terça-feira, 22 de abril de 2014

TC- Terapia Cognitiva (Aaron Beck)

 
Um dos principais teóricos da terapia cognitivo-comportamental, Beck teve formação original em psicanálise, mas começou a questionar as formulações e eficácia desta, em especial sobre a depressão. Suas pesquisas distinguiram características recorrentes no conteúdo das ideias neuróticas e distorções sistemáticas nos padrões de pensamento dos pacientes. Elaborou uma tipologia de erros sistemáticos como “inferência arbitrária”, “abstração seletiva” e “supergeneralização”.
 
As pesquisas de Beck resultaram em um modelo cognitivo de psicoterapia, incluindo as distorções cognitivas específicas de cada neurose. Em seu avanço, esse modelo manteve a ênfase de que o pensamento distorcido afeta negativamente o estado emocional e o comportamento do indivíduo e que, assim sendo, a forma como o sujeito estrutura a realidade determina como se sente e age. Além disso, há uma relação de reforço mútuo entre estado emocional e cognição.
 
Os “esquemas” (estruturas cognitivas que organizam e processam as informações que chegam ao indivíduo) apresentam os padrões de pensamento adquiridos no desenvolvimento da pessoa. Enquanto os esquemas de indivíduos adaptativos permitem avaliações mais razoáveis dos eventos da vida, os esquemas de indivíduos desajustados distorcem sua percepção da realidade e promovem a ocorrência de transtornos psicológicos. Os processos esquemáticos de indivíduos depressivos são caracterizados pela “tríade depressiva” (visão negativa de si mesmo, do mundo e do futuro).
 
Aaron Beck introduziu conceitos importantes como “pensamentos automáticos” (cuja origem está em crenças centrais rígidas, imutáveis e dogmáticas), “distorções cognitivas” (interpretações inadequadas da realidade que influem nas respostas emocionais, fisiológicas e comportamentais) e a importância de se aprender respostas mais adaptativas aos pensamentos disfuncionais.
 
O objetivo da TC é substituir padrões de pensamento distorcidos por avaliações mais razoáveis e adaptativas. O tratamento é psicoeducacional e cooperativo, usando diversos métodos para que o paciente aprenda a:
(1) reconhecer a relação entre cognição, emoções e comportamentos,
(2) monitorar os PA e testar sua validade,
(3) substituir modos de pensar deficientes por outros melhores e
(4) identificar e alterar crenças subjacentes, pressupostos e esquemas que produzem esses padrões defeituosos de pensamentos e ações.
 
As distorções cognitivas e os PA (pensamentos automáticos) infundados podem ser ajustados pelo “teste de realidade” e pela correção de conceitos errôneos, deformados, disfuncionais. Todos estes elementos e a tríade cognitiva devem ser examinados.
 
Foram produzidos muitos materiais sobre a TREC e a TC. Porém, enquanto a maioria dos que escreviam sobre a TREC eram defensores dela, a maior parte dos escritores da TC foram pesquisadores em busca de comprovação empírica de sua eficácia. O tratamento cognitivo da depressão é uma alternativa viável à intervenção bioquímica e é superior à farmacologia no tratamento da ansiedade.
 
  
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