sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Mania de Comparação (5/8): Toque de Realidade


É desagradável ficar do lado negativo de uma comparação, mesmo quando ela é válida e expressa de forma adequada. Mas é pior ainda quando a comparação é distorcida, exagerada, injusta. Precisamos aprender a ajustar a nossa percepção da realidade para que ela seja mais objetiva. O primeiro passo para lidar com a mania de comparação é reconhecer que muitas comparações são simplesmente erradas, infundadas, improcedentes. Precisamos fazer-nos uma série de perguntas.


O que exatamente estamos comparando? Quando nos sentimos inferiores a alguém, o sentimento pode ser difuso, então precisamos ser introspectivos. Estamos nos comparando com a pessoa em quais aspectos específicos? Aparência, poder, popularidade, felicidade, vida familiar?

Depois, qual o grau de certeza com respeito a este aspecto da pessoa? Estamos comparando algo de que temos certeza sobre o outro, ou é algo que supomos que seja verdade? É fácil acreditar que determinadas pessoas não têm problemas, conseguem tudo que querem, que tudo é fácil e agradável para elas, especialmente quando não as conhecemos bem. Quando comparamos a nossa vida com aquela que inventamos para alguém, a frustração é inevitável.

Para piorar, somos inundados de informações sobre histórias de “sucesso” de pessoas famosas, ricas, poderosas, destacadas. Suas vidas parecem muito mais fáceis e satisfatórias do que as nossas. Em alguns casos pode ser, mas também pode ser que não. Às vezes há assessores de imprensa salientando e até exagerando os aspectos positivos e maquiando os negativos. E às vezes ignoramos reportagens e entrevistas que revelam que estas pessoas também têm problemas.

A pessoa com quem nos comparamos não precisa ser uma celebridade, nem sequer ser uma pessoa destacada que conhecemos de longe. Pode ser um colega de escola ou trabalho, um amigo, vizinho, parente correligionário. Imaginamos que a vida dele é ótima e nos sentimos inferiorizados.

Não estamos tirando conclusões a respeito da inteira vida de alguém a partir de alguns fatos dos quais temos certeza? Sim, o sujeito é bem-sucedido em sua vida profissional, saudável, seguro, tranquilo, tem uma família unida e bons amigos, além de uma ótima situação financeira. Mas algumas dessas informações podem ter ressalvas. E pode haver aspectos desconhecidos da vida da pessoa.

São frequentes os casos de pessoas famosas que aparentemente tinham tudo, mas se perdem em vícios, divórcios sucessivos e outros problemas. Às vezes só ficamos sabendo disso muito depois. De qualquer forma, por que supor que a vida da pessoa é muito melhor do que a nossa se o único resultado é ficarmos mal?

Tendemos a idealizar a vida dos outros, pensar que tudo para eles é bom e fácil. Mas simplesmente não conhecemos a história toda. Todos têm suas dores. Uma pessoa idealizada por nós talvez tenha passado e/ou esteja passando por sofrimentos que nem sequer imaginamos. Pode ser que, se ela pudesse trocar de lugar conosco, o faria prontamente.
  

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