Por que tantos indivíduos são depreciadores
crônicos, magoando e prejudicando a si mesmos e a outros? Como sempre, há
diversos fatores. Um deles pode ser uma sensação de impotência.
Talvez você se sinta incapaz de dizer “não” para alguém, daí aceitar aquela opinião negativa mesmo ela sendo inválida e vinte pessoas terem dado opiniões positivas. Ou pode se sentir incapaz de se afirmar assertivamente diante de pessoas que fazem juízos que só rebaixam.
Talvez você se sinta incapaz de dizer “não” para alguém, daí aceitar aquela opinião negativa mesmo ela sendo inválida e vinte pessoas terem dado opiniões positivas. Ou pode se sentir incapaz de se afirmar assertivamente diante de pessoas que fazem juízos que só rebaixam.
A depreciação pode ser uma forma de evitar
confrontos. Por receio de dar uma resposta que vá direto ao ponto, você prefere
concordar para agradar a pessoa, mas faz uma ressalva que lhe permite recuar
sem contrariá-la muito. Funciona, mas pode ser prejudicial.
Outros podem recorrer ao “sim, mas” como modo de
dar vazão à sua raiva quando não querem lidar com a verdadeira origem desse
sentimento. A mãe de Alan pode estar zangada com o filho por pensar que ele não
a visita com suficiente assiduidade, mas por medo de confrontá-lo diretamente
e/ou por falta de autoconhecimento, ela expressa sua frustração por lhe dar um
presente, mas providenciar que este seja fonte de desgosto, mesmo que isso
signifique que ela também vai se desapontar.
Por fim, a depreciação muitas vezes é uma forma de
diminuir o brilho de um bom exemplo. Para pessoas orgulhosas e acomodadas, é
muito mais fácil do que imitar ou sequer reconhecer a boa atitude do outro.
Também pode ser um modo de minimizar a dívida por um favor feito.
Em resumo, quando usamos o “sim, mas” de forma
prejudicial, estamos revelando que nos sentimos incapazes de mudar uma situação
desagradável.
Também podemos dizer “sim, mas” para nós mesmos.
Nestes casos, estamos nos dizendo em nosso diálogo interno que não temos
capacidade de fazer aquilo que queremos. Então negamos o que queremos antes que
mais alguém possa fazê-lo e assim exerça poder sobre nós. É mais fácil
assimilar a rejeição feita por nós mesmos do que a feita por outros.
O raciocínio do autodepreciador é “Gostaria de
sair com a Denise, mas sei que ela dificilmente se interessaria por alguém como
eu”. Assim, ele nem sequer tenta e os dois nunca sairão juntos – a não ser que
ela o convide, mas talvez nem assim. Os adeptos da depreciação tendem a
procrastinar e são mestres na arte de inventar desculpas para sua negligência.
DIFICULDADE
DE DIZER “NÃO”
Muitos têm dificuldade em dar respostas negativas
(dizer “não”). A causa do problema pode ser sentimentos de culpa ou vergonha,
ou o desejo de ser aceito e aprovado. Essa dificuldade pode ser decorrente de
uma arraigada sensação de que não dispomos dos recursos necessários para
resistir à pressão de quem quer que façam algo que eles não querem fazer.
Esse hábito costuma ser desenvolvido na infância,
especialmente quando a pessoa teve um pai e/ou uma mãe que jamais aceitava uma
resposta negativa. Não se trata de pais que estabelecem normas e limites
sérios, mas com razoabilidade. São pais que esperam que todas as suas ordens
sejam sempre cumpridas de forma imediata e integral, sem margem para diálogo.
Então essas pessoas aprenderam a dizer “sim” mesmo quando não podem ou não
querem cumprir a ordem. E também aprendem a recorrer ao “sim, mas” quando o
outro descobre o não-cumprimento e exige satisfações.
Um dos problemas dessa técnica de defesa é que ela
falha muito em mitigar a raiva da outra pessoa, especialmente no longo prazo.
Pelo contrário, pode até ter efeito reverso. Quando alguém promete algo que não
pode ou não quer cumprir apenas para não desagradar o outro, ele fica na
expectativa e se sente mais frustrado do que teria ficado com uma resposta
assertiva desde o começo. E as justificativas do tipo, “sim, mas” fazem a
pessoa se sentir ainda mais irritada.
OUTROS
USOS DO “SIM, MAS”
O “sim, mas” é usado com frequência para
transferir responsabilidades. Sidnei diz: “Sim, concordo que deveria conversar
sobre isso com minha esposa... mas você não sabe como ela é”. Tradução: o
problema é minha esposa, não o fato de que eu não sei lidar com ela.
O “sim, mas” pode ser usado para asseverar uma
medida de controle que fica aquém daquela que a pessoa de fato gostaria. O
sujeito se sente impotente no trabalho, então descarrega sua hostilidade em
casa impondo regras rigorosas aos filhos e caçando erros no seu cumprimento.
Quando inspeciona, fica frustrado ao encontrar tudo em ordem (ou seja, sem nada
para criticar), até encontrar algum lapso para repreender com satisfação e
alívio, mas deixando os filhos ressentidos.
Em contrapartida, o “sim, mas” pode ser usado como
tática de guerrilha contra um oponente mais forte. Margareth sente-se sem
forças para confrontar diretamente o seu marido dominador, então usa a tática
de concordar e discordar ao mesmo tempo. Diz ao marido que fez o que ele pediu,
mas não deu para fazer.
Os dois exemplos acima apresentam homens sendo
autoritários, mas deveria ser óbvio que mulheres também podem ser dominadoras e
críticas e que homens também podem ser vítimas e passivo-agressivos.
Por fim, o vício de depreciar pode ser uma forma
de autoengrandecimento para impor respeito às pessoas por suas realizações e
qualidades. A pessoa sempre consegue encontrar uma falha qualquer em tudo o que
os outros fazem. Pode reconhecer que algo que o outro fez está bom, mas... (era
desnecessário ou diferente do necessário, é insuficiente, isso não combina com
aquilo ou simplesmente prefere de outro jeito).
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