Guidano e Liott concluíram
que, para se entender a complexidade dos transtornos emocionais e desenvolver
um modelo adequado de psicoterapia é fundamental ter um entendimento do papel
da visão do indivíduo de si mesmo e do mundo, que coordenam suas
emoções e comportamentos.
Esse modelo baseia-se em
grande parte na teoria do apego de Bowlby e sugere que as relações com pessoas
significativas determinam o desenvolvimento da autoimagem da criança e
proporcionam um reforço contínuo dessa autoimagem. Pressupõe que a definição do
self coordena e integra o crescimento cognitivo e a diferenciação emocional. Se o autoconceito é
distorcido ou rígido, o indivíduo não consegue assimilar as experiências da
vida de forma efetiva, o que leva ao desajuste e perturbação emocional e produz
a disfunção cognitiva. Também pressupõe que os padrões anormais de apego correspondem
a diferentes síndromes clínicas.
A formulação original da
PEC foi ampliada com a ideia de que os comportamentos problemáticos são consequências
da organização cognitiva do indivíduo. O paciente luta para manter sua
organização cognitiva disfuncional diante de um ambiente continuamente
desafiador. Assim, o objetivo da PEC é modificar essas estruturas cognitivas,
começando dos níveis mais superficiais e indo gradualmente para os mais
profundos.
É semelhante ao modelo de
Beck, com a diferença de que enfatiza uma filosofia pós-racionalista. Enquanto
Beck e outros mantêm o pressuposto de que existe um mundo externo que pode ser
percebido com diferentes graus de exatidão, Guidano foi ficando cada vez menos
interessado no “valor verdade” das estruturas cognitivas e mais na “validade”
(coerência interna) dessas estruturas.
A PEC visualiza a
psicoterapia como processo estratégico análogo à abordagem empírica do método
científico. O paciente é treinado para considerar suas crenças como hipóteses e
teorias sujeitas à contestação, confirmação e desafio lógico, utilizando-se
para isso o arsenal de técnicas cognitivas e comportamentais. O estágio final
do processo terapêutico é uma revolução intrapessoal, na qual o paciente
rejeita as suas antigas visões de si mesmo e do mundo e entra em um estado de
transformação, estabelecendo um sistema de crenças mais adaptativo.
As semelhanças entre as
abordagens cognitivas racionais e pós-racionais (construtivistas) são grandes,
mas as distinções também são importantes. A terapia construtivista vê o
indivíduo como cientista pessoal imperfeito que utiliza constructos cognitivos
para extrair sentido das experiências e fazer escolhas. Há menos foco no
conteúdo e mais no processo de encontrar sentido nas experiências e conexão entre
elas. Consequentemente, a PEC dedica-se menos a exercícios corretivos do
pensamento e mais em exercícios facilitadores do pensamento e da produção de
significados.
Assim, a PEC tem
afinidade com a filosofia hermenêutica e com as abordagens narrativas da
psicologia. Mas dentro do construtivismo existem linhas mais moderadas e linhas
mais extremistas. Nestas, adota-se a posição de que a realidade existe apenas
na mente do indivíduo e o único critério de saúde mental seria a coerência
desse modelo. Neste extremo, a ligação entre a PEC e as demais TCC começa a se
desvanecer, talvez nem podendo mais ser considerada uma delas.
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