A partir da década de
1960, a psicologia passou por uma “revolução cognitiva”, na qual o interesse
pelo papel da cognição na percepção e no comportamento foi promovido em parte pelos
avanços nas neurociências e na cibernética (informática, automática e robótica).
Então diferentes autores passaram a aplicar conceitos cognitivos na prática
clínica.
A terapia cognitiva
surgiu da terapia comportamental e teve como pioneiros os anteriormente
psicanalistas Albert Ellis (1962) e Aaron Beck (1967). Ela visa a modificação
do comportamento através da mediação cognitiva: quando modificamos a forma de
pensar, mudamos o modo de agir. Embora o indivíduo que recebe tratamento na TCC
possa ser chamado de “paciente”, ele é o agente ativo.
Existem diversas linhas
clínicas que pertencem à família das terapias cognitivas: TCC, TREC, etc.. O
que elas possuem em comum é o fato de se alicerçarem em três premissas:
1- A cognição afeta o
comportamento;
2- A cognição pode ser
monitorada e alterada;
3- A mudança comportamental
pode ser promovida pela mudança cognitiva.
A primeira premissa é
autoevidente, mas os primeiros teóricos cognitivos tiveram que prová-la
empiricamente e hoje existem amplas evidências científicas de que as avaliações
que uma pessoa faz de um evento influencia sua resposta a ele. Ainda persiste o
debate de como e do quanto isso acontece, mas que existe uma mediação
neurológica é hoje um fato raramente contestado.
A segunda premissa (a
possibilidade da monitoração e alteração da cognição) possui diversos
corolários implícitos. O acesso à cognição é possível, mas é limitado e imperfeito.
É mais exato falar em aproximações e probabilidades. Entretanto, embora ainda
haja muita pesquisa a ser feita, os pesquisadores registram estudos com
estratégias cada vez mais válidas e confiáveis, tendo as mudanças do
comportamento observável como um dos seus principais parâmetros.
Outro corolário da
segunda premissa é que o monitoramento da cognição é um prelúdio necessário
(embora insuficiente) de sua alteração deliberada. Mensurar um constructo não
garante a capacidade de alterá-lo. Muitas estratégias de avaliação cognitiva concentram-se
no conteúdo e resultados das cognições, em vez do processo cognitivo em si.
Examinar este processo (além da interdependência entre os sistemas cognitivos,
afetivos e comportamentais) provavelmente aumenta nossa capacidade de mudança.
Uma pesquisa demonstrou
que um mesmo ruído pode causar diferentes perturbações fisiológicas dependendo
das expectativas dos voluntários em relação ao som. Bandura empregou o
constructo “autoeficácia” para documentar que o grau de percepção que um
sujeito tem de ser capaz de abordar um objeto temido é um forte indicador do
comportamento real. Muitos estudos documentaram o papel dos processos de avaliação
cognitiva em uma variedade de cenários clínicos e laboratoriais.
A inferência da atividade
cognitiva é aceita de modo geral, mas ainda é difícil documentar o pressuposto
de que mudanças cognitivas podem mediar mudanças comportamentais. Uma pessoa
que tem fobia de determinado objeto pode ser tratada com dessensibilização
sistemática (aproximação gradual) ou com alguma forma de intervenção cognitiva
(como imaginação dirigida); De qualquer forma, ainda
que uma mudança possa ocorrer por métodos comportamentais, alguma mediação e
alteração cognitivas ocorrem e têm que ocorrer para que a mudança seja efetiva.
A terceira premissa
deriva das anteriores. Sim, as contingências ambientais também alteram o comportamento
por reforçá-lo (ou puni-lo) positiva ou negativamente. Porém, os teóricos
cognitivo-comportamentais enfatizam a mudança cognitiva como método preferencial
para alterar comportamentos.
CONCLUSÃO
Todo comportamento é
resultado de um planejamento elaborado ou de pensamentos rápidos. O pensamento,
a emoção e o comportamento se entrelaçam, interagem e se influenciam mutuamente
de forma contínua e padronizada. E esse padrão pode ser identificado e
modificado.
Com este intuito, a TCC
age em três fronts:
1- Reestruturação
Cognitiva (mundo interior);
2- Habilidades de
Enfrentamento (mundo exterior);
3- Resolução de Problemas
(mundo interior e exterior)
O ser humano não apenas é
dotado de uma grande capacidade cognitiva, ele também é capaz de pensar a
respeito do processo de pensamento. Modificar esse processo muda o
comportamento, o que por sua vez influi no ambiente e provoca mudanças nos
outros.
Padrões de pensamento
disfuncionais evocam padrões comportamentais disfuncionais. Modificar apenas o
comportamento sem a mudança de cognição leva à posterior recorrência do
problema no mesmo formato ou em outro, o que pode ser chamado de “transferência
de sintomas”. Como apenas as manifestações do distúrbio foram tratadas, mas o
distúrbio em si foi pouco ou nada tratado, ele recobrará energia e vai se
manifestar novamente de uma forma ou de outra.
Todos nós desempenhamos
nossos papéis na vida seguindo (com diversos graus de consciência) os modelos
que assimilamos para estes papéis. Porém, às vezes os modelos comportamentais que tivemos são
insuficientes, podendo ter eficácia em alguns problemas de certa categoria, mas
não em outros mais complexos. E alguns modelos podem ter sido simplesmente
inadequados, fornecendo-nos um repertório defeituoso.
Assim, o objetivo da psicologia
cognitivo-comportamental é ampliar e aprimorar o nosso conjunto de
conhecimentos, habilidades e atitudes para sermos capazes de enfrentar nossos
desafios e ter uma vida satisfatória.
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