As
transformações socioculturais em décadas recentes causaram efeitos positivos e
negativos no perfil dos profissionais das novas gerações. Viver é fazer escolhas,
então é melhor aprender a tomar boas decisões. Para uma organização funcionar
bem, todos devem assumir suas respectivas parcelas de responsabilidade. Se você
comanda uma equipe e quer grandes resultados, torne-se um líder inspirador. E
entenda corretamente o que é uma organização democrática. Estes são os tópicos
desta postagem.
O Efeito das Transformações socioculturais
A
maior parte das transformações que a Humanidade passou ocorreu nos últimos séculos,
em especial nas décadas mais recentes. Pessoas com diferença de idade de apenas
dez anos nasceram e cresceram em mundos diferentes em termos de cultura e
tecnologia. Os adultos mais jovens tiveram mais acesso a informação e estudo,
por isso possuem uma cosmovisão mais dinâmica e impessoal da vida e dos
relacionamentos. Uma consequência é que podem ser bem preparados em sentido
técnico, mas possuem falhas em sua capacidade de lidar com o fator humano.
As
organizações mais esclarecidas (incluindo empresas e escolas de negócios) estão
mais atentas para o aspecto humano dos seus profissionais e como eles lidam com
quem interagem. Fazem isso, não apenas por humanitarismo, mas também por compreender que o
fator humano impacta nos resultados e muitas vezes é o que diferencia uma
pessoa ou organização de outra. E fazem isso também justamente porque esse
fator humano está cada vez mais deficiente. O grande perigo é a desumanização.
Viver é Fazer
Escolhas
Estamos
constantemente tomando decisões, mas a maioria delas é simples e fácil. Porém,
às vezes enfrentamos impasses onde a razão e a emoção se digladiam no processo
decisório. Muitas decisões fazem pouca diferença e grande parte delas é
facilmente reversível, mas algumas decisões podem afetar profundamente nossa
vida por anos e parte delas é irreversível. Algumas decisões importantes nos
dão tempo para ponderar, outras aparecem de repente e têm que ser tomadas com
urgência.
Decidir
pode ser difícil, mas não decidir costuma ser pior (e também é uma decisão, a
de ser negligente). Quando não decidimos, a nossa decisão é tomada pelos outros
e/ou pelas circunstâncias fortuitas. Há uma diferença fundamental entre decidir
emocionalmente e considerar o emocional na hora de decidir. As decisões
puramente emocionais consideram apenas o binômio prazer/desprazer imediato e
menosprezam as consequências de longo prazo.
Assuma a
Sua Responsabilidade
Em
uma organização, cada indivíduo possui um rol de tarefas que deve cuidar sem negligenciar
as suas nem assumir as dos outros. Por exemplo, em um restaurante o garçom
serve às mesas, enquanto o pessoal da cozinha prepara as refeições, as pessoas
em cargos de chefia administram o processo e assim por diante. Seria inadequado
o garçom deixar de servir às mesas e ir à cozinha preparar os pratos. Mas
também seria inadequado ele ser indiferente a uma reclamação de um bife mal
passado, justificando que o trabalho dele é apenas servir as refeições e não
prepará-las.
Infelizmente,
esse segundo tipo de situação é bastante comum. É compreensível reprovar a
atitude do garçom. Porém, muitas vezes esse garçom começou a trabalhar com um
forte senso de compromisso com a satisfação dos clientes, mas foi sendo punido
por isso e vendo outros também serem, de modo que sua luz foi ficando mais
fraca até se tornar um mero cumpridor de regras. O próprio relacionamento chefe/subordinado
e entre colegas condiciona as pessoas a serem medíocres.
