A Mania de
Comparação é a dedicação excessiva a comparar-se negativamente com outros
e/ou aceitar cegamente comparações que outros façam de nós com eles ou terceiros,
o que é desanimador e em geral é falta de perspicácia. A capacidade de fazer
comparações é essencial para nossa vida. Ela nos ajuda a tomar boas decisões,
resolver problemas, saber o que pensar e efetuar e pode nos motivar. Mas, se for
mal aplicada, a capacidade de comparar causa muitos problemas.
Comparações impróprias (na forma e/ou no modelo
utilizado) podem nos direcionam a metas extremamente difíceis ou mesmo impossíveis, o
que por sua vez nos leva ao esgotamento, desânimo e desistência. E mesmo que
nós atinjamos a meta, muitas vezes ficamos frustrados porque constatamos que os benefícios simplesmente não compensaram
os custos.
As comparações impróprias podem facilmente nos
tornar arrogantes e acomodados quando nos comparamos com quem tem menos. E
quando nos comparamos com quem tem mais do que nós, a mania de comparação nos
amargura, podendo até nos induzir a prejudicar essas pessoas acreditando que
isso é justo. Em resumo, a mania de comparação nos torna frustrados, medíocres e de uma forma ou de
outra nos destrói.
Um bom exemplo de mania de comparação é a Rainha
do conto da Branca de Neve. Em vez de simplesmente perguntar ao Espelho Mágico
se ela era bonita e ficar satisfeita com a resposta positiva, perguntava se
havia alguém mais bonita do que ela. Enquanto a resposta foi negativa (não, não
havia ninguém mais bonita), ela ficou satisfeita. Mas fatalmente chegou o dia
em que a resposta se tornou positiva. Porém, o Espelho não disse que a Rainha deixou
de ser bonita, apenas disse que havia uma pessoa mais bela. Porém, ela não suportou
a ideia e causou grande sofrimento contra sua “concorrente” e infelicidade vitalícia
para si mesma.
Entenda bem: sem possuir ou utilizar a capacidade de comparar,
nós (seres humanos) seríamos muito pouco efetivos, pois as comparações servem de pontos de
referência para nos guiar, como meio de instaurar a ordem em meio ao caos.
Todos nós precisamos avaliar comparativamente as situações com que nos
deparamos. Se hoje está mais frio ou mais quente do que ontem, ajustamos o tipo
de roupa que usaremos.
As comparações nos permitem contextualizar as
informações, determinar o que há de positivo e de negativo na situação atual e
se ela está piorando ou melhorando e em que aspectos. Decisões importantes são
bem tomadas quando comparamos as opções disponíveis entre si e com um padrão de
qualidade. As comparações também nos auxiliam a corrigir e até prevenir
problemas aprendendo com o passado e com os outros.
Além das comparações que nós mesmos realizamos,
estamos sempre recebendo comparações prontas que podem nos ajudar a formar
opiniões e a fazer escolhas, como listas de best-sellers da semana, mês ou ano,
ou dos melhores livros sobre determinado assunto. Mas estas listas,
reportagens, etc. podem nos atrapalhar também. Por exemplo, a lista de
best-sellers é indicadora de popularidade, não de qualidade.
Portanto, capacidade humana de fazer comparações é
boa em si mesma. O problema é quando fazemos comparações descabidas, ou
comparações excessivas, ou nos comparamos com muita frequência, ou tudo isso ao mesmo tempo.
Podemos e devemos evitar cair na armadilha que são as comparações impróprias no
modo ou no modelo.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Envie-nos seu comentário inteligente e educado: