Talvez você não tenha a tendência de se comparar
em excesso com terceiros e não se incomode por eles serem/fazerem/terem mais em
determinados aspectos importantes. Porém, é possível que fique incomodado pelas
comparações que outros fazem de você com eles e/ou com terceiros: “Fulano faz
X, porque você não faz também?” “Por que você não pode ser tão Y quanto
Beltrano?” “Sicrano tinha o mesmo problema que você, mas ele se empenhou de
verdade”. “Todo mundo aqui é W, porque só você é Z?”
As comparações são uma forma de crítica. A questão é se internalizamos essa crítica e nos apropriamos dela, nos sentindo mal com isso. A devida atribuição de responsabilidades é crucial: só porque eles acreditam nisso, nós temos que acreditar também? E da mesma forma que eles? Talvez não possamos mudar a atitude de quem nos compara com terceiros, mas sempre podemos modificar a nossa própria atitude.
Podemos simplesmente discordar de que aquela
pessoa seja mesmo um bom modelo para nós, focando os aspectos em que ele é
deficitário. Podemos banalizar ou relativizar os pontos que o comparador
destaca que devíamos ser iguais ao modelo – ou que deveríamos nos sentir mal
porque nunca seremos iguais a ele. Podemos analisar as atitudes de quem nos
compara consigo ou com um terceiro. Não é obrigatório replicar o comparador,
mas sempre podemos contestar as comparações em nosso diálogo interno.
A publicidade explora amplamente o nosso desejo de
sermos comparados favoravelmente com outros – e o nosso receio de sermos
comparados desfavoravelmente. Por isso afirmam que vamos melhorar a forma como
outros nos veem se usarmos determinado produto ou serviço. Uma tática é
apresentar pessoas felizes e bem-sucedidas utilizando a marca. Outra tática é
mostrar um indivíduo frustrado antes de usar o produto ou serviço e mostrá-lo
satisfeito depois de usá-lo.
COMPARAÇÃO
COMO FATOR DE MOTIVAÇÃO
Pode ser impactante ouvir (ou pressupor) que os
outros pensam que somos menos do que acreditamos ser, ou do que gostaríamos de
ser. E essa informação às vezes é dada na forma de uma comparação. Somos
instigados a aperfeiçoar nossa atitude e nosso comportamento, se acreditarmos
que podemos e devemos fazê-lo. Daí as comparações serem tão usadas para motivar
um desempenho melhor.
O psiquiatra Alfred Adler afirmava que a luta por
superioridade é um dos nossos principais fatores de motivação e possibilita o
nosso desenvolvimento. Foi por causa dessa tese que ele rompeu com Freud. Para
Adler, que cunhou a expressão “complexo de inferioridade”, todos nós temos em
algum momento sentimentos de inferioridade, com os quais lidamos buscando
formas de superar o que nos falta ou encontrar substitutos.
Segundo Adler os bebês aprendem a
falar motivados pelo sentimento de inferioridade em relação aos adultos que
conseguem se comunicar verbalmente. Nenhuma teoria atual sobre a aquisição da
linguagem é incompatível com o ponto central dele: comparações são uma parte
normal e necessária do processo de desenvolvimento. Adler salientava a importância
dos nossos modelos, as pessoas que consideramos superiores, pois é o desejo de
nos equipararmos a eles que nos motiva a aprender e crescer.
O modelo não precisa ser alguém que conhecemos
pessoalmente. Pode até ser um personagem abstrato e sem nome, como “uma boa
pessoa” que faz determinadas ações vistas como corretas e não faz outras,
consideradas ruins. Os modelos também podem ser pessoas destacadas em uma
organização da qual fazemos parte, podem ser pessoas famosas e podem ser
personagens de filmes, seriados, livros, etc.
Poucos conseguem passar a vida sem tomar
conhecimento (ou se importarem) dos inúmeros modelos que nos servem de
referência. O desejo de nos ajustarmos, de nos igualarmos aos outros e de
sobrepujá-los inegavelmente constitui um poderoso fator de motivação. Muitos se
sentem motivados a atingir seus objetivos pelo desejo de mostrar que são
capazes àqueles que duvidaram deles.
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