quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Três Premissas da Psicologia Cognitiva

 
A partir da década de 1960, a psicologia passou por uma “revolução cognitiva”, na qual o interesse pelo papel da cognição na percepção e no comportamento foi promovido em parte pelos avanços nas neurociências e na cibernética (informática, automática e robótica). Então diferentes autores passaram a aplicar conceitos cognitivos na prática clínica.
  
A terapia cognitiva surgiu da terapia comportamental e teve como pioneiros os anteriormente psicanalistas Albert Ellis (1962) e Aaron Beck (1967). Ela visa a modificação do comportamento através da mediação cognitiva: quando modificamos a forma de pensar, mudamos o modo de agir. Embora o indivíduo que recebe tratamento na TCC possa ser chamado de “paciente”, ele é o agente ativo.
  
Existem diversas linhas clínicas que pertencem à família das terapias cognitivas: TCC, TREC, etc.. O que elas possuem em comum é o fato de se alicerçarem em três premissas:
 
1- A cognição afeta o comportamento;
 
2- A cognição pode ser monitorada e alterada;
 
3- A mudança comportamental pode ser promovida pela mudança cognitiva.
 
  
A primeira premissa é autoevidente, mas os primeiros teóricos cognitivos tiveram que prová-la empiricamente e hoje existem amplas evidências científicas de que as avaliações que uma pessoa faz de um evento influencia sua resposta a ele. Ainda persiste o debate de como e do quanto isso acontece, mas que existe uma mediação neurológica é hoje um fato raramente contestado.
  
A segunda premissa (a possibilidade da monitoração e alteração da cognição) possui diversos corolários implícitos. O acesso à cognição é possível, mas é limitado e imperfeito. É mais exato falar em aproximações e probabilidades. Entretanto, embora ainda haja muita pesquisa a ser feita, os pesquisadores registram estudos com estratégias cada vez mais válidas e confiáveis, tendo as mudanças do comportamento observável como um dos seus principais parâmetros.
  
Outro corolário da segunda premissa é que o monitoramento da cognição é um prelúdio necessário (embora insuficiente) de sua alteração deliberada. Mensurar um constructo não garante a capacidade de alterá-lo. Muitas estratégias de avaliação cognitiva concentram-se no conteúdo e resultados das cognições, em vez do processo cognitivo em si. Examinar este processo (além da interdependência entre os sistemas cognitivos, afetivos e comportamentais) provavelmente aumenta nossa capacidade de mudança.
   
Uma pesquisa demonstrou que um mesmo ruído pode causar diferentes perturbações fisiológicas dependendo das expectativas dos voluntários em relação ao som. Bandura empregou o constructo “autoeficácia” para documentar que o grau de percepção que um sujeito tem de ser capaz de abordar um objeto temido é um forte indicador do comportamento real. Muitos estudos documentaram o papel dos processos de avaliação cognitiva em uma variedade de cenários clínicos e laboratoriais.
   
A inferência da atividade cognitiva é aceita de modo geral, mas ainda é difícil documentar o pressuposto de que mudanças cognitivas podem mediar mudanças comportamentais. Uma pessoa que tem fobia de determinado objeto pode ser tratada com dessensibilização sistemática (aproximação gradual) ou com alguma forma de intervenção cognitiva (como imaginação dirigida); De qualquer forma, ainda que uma mudança possa ocorrer por métodos comportamentais, alguma mediação e alteração cognitivas ocorrem e têm que ocorrer para que a mudança seja efetiva.
  
A terceira premissa deriva das anteriores. Sim, as contingências ambientais também alteram o comportamento por reforçá-lo (ou puni-lo) positiva ou negativamente. Porém, os teóricos cognitivo-comportamentais enfatizam a mudança cognitiva como método preferencial para alterar comportamentos.
 
CONCLUSÃO
  
Todo comportamento é resultado de um planejamento elaborado ou de pensamentos rápidos. O pensamento, a emoção e o comportamento se entrelaçam, interagem e se influenciam mutuamente de forma contínua e padronizada. E esse padrão pode ser identificado e modificado.
  
Com este intuito, a TCC age em três fronts:
 
1- Reestruturação Cognitiva (mundo interior);
 
2- Habilidades de Enfrentamento (mundo exterior);
 
3- Resolução de Problemas (mundo interior e exterior)
 
 
O ser humano não apenas é dotado de uma grande capacidade cognitiva, ele também é capaz de pensar a respeito do processo de pensamento. Modificar esse processo muda o comportamento, o que por sua vez influi no ambiente e provoca mudanças nos outros.
  
Padrões de pensamento disfuncionais evocam padrões comportamentais disfuncionais. Modificar apenas o comportamento sem a mudança de cognição leva à posterior recorrência do problema no mesmo formato ou em outro, o que pode ser chamado de “transferência de sintomas”. Como apenas as manifestações do distúrbio foram tratadas, mas o distúrbio em si foi pouco ou nada tratado, ele recobrará energia e vai se manifestar novamente de uma forma ou de outra.
  
Todos nós desempenhamos nossos papéis na vida seguindo (com diversos graus de consciência) os modelos que assimilamos para estes papéis. Porém, às vezes os modelos comportamentais que tivemos são insuficientes, podendo ter eficácia em alguns problemas de certa categoria, mas não em outros mais complexos. E alguns modelos podem ter sido simplesmente inadequados, fornecendo-nos um repertório defeituoso.
  
Assim, o objetivo da psicologia cognitivo-comportamental é ampliar e aprimorar o nosso conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes para sermos capazes de enfrentar nossos desafios e ter uma vida satisfatória.
   
  
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