Epicuro viveu na
ilha grega de Samos em 341AC. Todos seus trezentos livros desapareceram, deixando
seus pensamentos sobre a felicidade para serem reconstituídos a partir de
fragmentos. Suas ideias são interessantes. Ensinou que não temos que sentir culpa
por querermos uma vida prazerosa e se propôs a nos mostrar como. Acreditava que todos nós podemos ser felizes.
O problema é que
procuramos a felicidade nos lugares errados. Em geral acreditamos que a chave
da felicidade é bem simples: basta termos bastante dinheiro para podermos
comprar muito e satisfazer nossos desejos. Porém, antes de gastarmos, Epicuro
queria que parássemos para pensar. Será que o dinheiro realmente resolve tudo?
Ele gostava de se divertir, mas insistia que a felicidade é um tema complexo e
que a sabedoria pode nos ajudar a encontrá-la mais facilmente do que a moeda.
O fato de
Epicuro ser a favor dos prazeres chocava muitos de seus contemporâneos gregos.
Muitos pensam que isso significava cair em excessos, mas ele instruía a sermos
moderados. Ensinava que o prazer era o principal valor da vida. Mas Epicuro
levava uma vida materialmente muito simples, inclusive em sua moradia,
vestuário e alimentação.
Não sabemos
escolher o que nos trará felicidade. Muitas vezes acreditamos que precisamos comprar
algo para sermos felizes, mas estamos enganados. O que queremos nem sempre é o
que necessitamos, o que fica evidente quando compramos por impulso. E o endividamento
prejudica nossa felicidade. Compramos demais porque não compreendemos o que
realmente precisamos e assim nos tornamos vítimas de desejos substitutos. E os
ingredientes da felicidade são baratos.
O primeiro
ingrediente da felicidade é ter amigos.
Precisamos conviver com amigos genuínos o máximo que pudermos. Devemos buscar fazer
todas as nossas refeições na companhia de amigos. Com quem comemos é mais
importante do que o que comemos.
O segundo
ingrediente é a liberdade.
Precisamos de independência financeira, autossuficiência econômica e ausência
de patrões, abandonar ambientes competitivos, a rotina e a politicagem. É uma
vida simples, mas livre. Temos que ser autossuficientes, nos libertar da
preocupação com a aparência, dinheiro e a opinião dos outros, não temos que
provar nada.
O terceiro
ingrediente da felicidade é o cultivo da sabedoria,
dedicarmos tempo para o estudo e reflexão. Nossas ansiedades diminuem se as
analisarmos. Para tanto, precisamos nos afastar das distrações do mundo
comercial e reservar um tempo e um espaço.
Claro que
possuir dinheiro não torna alguém infeliz. Mas, com a posse destes ingredientes,
a falta de dinheiro não é grande obstáculo para a felicidade. Por outro lado,
mesmo se formos ricos, mas não tivermos amigos, liberdade e sabedoria, nunca
seremos felizes.
Mas se a
felicidade é tão simples, por que tão poucos são felizes? Se só precisamos
disso para ser felizes, por que todo esse impulso para comprar? Em parte porque
a propaganda comercial nos seduz com a ideia de que falta algo em nossa vida e
associa o que realmente precisamos com aquilo que eles estão vendendo. É esse
mascaramento de nossas necessidades que nos deixa confusos quanto ao que queremos.
Em 120DC um rico
seguidor de Epicuro mandou construir na próspera cidade grega em que vivia um
grande muro com frases desse filósofo inscritas em suas pedras para que todos
pudessem ler e se inspirar ao passar por ele. Não basta ler ideias sábias uma
ou duas vezes, temos que ser constantemente relembrados delas.
Seria
interessante se os recursos da publicidade também fossem usados hoje para promover
a sabedoria e assim contrabalançar a influência da propaganda que incentiva o
consumismo, demonstrando o quanto o materialismo superficial e vazio! Se as
pessoas soubessem do que realmente precisam, se sentiriam menos ansiosas em
comprar. Não quer dizer que comprar seja ruim, apenas que produtos e
serviços são limitados quanto a contribuir para nossa felicidade. E que, se não
comprarmos (por impossibilidade ou por decisão) esse fato não nos impede de
sermos felizes!
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