Um dos principais
teóricos da terapia cognitivo-comportamental, Beck teve formação original em
psicanálise, mas começou a questionar as formulações e eficácia desta, em
especial sobre a depressão. Suas pesquisas distinguiram características
recorrentes no conteúdo das ideias neuróticas e distorções sistemáticas nos padrões
de pensamento dos pacientes. Elaborou uma tipologia de erros sistemáticos como
“inferência arbitrária”, “abstração seletiva” e “supergeneralização”.
As pesquisas de Beck
resultaram em um modelo cognitivo de psicoterapia, incluindo as distorções
cognitivas específicas de cada neurose. Em seu avanço, esse modelo manteve a
ênfase de que o pensamento distorcido afeta negativamente o estado emocional e
o comportamento do indivíduo e que, assim sendo, a forma como o sujeito
estrutura a realidade determina como se sente e age. Além disso, há uma relação
de reforço mútuo entre estado emocional e cognição.
* * *
Os “esquemas” (estruturas
cognitivas que organizam e processam as informações que chegam ao indivíduo)
apresentam os padrões de pensamento adquiridos no desenvolvimento da pessoa.
Enquanto os esquemas de indivíduos adaptativos permitem avaliações mais
razoáveis dos eventos da vida, os esquemas de indivíduos desajustados distorcem
sua percepção da realidade e promovem a ocorrência de transtornos psicológicos.
Os processos esquemáticos de indivíduos depressivos são caracterizados pela
“tríade depressiva” (visão negativa de si mesmo, do mundo e do futuro).
Aaron Beck introduziu
conceitos importantes como “pensamentos automáticos” (cuja origem está em crenças
centrais rígidas, imutáveis e dogmáticas), “distorções cognitivas”
(interpretações inadequadas da realidade que influem nas respostas emocionais,
fisiológicas e comportamentais) e a importância de se aprender respostas mais
adaptativas aos pensamentos disfuncionais.
O objetivo da TC é
substituir padrões de pensamento distorcidos por avaliações mais razoáveis e
adaptativas. O tratamento é psicoeducacional e cooperativo, usando diversos
métodos para que o paciente aprenda a:
(1) reconhecer a relação
entre cognição, emoções e comportamentos,
(2) monitorar os PA e
testar sua validade,
(3) substituir modos de
pensar deficientes por outros melhores e
(4) identificar e alterar
crenças subjacentes, pressupostos e esquemas que produzem esses padrões
defeituosos de pensamentos e ações.
As distorções cognitivas
e os PA (pensamentos automáticos) infundados podem ser ajustados pelo “teste de
realidade” e pela correção de conceitos errôneos, deformados, disfuncionais.
Todos estes elementos e a tríade cognitiva devem ser examinados.
Foram produzidos muitos
materiais sobre a TREC e a TC. Porém, enquanto a maioria dos que escreviam
sobre a TREC eram defensores dela, a maior parte dos escritores da TC foram
pesquisadores em busca de comprovação empírica de sua eficácia. O tratamento
cognitivo da depressão é uma alternativa viável à intervenção bioquímica e é superior
à farmacologia no tratamento da ansiedade.

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