A maioria das pessoas já
desejou simplificar sua vida, principalmente o trabalho. Nossas atribuições parecem
numerosas e complexas demais. Porém, esse sentimento não depende apenas do
nível de complexidade real do trabalho, mas também da relação emocional que
estabelecemos com ele. Há pessoas que se dedicam a atividades de fato complexas
e buscam simplificá-las, mas também há pessoas que complicam o seu próprio
trabalho.
Desde a invenção da roda,
todas as invenções humanas foram sofisticações que visavam simplificar o trabalho
das pessoas e facilitar sua vida. O computador é uma máquina extremamente
complexa e ao mesmo tempo extremamente simplificadora, ele foi projetado para
isso. Nossa vida se tornou mais simples em comparação aos nossos antepassados devido
aos avanços tecnológicos. Entretanto, cada pessoa simplifica ou complica a sua
própria vida por meio do seu modo de pensar e agir.
O que governa a sua vida?
A razão ou a emoção?
Essas duas forças coexistem como partes integrantes do nosso interior, da nossa cognição. Não
podemos optar por uma delas e rejeitar a outra sem consequências adversas.
Precisamos equilibrar este paradoxo e aprendermos a sermos movidos pela emoção,
mas guiados pela razão.
Agora falando de nosso
exterior, passamos por fases de alta complexidade e até perplexidade, mas encontramos
saídas e conseguimos colocar ordem no caos, entrando em um período de calmaria
que dura até ocorrerem novos eventos que geram uma nova fase de turbulência
para enfrentarmos. De diferentes modos, essa alternância está presente na vida
de todas as pessoas. Estamos sempre lidando com a simplicidade e a complexidade
e sempre buscando uma maior simplificação ou sofisticação.
Um dos problemas é que
confundimos “simplicidade” com “simploriedade” ou com “superficialidade”. A simplicidade
não é necessariamente a ausência de complexidade, mas a organização da
complexidade. Quando Henry Ford criou a linha de montagem na fábrica, ele foi
acusado de estar complicando o trabalho (que até então era artesanal), mas na realidade ele
estava organizando e agilizando a produção.
Assim, buscar a
simplicidade não é necessariamente fugir da complexidade, o que pode nos tornar simplórios. Se
este for o seu objetivo, é seu direito. Mas se não for, aprenda a diferenciar
ambas. Para simplificar, é necessário aprender a lidar com a complexidade em um
nível mais profundo de sofisticação. O próprio ser humano é altamente complexo
em sentido biológico e psicológico, mas essa complexidade está incrivelmente
organizada, o que nos permite viver e agir com eficácia.
Precisamos utilizar um
sistema de organização pessoal em que as principais variáveis sejam
consideradas e no qual as contingências sejam devidamente tratadas. Pensar bem antes
de agir economiza tempo e energia, entre outros recursos. O grau de capacidade
de pensamento diferencia o ser humano dos animais; a qualidade do pensamento
diferencia um ser humano de outro.
Uma das melhores
ferramentas para organizar nossa vida é a agenda, seja tradicional ou digital.
Se souber utilizá-la, ela simplifica sua vida e libera o seu potencial. Elabore
o seu próprio estilo de como usá-la.
Faça marcações ou coloque ícones para
indicar grau de importância, de urgência, de dificuldade, etc. Use-a para
planejar os próximos dias e para verificar como usou seu tempo nos dias
anteriores, de modo a erradicar desperdícios. Faça primeiro o que é mais
importante. Realize o mais breve possível as atividades desagradáveis, porém
necessárias. Dedique tempo ao que é importante, mas não é urgente.
Mas não basta ir
simplificando nossos processos, pois sempre surgem novas demandas para
preencher o tempo que conseguimos economizar. Além disso, recebemos muitas
sugestões e até pressões contraditórias sobre o que devemos fazer com nossa
vida. Como decidir?
No século 17 o matemático
e filósofo René Descartes criou a lógica cartesiana, uma forma simples de organizar
informações: coloque duas grandezas em duas coordenadas para ter uma percepção
de sua relação e das consequências mútuas de suas alterações. Esse sistema é
uma das bases de todos os avanços científicos e tecnológicos que a Humanidade
obteve desde então. E é a chave para uma vida simples e eficaz.
A simplicidade ou
complexidade da nossa vida é relativa, dependendo da interação entre duas
grandezas: sua situação atual e da referência que utilizamos. O referencial
pode ser a vida que levávamos antes, a vida de outras pessoas, o futuro que
desejamos para nós e assim por diante.
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