É desagradável ficar do lado negativo de uma
comparação, mesmo quando ela é válida e expressa de forma adequada. Mas é pior
ainda quando a comparação é distorcida, exagerada, injusta. Precisamos aprender
a ajustar a nossa percepção da realidade para que ela seja mais objetiva. O
primeiro passo para lidar com a mania de comparação é reconhecer que muitas
comparações são simplesmente erradas, infundadas, improcedentes. Precisamos
fazer-nos uma série de perguntas.
O que
exatamente estamos comparando?
Quando nos sentimos inferiores a alguém, o sentimento pode ser difuso, então
precisamos ser introspectivos. Estamos nos comparando com a pessoa em quais
aspectos específicos? Aparência, poder, popularidade, felicidade, vida
familiar?
Depois,
qual o grau de certeza com respeito a este aspecto da pessoa? Estamos comparando algo de que temos certeza
sobre o outro, ou é algo que supomos que seja verdade? É fácil acreditar que
determinadas pessoas não têm problemas, conseguem tudo que querem, que tudo é
fácil e agradável para elas, especialmente quando não as conhecemos bem. Quando
comparamos a nossa vida com aquela que inventamos para alguém, a frustração é
inevitável.
Para piorar, somos inundados de informações sobre
histórias de “sucesso” de pessoas famosas, ricas, poderosas, destacadas. Suas
vidas parecem muito mais fáceis e satisfatórias do que as nossas. Em alguns
casos pode ser, mas também pode ser que não. Às vezes há assessores de imprensa
salientando e até exagerando os aspectos positivos e maquiando os negativos. E
às vezes ignoramos reportagens e entrevistas que revelam que estas pessoas
também têm problemas.
A pessoa com quem nos comparamos não precisa ser
uma celebridade, nem sequer ser uma pessoa destacada que conhecemos de longe. Pode
ser um colega de escola ou trabalho, um amigo, vizinho, parente
correligionário. Imaginamos que a vida dele é ótima e nos sentimos
inferiorizados.
Não
estamos tirando conclusões a respeito da inteira vida de alguém a partir de
alguns fatos dos quais temos certeza? Sim, o sujeito é bem-sucedido em sua vida profissional, saudável,
seguro, tranquilo, tem uma família unida e bons amigos, além de uma ótima
situação financeira. Mas algumas dessas informações podem ter ressalvas. E pode
haver aspectos desconhecidos da vida da pessoa.
São frequentes os casos de pessoas famosas que aparentemente tinham tudo, mas se perdem em vícios, divórcios sucessivos e outros problemas. Às vezes só ficamos sabendo disso muito depois. De qualquer forma, por que supor que a vida da pessoa é muito melhor do que a nossa se o único resultado é ficarmos mal?
São frequentes os casos de pessoas famosas que aparentemente tinham tudo, mas se perdem em vícios, divórcios sucessivos e outros problemas. Às vezes só ficamos sabendo disso muito depois. De qualquer forma, por que supor que a vida da pessoa é muito melhor do que a nossa se o único resultado é ficarmos mal?
Tendemos a idealizar a vida dos outros, pensar que
tudo para eles é bom e fácil. Mas simplesmente não conhecemos a história toda.
Todos têm suas dores. Uma pessoa idealizada por nós talvez tenha passado e/ou
esteja passando por sofrimentos que nem sequer imaginamos. Pode ser que, se ela
pudesse trocar de lugar conosco, o faria prontamente.

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