domingo, 15 de dezembro de 2013

O Fim da Terapia (2/2)


Com a psicoterapia, o indivíduo desenvolve a capacidade de afastar-se mentalmente de si mesmo e observar-se como se fosse outra pessoa, analisar seus próprios pensamentos e sentimentos, corrigir distorções cognitivas e perceber alternativas de percepção e ação, utilizar seu potencial dentro dos limites e oportunidades das circunstâncias atuais, planejando e agindo para buscar objetivos equilibrados.
 
Além disso, o indivíduo torna-se capaz de reconhecer suas próprias emoções quando as está vivenciando, não só depois. Conhece seu próprio modo de pensar e os erros que tende a cometer, podendo assim tomar medidas preventivas e/ou corretivas. Torna-se ciente de seus pontos fortes e pontos fracos e das oportunidades e perigos de seus ambientes. Passa a capaz de pensar com maior clareza e qualidade e tomar decisões sóbrias.
  
Quando a relação terapêutica se completa, você é capaz de fazer todo esse processo sozinho, sem a necessidade de uma pessoa específica. Os desafios continuarão surgindo após o término da psicoterapia, a diferença é que agora você saberá utilizar as ferramentas para enfrentá-los eficazmente.
  
Então resolverá o que estiver dentro de sua capacidade, negociará o que depende em parte ou totalmente de outras pessoas e aprenderá a conviver com aquilo que estiver completamente fora de seu poder de controle. A capacidade de diferenciar estas três categorias e de agir conforme fazendo o melhor possível de acordo com princípios proporciona paz mental.
  
É essencial manter vivo o processo de abertura, seleção consciente, aprendizado e aprimoramento constante. O processo psicoterapêutico é substituído pelo processo de autoterapia. Eventualmente surgirão situações que superarão sua capacidade de resolvê-las sozinho. E de qualquer forma é sempre bom ouvir outras perspectivas. Então não há nada de errado em si mesmo em recorrer a outras pessoas, sejam amigos, parentes, colegas, profissionais, outro psicoterapeuta ou até mesmo o ex-terapeuta.
  
Buscar e aceitar ajuda podem ser demonstrações de maturidade. A diferença é que agora os principais bloqueios foram removidos, um novo repertório foi adquirido e você pode prosseguir o fluxo mutante da vida com independência (autonomia), não dependendo inadequadamente de outras pessoas, mas também compreendendo que todos nós somos interdependentes.
  
Assim o indivíduo torna-se capaz de mudar para melhor. O ser humano vive em constante mudança, mas a maioria muda apenas para continuar basicamente o mesmo. Em contraste, o indivíduo esclarecido torna-se capaz de ser ao mesmo tempo permeável e seletivo, corajoso e gentil, adaptável e constante. Descobriu que em grande parte é ele mesmo que realiza as “profecias” e “maldições” que fizeram a respeito dele por acreditar nelas e agir de acordo. Deste modo pode tornar-se livre desses condicionamentos e redirecionar o seu futuro para não ter mais um ciclo de autossabotagem.
  
Outra mudança importante é deixar de ser perfeccionista consigo mesmo e/ou com os outros e parar de avaliar a si próprio e aos demais primariamente por fatores externos como diferenças de grupos e status. Deixou de ser competitivo demais ou subserviente e passou a ser capaz de cooperar, trabalhar junto com as pessoas em busca do benefício mútuo.
    
Aprendeu a ceder e a compartilhar de forma ponderada e a cumprir conscienciosamente os seus deveres, mas também a defender com razoabilidade os seus direitos legítimos. Aprendeu a equilibrar seu interesse com o interesse do outro e com os interesses do grupo ao qual pertencem.
  
Embora busque ideais, deixou de exigir que você mesmo e/ou o outro atinja padrões impossíveis e sejam sempre uniformemente coerentes, sem falhas, limitações e quaisquer contradições. Essas mudanças maximizam a capacidade de aceitação e de amar a si mesmo e ao próximo.
  
Seu foco mental passou a ser não apenas o presente, mas também o longo prazo. O seu comportamento agora se dirige no sentido de produzir bem-estar duradouro, não apenas prazer ou alívio imediato que quase sempre custa caro no futuro. Mas também aprendeu a não renunciar à vida presente (a realidade) em prol de um futuro hipotético, aprendeu a usufruir o aqui e o agora com sabedoria. Passou a viver com maior equilíbrio e bom senso, a viver uma vida de contínuo aprendizado e aplicação prática do já aprendido.
  
Portanto, os conhecimentos, habilidades e atitudes cultivados na terapia continuam após ela encerrar-se e você pode prosseguir por conta própria o seu caminho de autodesenvolvimento, produzindo bem-estar para si mesmo e para as pessoas ao seu redor.
 
 
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