As terapias
cognitivo-comportamentais são consideradas um desenvolvimento da terapia
comportamental, apesar de dois de seus mais importantes pioneiros (Albert Ellis
e Aaron Beck) terem sido psicanalistas. A principal distinção das
terapias comportamentais é a incorporação da perspectiva mediadora da cognição
entre os estímulos ambientais e o comportamento do indivíduo. Essa incorporação
ocorreu principalmente durante o final da década de 60 e a primeira metade da
década de 70. Diversos fatores contribuíram para esse desenvolvimento
e até o exigiram.
Embora a abordagem
comportamental tenha sido a força dominante da Psicologia nos EUA durante muito
tempo, estava cada vez mais claro que uma perspectiva imediata (os estímulos
causam diretamente as reações comportamentais, sem mediação) era insuficiente
para explicar o comportamento humano. As teorias de aprendizagem por observação
e de adiamento da gratificação desafiavam a explicação behaviorista
tradicional. Os modelos comportamentais de aprendizagem da linguagem também
sofriam sérias críticas. Um sinal da insatisfação geral foi a tentativa de
incluir no modelo behaviorista os “comportamentos encobertos” (pensamentos,
sentimentos, imagens mentais). Não era possível focar apenas o ambiente sem considerar a cognição.
A própria natureza de
alguns problemas (como o pensamento obsessivo) tornava as intervenções
não-cognitivas irrelevantes. A terapia behaviorista era aplicada a transtornos
que fossem demarcados por seus correlatos comportamentais. Além disso, quando
os transtornos eram multifacetados, os terapeutas behavioristas buscavam
modificar os sintomas comportamentais. Esse enfoque no comportamento ampliou o
potencial terapêutico, mas componentes importantes dos problemas não estavam
sendo tratados. O desenvolvimento da TCC ajudou a preencher uma lacuna técnica.
Alguns modelos de
mediação estavam sendo desenvolvidos, pesquisados e aplicados na psicologia experimental
a partir da compreensão da cognição como uma processadora de informações. Esses
avanços foram aplicados na psicologia clínica. Estudos demonstraram que (p/ex)
a ansiedade envolve mediação cognitiva. Os avanços nestas duas áreas desafiaram
os teóricos behavioristas a explicar os dados acumulados, a redefinir seus
limites e a incluir fenômenos cognitivos nos modelos comportamentais. Sinais dessas
tentativas foram a literatura sobre autocontrole e autorregulação na década de
70, que compartilhavam o conceito de que o indivíduo tem capacidade de
monitorar seu próprio comportamento, estabelecer objetivos e orquestrar as
variáveis pessoais e ambientais para alcançá-los.
Outro aspecto do início das terapias cognitivo-comportamentais foi a
identificação de diversos teóricos e terapeutas renomados com essa orientação
(como Ellis, Beck e outros), o que gerou um zeigeist
(mentalidade da época) que chamou a atenção de mais profissionais para o campo. Em 1977 surgiu um
periódico nos EUA para comunicar e estimular as pesquisas cognitivas, permitindo que
mais pesquisadores e terapeutas apresentassem suas ideias entre si e para o
público em geral.
A publicação de estudos que indicavam os tratamentos
cognitivo-comportamentais tão ou mais efetivos do que as abordagens
estritamente comportamentais também atraiu interesse continuado. Diversas
pesquisas demonstraram o efeito clínico positivo da TCC.
Um fator que estimulou o
interesse no estudo da cognição foram os avanços tecnológicos na informática,
na robótica e na automática, junto com os importantes progressos nas
neurociências. Os computadores da década de 1970 eram geringonças enormes e com
capacidade inferior à dos celulares atuais. Mas ainda assim, eles já eram mais
versáteis do que algumas teorias psicológicas afirmavam que a psique humana
seria. Ou o ser humano havia inventado uma máquina mais inteligente do que ele
mesmo, ou havia algo de errado com essas teorias. A metáfora do cérebro como um
computador (processador de informações) fascinava especialistas e leigos. A
psicologia cognitivo-comportamental era uma ideia cujo tempo chegou.
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