terça-feira, 1 de outubro de 2013

Teorias do Desenvolvimento (5/6): Grupo D - Sem Estágios Nem Metas)


No último grupo de teóricos situam-se aqueles que entendem as mudanças no curso da vida como sendo sem estágios nem direção, o que inclui os teóricos da aprendizagem (que enfatizam o papel dos processos básicos na modelagem do comportamento) e os behavioristas (que se posicionam contra a ideia de estágios e de que o desenvolvimento possui rumo ou mudança estrutural e qualitativa).


BEHAVIORISMO 

Os behavioristas enfatizam que pessoas na mesma faixa etária e/ou fase da vida possuem históricos muito diferentes, pois tiveram (e ainda têm) que se ajustar continuamente a circunstâncias muito diversas.

Além disso, as exigências da vida mudam com o tempo, mas o que modela as pessoas não é tanto as exigências da vida em si mesmas e sim a forma como as pessoas interpretam e respondem a estas. Reconhecem a importância das tendências genéticas, apenas enfatizam que o comportamento das pessoas é muito plástico, moldável por processos ambientais previsíveis:

  • Condicionamento Clássico: Envolve o aprendizado de novas respostas emparelhadas a reações inatas. Se uma música ou outro estímulo está regularmente presente quando você se sente bem (ou se sente mal), logo ficará condicionado a associar automaticamente esse estímulo ao sentimento, que é uma reação fisiológica.

  • Condicionamento Operante: Envolve o comportamento condicionado (ou seja, aprendido) através de um histórico de reforços. Qualquer comportamento reforçado apresenta maior probabilidade de voltar a ocorrer em situação semelhante.

  • Reforço Positivo: A apresentação de um estímulo agradável (um sorriso, um alimento, um prêmio, etc.) como consequência do comportamento aumenta a probabilidade do comportamento se repetir, pois a pessoa aprecia o estímulo e quer mais dele.

  • Reforço Negativo: A retirada de um estímulo desagradável (um barulho, uma dor ou outro incômodo) como consequência do comportamento aumenta a probabilidade do comportamento se repetir, pois a pessoa deprecia o estímulo e quer que ele pare.

  • Punição Positiva: A apresentação de um estímulo desagradável como consequência do comportamento indesejado diminui a probabilidade deste comportamento se repetir.

  • Punição Negativa: A retirada de um estímulo agradável como consequência do comportamento indesejado diminui a probabilidade deste comportamento se repetir.

  • Extinção: Um comportamento diminui em frequência por falta de reforços.

Existem minúcias que tornam a aplicação correta desses princípios um grande desafio. Se um adulto pune uma criança que se comporta mal para chamar a atenção, a punição é uma forma de atenção e assim no longo prazo reforça o comportamento indesejado.

Punições em excesso podem perder seu efeito e/ou tornar as pessoas especialistas em evitar a punição e não o comportamento indesejado. O processo de extinção em uma primeira fase torna o comportamento mais frequente e pode torná-lo ainda mais enraizado se for mal feito. Até mesmo reforços positivos podem causar efeitos reversos se forem mal aplicados.


BANDURA

Entre os teóricos da aprendizagem, estão os behavioristas radicais que seguem as diretrizes de B. F. Skinner. Neste paradigma, não importa a idade, pois os princípios do condicionamento clássico e operante são os mesmos e funcionam tanto para recém-nascidos quanto para pessoas com 100 anos. Outros teóricos da aprendizagem seguem a teoria da aprendizagem social que tem como figura central Albert Bandura, que aceita os princípios do condicionamento clássico e operante, mas faz algumas afirmações adicionais.

Bandura declara que a aprendizagem nem sempre requer esforço direto, pois pode ocorrer simplesmente como resultado de observação dos comportamentos dos outros e de suas consequências positivas, negativas ou inexistentes (aprendizagem observacional). Também chama a atenção para a existência de outra classe de reforços, que são o prazer que a pessoa obtém da atividade em si mesma, as recompensas intrínsecas.

Além disso, as pessoas são capazes de aprender não apenas comportamentos através da modelagem, mas também regras e valores abstratos implícitos, o que chamou de modelagem abstrata. Ademais, o que aprendemos pela observação é influenciado pela atenção seletiva, pela capacidade de compreender e lembrar o que foi observado e pela capacidade real de reproduzir as ações observadas.

Outros componentes cognitivos que Bandura introduziu no aprendizado são (1) estabelecimento de metas, (2) criação de expectativas quanto às prováveis consequências e (3) o julgamento da própria atuação. Estes conceitos fazem com que a faixa etária seja importante para a teoria de Bandura, pois pessoas de diferentes idades e diferentes formações diferem em sua capacidade de processar essas informações.


COMENTÁRIOS

Princípios básicos de aprendizagem (como o condicionamento clássico e o operante, bem como a modelagem) sem dúvida comandam a aquisição e a manutenção de muitos comportamentos. Os teóricos da aprendizagem são capazes de lidar com a consistência ou mudança do comportamento:
  • Se uma criança é amigável em casa e na escola, é porque este comportamento é reforçado em ambos os ambientes e não porque a criança possui um “temperamento gregário”; se apresenta comportamentos diferentes, as contingências de reforço nestes dois ambientes são diferentes.
  • Dentro do possível, um adulto tende a escolher ambientes semelhantes que mantêm o seu comportamento usual; além disso, o seu comportamento provoca reações semelhantes de pessoas em diversos locais, o que por sua vez reforça o seu comportamento e assim mantém sua consistência.

Portanto, os teóricos da aprendizagem tendem a ser otimistas quanto à possibilidade de mudança: o comportamento dos indivíduos pode mudar caso o sistema de reforço e as suas crenças sobre si mesmos mudem. Além disso, é bem claro como os comportamentos são aprendidos e reforçados.

O ponto fraco é que estas abordagens não são realmente desenvolvimentais. Explica que em todas as faixas etárias o comportamento das pessoas é controlado por contingências ambientais que reforçam certos comportamentos e punem ou extinguem outros, mas não explica como as gradualmente pessoas passam dos comportamentos infantis para os comportamentos adultos. Apresenta a vida como um processo horizontal, deixando de explicar como ocorre o desenvolvimento para novos patamares.


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