceitar as consequências de conviver com pontos de vista divergentes dos nossos é preferível a sofrer as consequências de viver em guerra por causa delas.

Ronaldo está fazendo residência em um grande hospital, onde uma das normas é que os residentes devem pedir permissão por escrito para efetuar mudanças em seus horários. Mas Ronaldo prefere trocar o dia de plantão com um colega falando apenas com ele, informalmente. Na volta, é informado que foi suspenso por desobedecer a norma. Ronaldo alega ao diretor que a suspensão é injusta, visto que os dois residentes cumpriram seus trabalhos. O diretor responde que a norma também visa manter a direção informada sobre quem está trabalhando onde e quando, então a suspensão é justa.

Assim, visto que o diretor tem uma perspectiva diferente sobre como esta norma deve ser cumprida, Ronaldo deve escolher entre (1) obedecer a norma conforme o entendimento do diretor, mesmo discordando dele, (2) arcar com as consequências de fazer do seu jeito ou (3) mudar de hospital.

Carlos possui uma opção religiosa diferente da do seu pai. Cada um pensa que o outro devia se ajustar ou arcar com as consequências. O resultado provável é uma ruptura que faz ambos se sentirem mal. Se puderem aceitar que cada um acredita em suas convicções tanto quanto o outro, encontrarão alternativas que não serão exatamente o que nenhum dos dois queria, mas servirão para possibilitar a paz. Com o tempo, talvez ambos passem a não apenas tolerar a opção um do outro, mas a compreender.

Quem quiser ser aceito em certo ambiente ou subir na hierarquia de uma organização terá que adaptar-se ao conjunto de normas comportamentais que vigoram lá. Não é necessário convencer-se de que aquele é o melhor jeito de fazer. Basta avaliar se as consequências de ajustar-se são mais desejáveis ou indesejáveis do que as consequências de não ajustar-se.


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