quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Como Simplificar Sua Vida


A maioria das pessoas já desejou simplificar sua vida, principalmente o trabalho. Nossas atribuições parecem numerosas e complexas demais. Porém, esse sentimento não depende apenas do nível de complexidade real do trabalho, mas também da relação emocional que estabelecemos com ele. Há pessoas que se dedicam a atividades de fato complexas e buscam simplificá-las, mas também há pessoas que complicam o seu próprio trabalho.

Desde a invenção da roda, todas as invenções humanas foram sofisticações que visavam simplificar o trabalho das pessoas e facilitar sua vida. O computador é uma máquina extremamente complexa e ao mesmo tempo extremamente simplificadora, ele foi projetado para isso. Nossa vida se tornou mais simples em comparação aos nossos antepassados devido aos avanços tecnológicos. Entretanto, cada pessoa simplifica ou complica a sua própria vida por meio do seu modo de pensar e agir.

O que governa a sua vida? A razão ou a emoção? Essas duas forças coexistem como partes integrantes do nosso interior, da nossa cognição. Não podemos optar por uma delas e rejeitar a outra sem consequências adversas. Precisamos equilibrar este paradoxo e aprendermos a sermos movidos pela emoção, mas guiados pela razão.

Agora falando de nosso exterior, passamos por fases de alta complexidade e até perplexidade, mas encontramos saídas e conseguimos colocar ordem no caos, entrando em um período de calmaria que dura até ocorrerem novos eventos que geram uma nova fase de turbulência para enfrentarmos. De diferentes modos, essa alternância está presente na vida de todas as pessoas. Estamos sempre lidando com a simplicidade e a complexidade e sempre buscando uma maior simplificação ou sofisticação.

Um dos problemas é que confundimos “simplicidade” com “simploriedade” ou com “superficialidade”. A simplicidade não é necessariamente a ausência de complexidade, mas a organização da complexidade. Quando Henry Ford criou a linha de montagem na fábrica, ele foi acusado de estar complicando o trabalho (que até então era artesanal), mas na realidade ele estava organizando e agilizando a produção.

Assim, buscar a simplicidade não é necessariamente fugir da complexidade, o que pode nos tornar simplórios. Se este for o seu objetivo, é seu direito. Mas se não for, aprenda a diferenciar ambas. Para simplificar, é necessário aprender a lidar com a complexidade em um nível mais profundo de sofisticação. O próprio ser humano é altamente complexo em sentido biológico e psicológico, mas essa complexidade está incrivelmente organizada, o que nos permite viver e agir com eficácia.

Precisamos utilizar um sistema de organização pessoal em que as principais variáveis sejam consideradas e no qual as contingências sejam devidamente tratadas. Pensar bem antes de agir economiza tempo e energia, entre outros recursos. O grau de capacidade de pensamento diferencia o ser humano dos animais; a qualidade do pensamento diferencia um ser humano de outro.

Uma das melhores ferramentas para organizar nossa vida é a agenda, seja tradicional ou digital. Se souber utilizá-la, ela simplifica sua vida e libera o seu potencial. Elabore o seu próprio estilo de como usá-la.

Faça marcações ou coloque ícones para indicar grau de importância, de urgência, de dificuldade, etc. Use-a para planejar os próximos dias e para verificar como usou seu tempo nos dias anteriores, de modo a erradicar desperdícios. Faça primeiro o que é mais importante. Realize o mais breve possível as atividades desagradáveis, porém necessárias. Dedique tempo ao que é importante, mas não é urgente.

Mas não basta ir simplificando nossos processos, pois sempre surgem novas demandas para preencher o tempo que conseguimos economizar. Além disso, recebemos muitas sugestões e até pressões contraditórias sobre o que devemos fazer com nossa vida. Como decidir?

No século 17 o matemático e filósofo René Descartes criou a lógica cartesiana, uma forma simples de organizar informações: coloque duas grandezas em duas coordenadas para ter uma percepção de sua relação e das consequências mútuas de suas alterações. Esse sistema é uma das bases de todos os avanços científicos e tecnológicos que a Humanidade obteve desde então. E é a chave para uma vida simples e eficaz.

A simplicidade ou complexidade da nossa vida é relativa, dependendo da interação entre duas grandezas: sua situação atual e da referência que utilizamos. O referencial pode ser a vida que levávamos antes, a vida de outras pessoas, o futuro que desejamos para nós e assim por diante.



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