Para analisar se certas comparações são corretas,
bem fundamentadas e procedentes, precisamos especificar exatamente o que
estamos comparando, o grau de certeza que temos sobre estes aspectos desta pessoa
e refletir se não estamos tirando conclusões a respeito da inteira vida de
alguém a partir de alguns fatos dos quais temos certeza. Há mais uma questão a
considerar, dentre outras.
Enumeramos
de forma justa os aspectos positivos e negativos dos dois lados da comparação?
Ou superenfatizamos os aspectos positivos do outro e os negativos do nosso? Olhamos para os pontos fortes, recursos,
oportunidades dos outros como que através das lentes de aumento de um binóculo.
Mas quando olhamos para os nossos, invertemos o binóculo, o que nos faz vê-los
como longínquos e pequenos. Na realidade, as duas ações distorcem a nossa
percepção.
Claro que muitas pessoas ostensivamente fazem o oposto: superenfatizam o que elas têm de bom e minimizam seus reveses. No caso delas pode ser difícil para observadores diferenciarem o que é autoengano do que é fachada deliberada. Porém, o modo de pensar de quem tem mania de comparação também é perceptualmente distorcido e autoenganoso.
Martha está prestes a se aposentar e observa que outras pessoas de sua idade fizeram planejamento de longo prazo austero e estão em uma situação mais segura, enquanto ela gastou muito com viagens e outras demandas prazerosas. Pode ser que ela tenha se divertido demais e devesse ter administrado melhor a sua vida. Por outro lado, se um cauteloso planejador morrer logo depois de se aposentar, não terá desfrutado do seu dinheiro nem muito da sua vida, enquanto Martha o fez.
A questão NÃO é quem está certo (ou mais certo), mas sim que todas as escolhas têm prós e contras e que sempre necessitamos de equilíbrio e bom senso. Para fazer uma comparação justa é necessário incluir tanto os aspectos positivos quanto negativos de ambos os lados e pesá-los de forma objetiva. E mesmo assim há limites no que e no quanto podemos comparar, pois as pessoas têm diferentes valores, situações e constituições pessoais.
Assim, outra decisão importante é valorizar o que
nós temos de positivo, nossas vitórias, nossas circunstâncias. Talvez
lamentemos certas escolhas que fizemos, como ter feito um curso em vez de
outro. Enfatize os prós das escolhas que fez e minimize os contras. Lembre-se
de que talvez algumas dessas pessoas comparam as escolhas delas com as suas e
gostariam de ter feito igual a você!
Para ajustar sua percepção, procure a opinião de pessoas sinceras e confiáveis que tenham condições de lhe dizer objetivamente se suas comparações são acuradas ou distorcidas e ouça com serenidade. Elas podem confirmar ou refutar. De qualquer forma você terá uma visão objetivamente reajustada e poderá tomar providências para modificar o que estiver dentro do seu poder e aceitar o que estiver fora dele. Mas tome cuidado com de quem pedirá essa opinião. E aceite com serenidade o que disserem, mesmo que não concorde com tudo, ou nunca mais vai conseguir uma opinião sincera delas.
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