quinta-feira, 15 de maio de 2014

Mania de Comparação (2/8): Tocando nos Nossos Pontos de Sensibilidade


Nem todas as comparações doem. O problema maior são as comparações que envolvem nossa autoestima, nosso autoconceito e nossa autoimagem, aqueles cotejos que entram em nossas áreas sensíveis e tocam em nossos pontos fracos, em que estamos tentando definir nossa própria identidade e delimitar nossas questões pessoais.
 

Às vezes fazemos comparações positivas, ou seja, favoráveis a nós. Evitamos ficar expressando demais essas comparações para não sermos tachados de arrogantes. E se as expressamos ou insinuamos, talvez descubramos que outros não compartilham nossa opinião e podem se sentir depreciadas, o que pode gerar problemas nos relacionamentos. Mas em geral são as comparações negativas que nos causam mais sofrimento e são típicas de quem tem mania de comparar-se.

Se não vivemos isolados em uma ilha deserta, sempre interagimos com outros e inevitavelmente nos comparamos, principalmente com determinadas pessoas. Em geral, tendemos a nos comparar com quem é/faz/tem mais do que nós e nos comparamos pouco com quem é/faz/tem menos (exceto quando conveniente). Sim, de vez em quando observamos que há pessoas que estão ou estiveram em situação pior do que a nossa e concluímos que somos felizardos. E algumas pessoas têm este padrão invertido. Porém, com maior frequência nos comparamos com quem parece ter mais e possuir aquilo que supostamente nos falta, em vez de valorizar o que temos.

Também nos comparamos com aqueles que acreditamos ser nossos concorrentes. Admiramos indivíduos famosos e grandes nomes de determinados campos e em geral não nos comparamos com eles, pois os consideramos muito distantes e/ou muito acima de nós. Mas quando um colega de trabalho ou escola, ou um parente da mesma idade, ou um correligionário, ou qualquer pessoa que possui um status parecido com o nosso se destaca, logo nos comparamos com ele.

Fazemos comparações com outros a respeito de diversos assuntos: uma pessoa tem mais habilidade de interagir com os outros, outra está sempre motivada e de bom humor, outra tem beleza e carisma, outra possui uma casa e carro melhores do que os nossos, outro tem uma família-modelo. Às vezes uma mesma pessoa se destaca em diversos aspectos. E em alguns casos conhecemos a pessoa há anos, éramos parecidos em certos pontos-chave, mas neste meio-tempo ela se desenvolveu bem mais do que nós.

Além disso, comparamos quem somos hoje com a visão que tínhamos de nós mesmos no passado. Não somos mais capazes de realizar tudo o que fazíamos antes e pode ser difícil aceitar mudanças limitadoras em nossa vida que talvez nos façam sentir-nos inferiores ao que já fomos. Ou que nos façam acreditar que os outros nos consideram um perdedor ou um ultrapassado.

Por fim, comparamos aquilo que somos hoje com nossos sonhos do passado que não se realizaram. Talvez sonhávamos que seguiríamos determinada profissão e que com certa idade estaríamos fazendo determinado trabalho em determinada posição. E que teríamos uma casa assim, um carro daquele jeito, que faríamos certas viagens e assim por diante. Muitos sonharam que teriam um casamento feliz e duradouro com uma pessoa especial (talvez uma pessoa específica, uma paixão da juventude).

Porém, nem todos esses sonhos se realizaram, no todo ou em partes. Mas, em vez de nos concentramos nos aspectos positivos de nossa vida, só focamos os sonhos não realizados e concluímos que nossa vida inteira foi um malogro. Somos perfeccionistas, comparando as pessoas reais com quem interagimos com as pessoas ideais impossíveis de existir; insistimos no tudo ou nada e terminamos com nada. Idealizamos aspectos do nosso passado e/ou o ideal de futuro que tínhamos e nada pode ou poderá se comparar àquela lembrança, o que nos faz nunca nos abrir para novas oportunidades.
   
   
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