quinta-feira, 1 de agosto de 2013

AutoLiderança: Pense e Aja!

 
As transformações socioculturais em décadas recentes causaram efeitos positivos e negativos no perfil dos profissionais das novas gerações. Viver é fazer escolhas, então é melhor aprender a tomar boas decisões. Para uma organização funcionar bem, todos devem assumir suas respectivas parcelas de responsabilidade. Se você comanda uma equipe e quer grandes resultados, torne-se um líder inspirador. E entenda corretamente o que é uma organização democrática. Estes são os tópicos desta postagem.
 

O Efeito das Transformações socioculturais
  
A maior parte das transformações que a Humanidade passou ocorreu nos últimos séculos, em especial nas décadas mais recentes. Pessoas com diferença de idade de apenas dez anos nasceram e cresceram em mundos diferentes em termos de cultura e tecnologia. Os adultos mais jovens tiveram mais acesso a informação e estudo, por isso possuem uma cosmovisão mais dinâmica e impessoal da vida e dos relacionamentos. Uma consequência é que podem ser bem preparados em sentido técnico, mas possuem falhas em sua capacidade de lidar com o fator humano.
 
As organizações mais esclarecidas (incluindo empresas e escolas de negócios) estão mais atentas para o aspecto humano dos seus profissionais e como eles lidam com quem interagem. Fazem isso, não apenas por humanitarismo, mas também por compreender que o fator humano impacta nos resultados e muitas vezes é o que diferencia uma pessoa ou organização de outra. E fazem isso também justamente porque esse fator humano está cada vez mais deficiente. O grande perigo é a desumanização.
 
 
Viver é Fazer Escolhas
 
Estamos constantemente tomando decisões, mas a maioria delas é simples e fácil. Porém, às vezes enfrentamos impasses onde a razão e a emoção se digladiam no processo decisório. Muitas decisões fazem pouca diferença e grande parte delas é facilmente reversível, mas algumas decisões podem afetar profundamente nossa vida por anos e parte delas é irreversível. Algumas decisões importantes nos dão tempo para ponderar, outras aparecem de repente e têm que ser tomadas com urgência.
 
Decidir pode ser difícil, mas não decidir costuma ser pior (e também é uma decisão, a de ser negligente). Quando não decidimos, a nossa decisão é tomada pelos outros e/ou pelas circunstâncias fortuitas. Há uma diferença fundamental entre decidir emocionalmente e considerar o emocional na hora de decidir. As decisões puramente emocionais consideram apenas o binômio prazer/desprazer imediato e menosprezam as consequências de longo prazo.
 
 
Assuma a Sua Responsabilidade
 
Em uma organização, cada indivíduo possui um rol de tarefas que deve cuidar sem negligenciar as suas nem assumir as dos outros. Por exemplo, em um restaurante o garçom serve às mesas, enquanto o pessoal da cozinha prepara as refeições, as pessoas em cargos de chefia administram o processo e assim por diante. Seria inadequado o garçom deixar de servir às mesas e ir à cozinha preparar os pratos. Mas também seria inadequado ele ser indiferente a uma reclamação de um bife mal passado, justificando que o trabalho dele é apenas servir as refeições e não prepará-las.
 
Infelizmente, esse segundo tipo de situação é bastante comum. É compreensível reprovar a atitude do garçom. Porém, muitas vezes esse garçom começou a trabalhar com um forte senso de compromisso com a satisfação dos clientes, mas foi sendo punido por isso e vendo outros também serem, de modo que sua luz foi ficando mais fraca até se tornar um mero cumpridor de regras. O próprio relacionamento chefe/subordinado e entre colegas condiciona as pessoas a serem medíocres.
 