Em
muitas organizações, as responsabilidades são transferidas em um efeito
cascata. A responsabilidade é sempre de terceiros. Quando Max Weber disse que
uma empresa é uma burocracia, ele não estava se referindo a uma organização com
escalões estanques não corresponsáveis, e sim a um sistema de normas impessoais
que existem para facilitar sua operação. E a norma principal é que a empresa
tem de funcionar bem, com responsabilidades divididas entre os níveis
hierárquicos, mas com o exercício permanente da colaboração entre eles. A
transferência de responsabilidade é forte sintoma de falência funcional.
Seja um Líder
Inspirador
Uma
definição de liderança é “a capacidade de inspirar pessoas comuns a realizar
ações incomuns”. É uma competência rara, mas pode ser aprendida e é muito
benéfica para todos. Quem está inspirado realiza suas tarefas com compromisso
de apresentar a melhor qualidade e os maiores resultados possíveis. É o que você quer de sua equipe, não é?
Para
inspirar as pessoas, você não precisa ficar fazendo belos discursos para grupos e/ou indivíduos, mas é
necessário falar com convicção e sinceridade, expressando o que elas precisam
ouvir sobre suas responsabilidades de forma amigável e motivadora.
Comprometa-se a fazer sua parte em maximizar o nível do ambiente.
Apresente
metas de longo prazo compreensíveis e desafiantes, porém realizáveis, e convide
as pessoas a fazer parte do processo. Tenha uma ideia relevante na qual acredite
mesmo e uma boa capacidade de comunicação e de execução. Atente tanto para o
longo prazo quanto para a situação atual. Líderes inspiradores são
confiáveis porque têm legitimidade: sabem o que estão fazendo e agem de acordo
com o que pregam, não “dizem isso e fazem aquilo”. Ações falam mais alto do que
palavras.
Organização
Democrática
“A
democracia é a pior forma de governo, exceto todas as outras já experimentadas”
– Afirmou Winston Churchill, que liderou a Inglaterra contra Hitler na Segunda
Guerra. Mas o conceito de “democracia” também pode ser aplicado a empresas e
outras organizações? Sim, se corretamente entendido e aplicado. Não se trata de
decidir tudo por maioria de votos, nem de fazer tudo o que a maioria deseja, nem
de ausência de autoridade. E não se trata necessariamente de fazer eleições
periódicas para escolher líderes.
Democracia
não é apenas uma forma de governo, é uma filosofia de vida. Sua concepção e
mecanismos básicos surgiram na antiga Grécia, mas a democracia moderna só
nasceu quando estes foram unidos a princípios secularizados do cristianismo,
que lhe deram sua essência.
Os seus princípios basilares são (1) isonomia, ou seja, todos são iguais
perante a lei, (2) divisão de poderes e
vigilância mútua – ninguém pode ter todo o poder e ninguém deve ter muito
poder por muito tempo e (3) liberdade
responsável – toda pessoa é livre para decidir como viver, desde que
respeitando a vida, a liberdade e a propriedade dos demais e que arque com os
ônus de suas decisões.
Uma
organização é democrática
- quando se respeita a dignidade humana intrínseca de todos e todos têm os mesmos deveres e direitos básicos;
- quando os líderes têm que exercer sua autoridade debaixo da lei isonômica e de forma ética e são avaliados neste sentido;
- quando todos têm direito a ter voz e existe uma reciprocidade entre o que fazem e o que recebem;
- quando todos se comportam de forma responsável e tratam uns aos outros de forma respeitosa, lembrando a si mesmos que eles e os demais estão ali voluntariamente e não sob coerção.
Em
uma organização pode não haver eleições para as pessoas votarem em quem querem na
liderança. Mas quando alguém se demite por causa do chefe, ele está vetando-o
como seu líder.
Os
líderes são os principais responsáveis por criar e manter uma cultura
genuinamente democrática na organização. E são eles que mais podem deturpá-la,
para um lado ou para o outro (ditadura ou anarquia). Aristóteles ensinou que a monarquia, a aristocracia
e a democracia são boas formas de governo, mas podem se degenerar respectivamente
em tirania, oligarquia e anarquia/demagogia.
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