quinta-feira, 15 de agosto de 2013

O que é "Existencialismo"?

 
Existencialismo é uma linha de filósofos que surgiu no século XIX que, apesar de possuir profundas diferenças em termos de doutrinas, partilhavam a crença que o pensamento filosófico começa com o sujeito humano, não meramente o sujeito pensante, mas as suas ações, sentimentos e a vivência de um ser humano individual.
 
No existencialismo, o ponto de partida do indivíduo é a "atitude existencial", ou uma sensação de desorientação e confusão diante de um mundo aparentemente sem sentido e absurdo. Muitos existencialistas também viam as filosofias acadêmicas e sistematizadas, no estilo e conteúdo, como sendo muito abstratas e longínquas das experiências humanas concretas.
 

O filósofo do início do século XIX, Søren Kierkegaard, é geralmente considerado como o pai do existencialismo. Ele sustentava a ideia que o indivíduo é o único responsável em dar significado à sua vida e em vivê-la de maneira sincera e apaixonada, apesar da existência de muitos obstáculos e distrações como o desespero, ansiedade, o absurdo, a alienação e o tédio.
 
Filósofos existencialistas posteriores retêm este ênfase no aspecto do indivíduo, mas diferem, em diversos graus, em como cada um atinge uma vida gratificante e no que ela constitui, que obstáculos devem ser ultrapassados, que fatores internos e externos estão envolvidos, incluindo as potenciais consequências da existência ou inexistência de Deus. O existencialismo tornou-se popular nos anos após as guerras mundiais, como maneira de reafirmar a importância da liberdade e individualidade humana.
 
O existencialismo é um movimento filosófico e literário distinto pertencente aos séculos XIX e XX, mas os seus elementos podem ser encontrados no pensamento (e vida) de Sócrates e no trabalho de muitos filósofos e escritores pré-modernos. Após ter experienciado vários distúrbios civis, guerras locais e duas guerras mundiais, alguns europeus concluíram que a vida é inerentemente miserável e irracional. Foi inspirado nas obras de Arthur Schopenhauer, Søren Kierkegaard, Dostoievski e nos filósofos alemães Friedrich Nietzsche, Edmund Husserl e Martin Heidegger, e foi particularmente popularizado em meados do século XX pelas obras do escritor e filósofo francês Jean-Paul Sartre.
 
O termo "existencialismo" provavelmente foi cunhado na década de 1940 e depois aplicado retroativamente a outros filósofos para os quais os temas relacionados à existência humana em todos os seus aspectos eram tópicos filosóficos fundamentais: Quem somos? O que fazemos? Para onde vamos? Quem nos move? Muitos pensadores existencialistas foram ateus, mas alguns foram teístas. As convicções pessoais dos existencialistas influíram nas ideias que ensinaram de forma explícita ou implícita. Muitos que seguem seus conceitos hoje não pararam para analisar estes pressupostos.
 
O conceito de “absurdo” é que não há sentido a ser encontrado no mundo além do significado que damos a ele. Esta falta de significado também engloba a amoralidade ou "injustiça" do mundo. Isto contrasta com as formas "cármicas" de pensar em que "as ocorrências ruins não acontecem para pessoas boas"; para o mundo não há tais "pessoa boa" e/ou "uma ocorrência má", o que acontece, acontece, e pode muito bem acontecer a uma pessoa "boa" como a uma pessoa "ruim". Por causa do absurdo do mundo, em qualquer ponto do tempo, qualquer ocorrência pode acontecer a qualquer um, e um acontecimento trágico poderia cair sobre alguém em confronto direto com o Absurdo.
 
Os existencialistas acreditam que o ser humano não é pré-determinado e por isso possui a liberdade e a responsabilidade de escolher continuamente os seus pensamentos e ações, direcionando sua vida e moldando sua existência. Diante dessa liberdade/responsabilidade, o indivíduo fica angustiado, pois tem que fazer escolhas difíceis que só ele pode tomar.
 
Muitos ficam paralisados e/ou se convencem de que não podem ou não precisam escolher, pelo menos não agora. Adiam ou renunciam à sua responsabilidade para evitar erros e a consequente culpa. Mas não escolher é em si mesmo uma escolha, a pior de todas. A jornada pessoal em busca da autenticidade e de si mesmo é uma tarefa árdua que temos que empreender.
 
As regras sociais são o resultado da tentativa das pessoas de planejar um projeto funcional. Ou seja, quanto mais estruturada a sociedade, mais funcional ela deveria ser. Muitos se sentem atraídos à passividade moral para fugir do desafio de tomar decisões. Seguir ordens automaticamente é fácil: requer pouco esforço emocional e intelectual fazer o que lhe mandam. Se a ordem não é lógica, não é o soldado que deve questionar. Deste modo, as guerras podem ser explicadas, genocídios em massa podem ser entendidos. As pessoas estavam apenas fazendo o que lhe foi dito.
 
 
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