No último grupo de
teóricos situam-se aqueles que entendem as mudanças no curso da vida como sendo
sem estágios nem direção, o que inclui os teóricos da aprendizagem (que
enfatizam o papel dos processos básicos na modelagem do comportamento) e os behavioristas (que se posicionam contra a ideia de estágios e de que o
desenvolvimento possui rumo ou mudança estrutural e qualitativa).
BEHAVIORISMO
Os behavioristas enfatizam que pessoas na mesma faixa etária e/ou fase da vida possuem
históricos muito diferentes, pois tiveram (e ainda têm) que se ajustar
continuamente a circunstâncias muito diversas.
Além disso, as exigências da
vida mudam com o tempo, mas o que modela as pessoas não é tanto as exigências da
vida em si mesmas e sim a forma como as pessoas interpretam e respondem a
estas. Reconhecem a importância das tendências genéticas, apenas
enfatizam que o comportamento das pessoas é muito plástico, moldável por
processos ambientais previsíveis:
- Condicionamento Clássico: Envolve o aprendizado de novas respostas
emparelhadas a reações inatas. Se uma
música ou outro estímulo está regularmente presente quando você se sente
bem (ou se sente mal), logo ficará condicionado a associar automaticamente
esse estímulo ao sentimento, que é uma reação fisiológica.
- Condicionamento Operante: Envolve o comportamento condicionado (ou
seja, aprendido) através de um histórico de reforços. Qualquer
comportamento reforçado apresenta maior probabilidade de voltar a ocorrer
em situação semelhante.
- Reforço Positivo: A apresentação
de um estímulo agradável
(um sorriso, um alimento, um prêmio, etc.) como consequência do
comportamento aumenta a probabilidade do comportamento se repetir, pois a
pessoa aprecia o estímulo e quer mais dele.
- Reforço Negativo: A retirada
de um estímulo desagradável
(um barulho, uma dor ou outro incômodo) como consequência do comportamento
aumenta a probabilidade do comportamento se repetir, pois a pessoa
deprecia o estímulo e quer que ele pare.
- Punição Positiva: A apresentação
de um estímulo desagradável
como consequência do comportamento indesejado diminui a probabilidade
deste comportamento se repetir.
- Punição Negativa: A retirada
de um estímulo agradável
como consequência do comportamento indesejado diminui a probabilidade
deste comportamento se repetir.
- Extinção: Um comportamento diminui em frequência por
falta de reforços.
Existem minúcias que
tornam a aplicação correta desses princípios um grande desafio. Se um adulto
pune uma criança que se comporta mal para chamar a atenção, a punição é uma
forma de atenção e assim no longo prazo reforça o comportamento indesejado.
Punições em excesso podem perder seu efeito e/ou tornar as pessoas
especialistas em evitar a punição e não o comportamento indesejado. O processo
de extinção em uma primeira fase torna o comportamento mais frequente e pode
torná-lo ainda mais enraizado se for mal feito. Até mesmo reforços positivos
podem causar efeitos reversos se forem mal aplicados.
BANDURA
Entre os teóricos da
aprendizagem, estão os behavioristas radicais que seguem as diretrizes de B. F.
Skinner. Neste paradigma, não importa a idade, pois os princípios do
condicionamento clássico e operante são os mesmos e funcionam tanto para
recém-nascidos quanto para pessoas com 100 anos. Outros teóricos da
aprendizagem seguem a teoria da aprendizagem social que tem como figura central
Albert Bandura, que aceita os princípios do condicionamento clássico e
operante, mas faz algumas afirmações adicionais.
Bandura declara que a
aprendizagem nem sempre requer esforço direto, pois pode ocorrer simplesmente
como resultado de observação dos comportamentos dos outros e de suas
consequências positivas, negativas ou inexistentes (aprendizagem observacional). Também chama a atenção para a
existência de outra classe de reforços, que são o prazer que a pessoa obtém da
atividade em si mesma, as recompensas
intrínsecas.
Além disso, as pessoas
são capazes de aprender não apenas comportamentos através da modelagem, mas
também regras e valores abstratos implícitos, o que chamou de modelagem abstrata. Ademais, o que
aprendemos pela observação é influenciado pela atenção seletiva, pela
capacidade de compreender e lembrar o que foi observado e pela capacidade real
de reproduzir as ações observadas.
Outros componentes
cognitivos que Bandura introduziu no aprendizado são (1) estabelecimento de metas, (2) criação
de expectativas quanto às prováveis consequências e (3) o julgamento da própria atuação. Estes
conceitos fazem com que a faixa etária seja importante para a teoria de
Bandura, pois pessoas de diferentes idades e diferentes formações diferem em
sua capacidade de processar essas informações.
COMENTÁRIOS
Princípios básicos de
aprendizagem (como o condicionamento clássico e o operante, bem como a
modelagem) sem dúvida comandam a aquisição e a manutenção de muitos
comportamentos. Os teóricos da aprendizagem são capazes de lidar com a
consistência ou mudança do comportamento:
- Se uma criança é amigável em casa e na escola, é porque este
comportamento é reforçado em ambos os ambientes e não porque a criança
possui um “temperamento gregário”; se apresenta comportamentos diferentes,
as contingências de reforço nestes dois ambientes são diferentes.
- Dentro do possível, um adulto tende a escolher ambientes
semelhantes que mantêm o seu comportamento usual; além disso, o seu
comportamento provoca reações semelhantes de pessoas em diversos locais, o
que por sua vez reforça o seu comportamento e assim mantém sua
consistência.
Portanto, os teóricos da
aprendizagem tendem a ser otimistas quanto à possibilidade de mudança: o
comportamento dos indivíduos pode mudar caso o sistema de reforço e as suas
crenças sobre si mesmos mudem. Além disso, é bem claro como os comportamentos
são aprendidos e reforçados.
O ponto fraco é que estas
abordagens não são realmente desenvolvimentais. Explica que em todas as faixas
etárias o comportamento das pessoas é controlado por contingências ambientais
que reforçam certos comportamentos e punem ou extinguem outros, mas não explica
como as gradualmente pessoas passam dos comportamentos infantis para os
comportamentos adultos. Apresenta a vida como um processo horizontal, deixando
de explicar como ocorre o desenvolvimento para novos patamares.
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