domingo, 1 de junho de 2014

Ambiente e Política Organizacional

 
Muitos gestores reclamam da falta de qualificação e compromisso dos subordinados, mas que tipo de ambiente oferecem para eles? Qual é o bom sentido do termo “política” e “ser político”?
  

AMBIENTES DE TRABALHO DESMOTIVADORES
 
Muitos administradores reclamam que está difícil encontrar funcionários qualificados e comprometidos e que a rotatividade é alta. Porém, quando investigamos o ambiente dessas empresas, muitas vezes verificamos que é altamente desmotivador e que um profissional que cuida de sua própria carreira só pode querer sair dali o mais breve possível.
 
Falta de valores claros (e/ou forte incoerência entre declaração de valores e prática cotidiana), liderança deficiente em sentido técnico e/ou humano, regras e tarefas sem sentido e outras falhas graves contribuem para a desmotivação generalizada. A tendência dessas empresas é viver na mediocridade ou sucumbir perante concorrentes mais coesos.
 
 
ANIMAL POLÍTICO
 
Quando falamos de conceitos como justiça, liberdade, democracia, ética, virtude e felicidade, nós estamos (sabendo ou não) nos referindo a temas que começaram a ser desenvolvidos pelos filósofos gregos nos séculos 5 e 6AEC, quando o homem encontrou um meio de substituir o misticismo pela razão. Muitas dessas palavras são de origem grega.
 
Neste tempo surgiu a palavra “política”, derivada de “polis”, que significa “cidade”. Originalmente, ser “político” significava demonstrar interesse pelo bem-estar da cidade (lembrando que os gregos daquela época viviam em cidades-estados, ou seja, cada cidade era independente, basicamente um país). E é assim que todos deveriam se comportar: cuidando dos seus interesses particulares sem prejudicar os interesses coletivos. Os desejos e interesses individuais devem estar em harmonia com os da coletividade, mas sem cair no coletivismo e suprimir a individualidade.
 
Infelizmente, o conceito de "política" ou "cidadania" foi deturpado e confundido com “politicagem”. Para muitos, ser “político” significa fazer conluios e acordos ilícitos para obter vantagens indevidas e poder em detrimento do coletivo. O pior é que muitos empresas não combatem e até promovem essa atitude estimulando a competição interna. O foco deixa de ser o ambiente externo e passa a ser o interno.
 
Ser político no bom sentido significa praticar a colaboração e a busca do entendimento e benefício mútuos. Não significa buscar a harmonia a qualquer custo através da concordância incondicional com a maioria e da obediência cega aos gestores. Requer usar a cognição para (dentro do possível) encontrar soluções boas o suficiente para todos, obter a convergência de ações e interesses apesar da divergência de opiniões.
 
Ser político no bom sentido é praticar a cidadania consciente, habituar-se a comportar-se virtuosamente como cidadão (cívico e organizacional), ciente de seus direitos e cumpridor de seus deveres.
  
 
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