quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Teorias do Desenvolvimento (3/6): Grupo B - Estágios Sem Metas



Nas teorias do Grupo B permanece o conceito de “estágios”, embora não considere que as pessoas passem para níveis superiores de maturidade ou de complexidade de pensamento. Tratam-se apenas de mudanças pelas quais passamos causadas por mudanças fisiológicas ou pela alteração dos papéis que assumimos na vida em determinada sequência.
 
Duas teorias especiais dessa categoria são as teorias sociológicas do ciclo de vida familiar e a teoria de Levinson das estações da vida adulta.


TEORIA DOS PAPÉIS

Entre as teorias que propõem estágios sem uma meta ou direção exata, encontram-se as teorias sociológicas do ciclo de vida familiar. Um dos seus conceitos principais é o do “papel” que constitui uma descrição das obrigações que são parte de uma posição ou status em uma cultura, como o papel de professor ou mesmo um papel sexual.
 
Há diversos aspectos sobre os papéis que temos de compreender:

Primeiro, a própria definição que a sociedade faz de um papel muda conforme ela muda. Desempenhar o papel de professor no Brasil é diferente de fazê-lo na Ucrânia; mesmo no Brasil, o “ser professor” é diferente em diferentes regiões do país, ou para diferentes classes sociais, ou hoje do que era há dez ou cem anos.

Segundo, cada um de nós desempenha diversos papéis em diferentes contextos. Um mesmo homem pode ser um profissional, um pai e marido, um filho e irmão, um membro de uma associação e assim por diante.
 
Neste aspecto, pode ocorrer conflito de papéis quando dois ou mais papéis fazem demandas incompatíveis, como exigir comportamentos diferentes ou por exigirem mais do nosso tempo e energia. Também pode haver tensão de papéis quando as qualidades e habilidades da pessoa não estão à altura das exigências de um papel que ela desempenha.

Terceiro, os papéis mudam sistematicamente com o tempo, além de ocorrerem em determinadas sequências. O papel de marido e filho casado é diferente do papel de namorado e filho solteiro; o papel de marido e pai de um bebê é diferente do papel de marido sem filho; o papel de pai de uma criança de cinco anos é diferente do papel de um jovem de quinze anos. Porém, essa mudança não significa que um papel posterior seja melhor, mais complexo ou mais maduro do que o anterior. É apenas um estágio seguinte.


TEORIA DA ESTRUTURA DE VIDA

Daniel Levinson também fala de uma vida adulta com ritmos e padrões compartilhados, mas sem crescimento para um nível superior. Seu conceito-chave é o de “estrutura de vida”, que constitui o padrão ou projeto subjacente de vida de uma pessoa em determinado período. Essa estrutura, além dos papéis, inclui a qualidade e os padrões das relações de um indivíduo, tudo filtrado pela personalidade dele.
 
Conforme as circunstâncias e a própria pessoa mudam, a estrutura também vai mudando. O ciclo da vida pode ser dividido em etapas de cerca de 20 anos, havendo entre elas importantes transições. E dentro de cada etapa existe a fase principiante, intermediária e culminante. Além disso, cada etapa e cada transição têm seus próprios desafios, questões e tarefas.

Novamente, não significa que todas as vidas adultas se assemelhem em um padrão rígido. Nem que uma estrutura seja superior à outra. Significa que existe uma alternância entre estruturas de vida estáveis por vários anos e períodos de transição entre eles. E que esse padrão geral (incluindo as tarefas e questões de cada etapa) é compartilhado por todas as pessoas de todas as culturas e épocas.


COMENTÁRIOS

A principal dificuldade desse grupo de teorias é que ele é inexato, não descreve a história de vida da maioria das pessoas. Por exemplo
  • Nem todos se casam, alguns se casam com menos de 20 anos e outros se casam depois dos 30 anos.
  • Nem todos que se casam têm filhos e nem todos que têm filhos se casam. Alguns têm filhos com uma pessoa e se casam com outra.
  • Dos que se casam, muitos continuam juntos (bem ou mal) , mas uma boa parcela se divorcia. E dos que se divorciam, uma parte volta a se casar e outra parte fica como pais e mães solteiros.
 
Além disso, pessoas de diferentes culturas e de diferentes gerações possuem valores e expectativas bem diversas sobre casamento e filhos.

Porém, mesmo sendo um mapa inexato do território do desenvolvimento humano, essa visão apresenta noções importantes: temos um ritmo biológico e um ritmo social que produzem mudanças, passamos por etapas em nossa vida e por transições entre elas e neste processo adquirimos papéis, que vão sendo redefinidos e no tempo certo são descartados.


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