Rejeitar ou modificar nossas regras rígidas parece
contraditório, pois o pressuposto é justamente que elas devem ser seguidas
cegamente. Porém, quando começamos a pensar em termos de análise de
consequências, nos tornamos capazes de modificar nossas regras e rejeitar as obrigações que nossos críticos (internos e externos) querem nos
forçar a seguir.
Suponha que esteja certo em pensar que alguns conhecidos vão reprová-lo se tomar certa decisão, como aceitar um
trabalho com menor status e salário, mas melhor qualidade de vida. Imagine também que
uma “parte” de você mesmo (seu crítico interior) concorde com essa reprovação. Afinal, TEMOS que sempre
crescer e nunca regredir, não é mesmo?
Não, nós não temos. Ele deve perguntar-se que
importância realmente têm estes críticos e o que é mais importante: obedecer
aos críticos ou fazer o que concluiu ser o melhor para ele. O mero
reconhecimento de que existe uma escolha concede uma margem de manobra maior.
Claro que usar esse poder de escolha vai ser
desaprovado por pessoas que querem decidir o que você deve pensar, sentir e
fazer.
Outro exemplo: talvez sua família insista que você deve relacionar-se com
um familiar que tem atitudes e comportamentos destrutivos só porque ele é seu
parente (embora não pressionem esse familiar a mudar a forma como pensa e age,
é só você que tem que mudar). Seria ótimo se você e esse parente tivessem um
bom relacionamento, como familiares deveriam ter, mas você pode concluir que o
preço da tolerância neste caso é alto demais.
Por outro lado, se uma autoridade quiser tolher
algum direito fundamental seu, talvez você avalie que o preço de lutar por suas
convicções pode ser alto, mas é uma causa pela qual vale a pena lutar. Você é
responsável por si mesmo. O que você acredita que é melhor? O que você está
disposto a fazer?
PENSANDO
“MELHOR”
Para evitar o erro da rigidez mental é necessário
refletir, ponderar diferentes fatores e escolher uma entre várias opções, em
vez de nos limitarmos à reação automática que fomos condicionados. Se parar para analisar as crenças que regem sua vida, optará por preservar
algumas, modificar outras e trocar ainda outras. Também vai optar tolerar
ideias alheias divergentes.
A palavra-chave é “optar”. Em todas as situações temos
escolhas a fazer. Nós é que escolhemos o que é o melhor dentro do que é
possível. Temos o poder de abrandar normas rígidas autoimpostas que restringem
indevidamente nossa vida.
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