Em muitas organizações, as responsabilidades são transferidas em um efeito cascata. A responsabilidade é sempre de terceiros. Quando Max Weber disse que uma empresa é uma burocracia, ele não estava se referindo a uma organização com escalões estanques não corresponsáveis, e sim a um sistema de normas impessoais que existem para facilitar sua operação. E a norma principal é que a empresa tem de funcionar bem, com responsabilidades divididas entre os níveis hierárquicos, mas com o exercício permanente da colaboração entre eles. A transferência de responsabilidade é forte sintoma de falência funcional.
 
 
Seja um Líder Inspirador
 
Uma definição de liderança é “a capacidade de inspirar pessoas comuns a realizar ações incomuns”. É uma competência rara, mas pode ser aprendida e é muito benéfica para todos. Quem está inspirado realiza suas tarefas com compromisso de apresentar a melhor qualidade e os maiores resultados possíveis. É o que você quer de sua equipe, não é?
 
Para inspirar as pessoas, você não precisa ficar fazendo belos discursos para grupos e/ou indivíduos, mas é necessário falar com convicção e sinceridade, expressando o que elas precisam ouvir sobre suas responsabilidades de forma amigável e motivadora. Comprometa-se a fazer sua parte em maximizar o nível do ambiente.
 
Apresente metas de longo prazo compreensíveis e desafiantes, porém realizáveis, e convide as pessoas a fazer parte do processo. Tenha uma ideia relevante na qual acredite mesmo e uma boa capacidade de comunicação e de execução. Atente tanto para o longo prazo quanto para a situação atual. Líderes inspiradores são confiáveis porque têm legitimidade: sabem o que estão fazendo e agem de acordo com o que pregam, não “dizem isso e fazem aquilo”. Ações falam mais alto do que palavras.
 
 
Organização Democrática
   
“A democracia é a pior forma de governo, exceto todas as outras já experimentadas” – Afirmou Winston Churchill, que liderou a Inglaterra contra Hitler na Segunda Guerra. Mas o conceito de “democracia” também pode ser aplicado a empresas e outras organizações? Sim, se corretamente entendido e aplicado. Não se trata de decidir tudo por maioria de votos, nem de fazer tudo o que a maioria deseja, nem de ausência de autoridade. E não se trata necessariamente de fazer eleições periódicas para escolher líderes.
 
Democracia não é apenas uma forma de governo, é uma filosofia de vida. Sua concepção e mecanismos básicos surgiram na antiga Grécia, mas a democracia moderna só nasceu quando estes foram unidos a princípios secularizados do cristianismo, que lhe deram sua essência.
 
Os seus princípios basilares são (1) isonomia, ou seja, todos são iguais perante a lei, (2) divisão de poderes e vigilância mútua – ninguém pode ter todo o poder e ninguém deve ter muito poder por muito tempo e (3) liberdade responsável – toda pessoa é livre para decidir como viver, desde que respeitando a vida, a liberdade e a propriedade dos demais e que arque com os ônus de suas decisões.
 
Uma organização é democrática
  • quando se respeita a dignidade humana intrínseca de todos e todos têm os mesmos deveres e direitos básicos;
  • quando os líderes têm que exercer sua autoridade debaixo da lei isonômica e de forma ética e são avaliados neste sentido;
  • quando todos têm direito a ter voz e existe uma reciprocidade entre o que fazem e o que recebem;
  • quando todos se comportam de forma responsável e tratam uns aos outros de forma respeitosa, lembrando a si mesmos que eles e os demais estão ali voluntariamente e não sob coerção.
 
Em uma organização pode não haver eleições para as pessoas votarem em quem querem na liderança. Mas quando alguém se demite por causa do chefe, ele está vetando-o como seu líder.
 
Os líderes são os principais responsáveis por criar e manter uma cultura genuinamente democrática na organização. E são eles que mais podem deturpá-la, para um lado ou para o outro (ditadura ou anarquia). Aristóteles ensinou que a monarquia, a aristocracia e a democracia são boas formas de governo, mas podem se degenerar respectivamente em tirania, oligarquia e anarquia/demagogia.
 
 
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