Muitos
gestores reclamam da falta de qualificação e compromisso dos subordinados, mas
que tipo de ambiente oferecem para eles? Qual é o bom sentido do termo “política”
e “ser político”?
AMBIENTES DE TRABALHO DESMOTIVADORES
Muitos
administradores reclamam que está difícil encontrar funcionários qualificados e
comprometidos e que a rotatividade é alta. Porém, quando investigamos o
ambiente dessas empresas, muitas vezes verificamos que é altamente desmotivador
e que um profissional que cuida de sua própria carreira só pode querer sair
dali o mais breve possível.
Falta de valores claros (e/ou forte incoerência
entre declaração de valores e prática cotidiana), liderança deficiente em
sentido técnico e/ou humano, regras e tarefas sem sentido e outras falhas
graves contribuem para a desmotivação generalizada. A tendência dessas empresas
é viver na mediocridade ou sucumbir perante concorrentes mais coesos.
ANIMAL POLÍTICO
Quando
falamos de conceitos como justiça, liberdade, democracia, ética, virtude
e felicidade, nós estamos (sabendo ou não) nos referindo a temas que
começaram a ser desenvolvidos pelos filósofos gregos nos séculos 5 e 6AEC,
quando o homem encontrou um meio de substituir o misticismo pela razão. Muitas dessas palavras são de origem grega.
Neste
tempo surgiu a palavra “política”, derivada de “polis”, que significa “cidade”.
Originalmente, ser “político” significava demonstrar interesse pelo bem-estar
da cidade (lembrando que os gregos daquela época viviam em cidades-estados, ou
seja, cada cidade era independente, basicamente um país). E é assim que todos
deveriam se comportar: cuidando dos seus interesses particulares sem prejudicar
os interesses coletivos. Os desejos e interesses individuais devem estar em
harmonia com os da coletividade, mas sem cair no coletivismo e suprimir a individualidade.
Infelizmente,
o conceito de "política" ou "cidadania" foi deturpado e confundido com “politicagem”. Para muitos, ser
“político” significa fazer conluios e acordos ilícitos para obter vantagens
indevidas e poder em detrimento do coletivo. O pior é que muitos empresas não
combatem e até promovem essa atitude estimulando a competição interna. O foco
deixa de ser o ambiente externo e passa a ser o interno.
Ser
político no bom sentido significa praticar a colaboração e a busca do
entendimento e benefício mútuos. Não significa buscar a harmonia a qualquer
custo através da concordância incondicional com a maioria e da obediência cega
aos gestores. Requer usar a cognição para (dentro do possível) encontrar
soluções boas o suficiente para todos, obter a convergência de ações e
interesses apesar da divergência de opiniões.
Ser
político no bom sentido é praticar a cidadania consciente, habituar-se a comportar-se virtuosamente como cidadão
(cívico e organizacional), ciente de seus direitos e cumpridor de seus deveres.
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