Sócrates viveu
em Atenas em 469AC, há 2.550 anos e nos ensinou que saber pensar logicamente
nos ajuda a ter mais independência, autoconfiança, opiniões alicerçadas e
sermos menos conformistas, menos manipuláveis pelas opiniões dos outros. Ele
morreu por suas crenças e suas ideias podem nos ajudar a defendermos as nossas.
Sócrates não escreveu nenhum livro, suas ideias foram escritas por seu discípulo Platão. Casou-se com uma mulher rabugenta chamada Xantipa. Quando perguntavam por que, respondia que amestradores deviam treinar com animais difíceis. Hoje é considerado um dos maiores, até mesmo o maior de todos os filósofos gregos.
Era
extremamente feio, o que complementava não tomando banho, nem trocando de túnica
e não usando sandálias. As idiossincrasias de Sócrates apontam para a
inspiradora ideia de que devemos desenvolver confiança em nossas próprias ideias
e não sermos indevidamente influenciados pelos outros. Como ovelhas no rebanho,
as pessoas em geral têm o impulso de seguir passivamente a maioria e sentir
pavor de se afastarem do grupo.
Por que seguimos
os outros, em especial pessoas importantes? Em parte por acreditarmos que elas
sabem o que dizem e que por esta razão devemos segui-las. Certo diretor de uma
indústria farmacêutica começou a considerar os relatórios muito otimistas e que
os acionistas não estavam sabendo de tudo. Mas será possível que só ele
estivesse certo e os outros onze membros da diretoria estivessem errados?
Em uma situação
como esta podemos até duvidar da nossa própria sanidade, pois nosso impulso é
acreditar que a maioria está certa. Além disso, existe a pressão cultural para
ajustar-se ao grupo. E nós queremos agradar nossos colegas, principalmente
nossos chefes. Acreditamos que as autoridades têm razão. Mas Sócrates queria
que desafiássemos estes pressupostos por pensarmos logicamente sobre o que as
autoridades dizem em vez de ficarmos paralisados diante da sua aura de
importância e ar de certeza.
Para decidir se
concordaria ou não com as palavras de uma autoridade, Sócrates tinha uma vantagem
sobre nós: podia facilmente ter uma conversa pessoal com ela. Atenas tinha
apenas 150.000 habitantes, e a população se reunia em uma praça central chamada
“Ágora”. Sócrates acordava cedo, andava entre os mercadores e encontrava os formadores
de opinião da cidade: generais, oradores, estadistas e aristocratas.
Os
abordava e fazia perguntas sobre a vida, sobre por que viviam como viviam. Descobria
inconsistências surpreendentes na compreensão das pessoas a respeito de suas
próprias vidas. Ricos não sabiam por que eram ricos, generais não sabiam por
que guerreavam. A lição fascinante que tiramos é que, se tivermos a
oportunidade de conversar com pessoas importantes e lhes propor questões
sobre as suas vidas, encontraremos inconsistências que não correspondem à sua
conduta confiante.
Uma razão de
porque evitamos discordar dos outros é que temos consciência de como é fácil
arranjar confusão à toa por parecermos teimosos e renitentes. Sócrates era um
não-conformista e brigava pelos atenienses. Mas não era motivado pelo desejo de
obrigar outros a fazerem tudo do seu jeito, nem pela excentricidade. Seu
não-conformismo era movido pela busca da verdade e pelo desafio às suposições
fáceis.
Sócrates abordava
pessoas comuns e lhes fazia perguntas existenciais, o que é fascinante, mas
também muito irritante. Perguntas sobre suas crenças podem fazer muitas pessoas
reagir agressivamente.
Também pode ser
um pouco assustador para quem aborda o outro com as perguntas, especialmente se
o questionador for tímido. As pessoas podem lhe olhar com estranheza e pensar
que você já sabe a resposta e está tentando ser superior a elas. Mas Sócrates
não tinha essas inibições. Preferia ser considerado exagerado e estranho a
permitir que seus concidadãos vivessem sem refletir. Queria que examinássemos
nossas crenças mesmo a caminho do mercado.
É fácil imaginar
como Sócrates incomodava os atenienses. Mas na essência dessa abordagem estava
a ideia equitativa de que todos têm o dever de refletir sobre a vida e de que
todos nós somos capazes de fazê-lo. Em geral não queremos pensar em por que
vivemos como vivemos, muito menos ter que explicar. Sócrates pediu que
superássemos essa preguiça e timidez para construirmos ideias sólidas e sermos
capazes de defendê-las com bom fundamento, nos convidou ao não-conformismo
inteligente.
Sócrates não só
nos dá confiança para desafiar ideologias, crenças e tradições dominantes, ele
também nos oferece maneiras de desenvolvermos nossas crenças para que nos
separemos da multidão. Para isso devemos submeter nossas ideias a um teste rigoroso,
se elas resistirem é porque vale a pena mantê-las e defendê-las.
O motivo pelo
qual existem muitas ideias confusas e inexatas é que muitos pensam ser possível
ter boas ideias sem refletir muito sobre elas. Sócrates considerava isso loucura.
Para demonstrar essa incoerência, comparava o pensamento à cerâmica. É impossível
fazer bons vasos sem seguir procedimentos rigorosos, assim como é impossível
ter boas ideias sobre Ética, sobre a maneira como vivemos e outros assuntos
importantes sem critério e esforço mental.
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