terça-feira, 15 de abril de 2014

Mania de Comparação (1/8): Introdução

A Mania de Comparação é a dedicação excessiva a comparar-se negativamente com outros e/ou aceitar cegamente comparações que outros façam de nós com eles ou terceiros, o que é desanimador e em geral é falta de perspicácia. A capacidade de fazer comparações é essencial para nossa vida. Ela nos ajuda a tomar boas decisões, resolver problemas, saber o que pensar e efetuar e pode nos motivar. Mas, se for mal aplicada, a capacidade de comparar causa muitos problemas.


Comparações impróprias (na forma e/ou no modelo utilizado) podem nos direcionam a metas extremamente difíceis ou mesmo impossíveis, o que por sua vez nos leva ao esgotamento, desânimo e desistência. E mesmo que nós atinjamos a meta, muitas vezes ficamos frustrados porque constatamos que os benefícios simplesmente não compensaram os custos.

As comparações impróprias podem facilmente nos tornar arrogantes e acomodados quando nos comparamos com quem tem menos. E quando nos comparamos com quem tem mais do que nós, a mania de comparação nos amargura, podendo até nos induzir a prejudicar essas pessoas acreditando que isso é justo. Em resumo, a mania de comparação nos torna frustrados, medíocres e de uma forma ou de outra nos destrói.

Um bom exemplo de mania de comparação é a Rainha do conto da Branca de Neve. Em vez de simplesmente perguntar ao Espelho Mágico se ela era bonita e ficar satisfeita com a resposta positiva, perguntava se havia alguém mais bonita do que ela. Enquanto a resposta foi negativa (não, não havia ninguém mais bonita), ela ficou satisfeita. Mas fatalmente chegou o dia em que a resposta se tornou positiva. Porém, o Espelho não disse que a Rainha deixou de ser bonita, apenas disse que havia uma pessoa mais bela. Porém, ela não suportou a ideia e causou grande sofrimento contra sua “concorrente” e infelicidade vitalícia para si mesma.

Entenda bem: sem possuir ou utilizar a capacidade de comparar, nós (seres humanos) seríamos muito pouco efetivos, pois as comparações servem de pontos de referência para nos guiar, como meio de instaurar a ordem em meio ao caos. Todos nós precisamos avaliar comparativamente as situações com que nos deparamos. Se hoje está mais frio ou mais quente do que ontem, ajustamos o tipo de roupa que usaremos.

As comparações nos permitem contextualizar as informações, determinar o que há de positivo e de negativo na situação atual e se ela está piorando ou melhorando e em que aspectos. Decisões importantes são bem tomadas quando comparamos as opções disponíveis entre si e com um padrão de qualidade. As comparações também nos auxiliam a corrigir e até prevenir problemas aprendendo com o passado e com os outros.

Além das comparações que nós mesmos realizamos, estamos sempre recebendo comparações prontas que podem nos ajudar a formar opiniões e a fazer escolhas, como listas de best-sellers da semana, mês ou ano, ou dos melhores livros sobre determinado assunto. Mas estas listas, reportagens, etc. podem nos atrapalhar também. Por exemplo, a lista de best-sellers é indicadora de popularidade, não de qualidade.

Portanto, capacidade humana de fazer comparações é boa em si mesma. O problema é quando fazemos comparações descabidas, ou comparações excessivas, ou nos comparamos com muita frequência, ou tudo isso ao mesmo tempo. Podemos e devemos evitar cair na armadilha que são as comparações impróprias no modo ou no modelo.
  
 
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