quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Epicuro e a Felicidade

 

Epicuro viveu na ilha grega de Samos em 341AC. Todos seus trezentos livros desapareceram, deixando seus pensamentos sobre a felicidade para serem reconstituídos a partir de fragmentos. Suas ideias são interessantes. Ensinou que não temos que sentir culpa por querermos uma vida prazerosa e se propôs a nos mostrar como. Acreditava que todos nós podemos ser felizes.
 

O problema é que procuramos a felicidade nos lugares errados. Em geral acreditamos que a chave da felicidade é bem simples: basta termos bastante dinheiro para podermos comprar muito e satisfazer nossos desejos. Porém, antes de gastarmos, Epicuro queria que parássemos para pensar. Será que o dinheiro realmente resolve tudo? Ele gostava de se divertir, mas insistia que a felicidade é um tema complexo e que a sabedoria pode nos ajudar a encontrá-la mais facilmente do que a moeda.
 
O fato de Epicuro ser a favor dos prazeres chocava muitos de seus contemporâneos gregos. Muitos pensam que isso significava cair em excessos, mas ele instruía a sermos moderados. Ensinava que o prazer era o principal valor da vida. Mas Epicuro levava uma vida materialmente muito simples, inclusive em sua moradia, vestuário e alimentação.
 
Não sabemos escolher o que nos trará felicidade. Muitas vezes acreditamos que precisamos comprar algo para sermos felizes, mas estamos enganados. O que queremos nem sempre é o que necessitamos, o que fica evidente quando compramos por impulso. E o endividamento prejudica nossa felicidade. Compramos demais porque não compreendemos o que realmente precisamos e assim nos tornamos vítimas de desejos substitutos. E os ingredientes da felicidade são baratos.
 
O primeiro ingrediente da felicidade é ter amigos. Precisamos conviver com amigos genuínos o máximo que pudermos. Devemos buscar fazer todas as nossas refeições na companhia de amigos. Com quem comemos é mais importante do que o que comemos.
 
O segundo ingrediente é a liberdade. Precisamos de independência financeira, autossuficiência econômica e ausência de patrões, abandonar ambientes competitivos, a rotina e a politicagem. É uma vida simples, mas livre. Temos que ser autossuficientes, nos libertar da preocupação com a aparência, dinheiro e a opinião dos outros, não temos que provar nada.
 
O terceiro ingrediente da felicidade é o cultivo da sabedoria, dedicarmos tempo para o estudo e reflexão. Nossas ansiedades diminuem se as analisarmos. Para tanto, precisamos nos afastar das distrações do mundo comercial e reservar um tempo e um espaço.
 
Claro que possuir dinheiro não torna alguém infeliz. Mas, com a posse destes ingredientes, a falta de dinheiro não é grande obstáculo para a felicidade. Por outro lado, mesmo se formos ricos, mas não tivermos amigos, liberdade e sabedoria, nunca seremos felizes.
 
Mas se a felicidade é tão simples, por que tão poucos são felizes? Se só precisamos disso para ser felizes, por que todo esse impulso para comprar? Em parte porque a propaganda comercial nos seduz com a ideia de que falta algo em nossa vida e associa o que realmente precisamos com aquilo que eles estão vendendo. É esse mascaramento de nossas necessidades que nos deixa confusos quanto ao que queremos.
 
Em 120DC um rico seguidor de Epicuro mandou construir na próspera cidade grega em que vivia um grande muro com frases desse filósofo inscritas em suas pedras para que todos pudessem ler e se inspirar ao passar por ele. Não basta ler ideias sábias uma ou duas vezes, temos que ser constantemente relembrados delas.
 
Seria interessante se os recursos da publicidade também fossem usados hoje para promover a sabedoria e assim contrabalançar a influência da propaganda que incentiva o consumismo, demonstrando o quanto o materialismo superficial e vazio! Se as pessoas soubessem do que realmente precisam, se sentiriam menos ansiosas em comprar. Não  quer dizer que comprar seja ruim, apenas que produtos e serviços são limitados quanto a contribuir para nossa felicidade. E que, se não comprarmos (por impossibilidade ou por decisão) esse fato não nos impede de sermos felizes!
   
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