sábado, 1 de setembro de 2012

Tolerância (1/4): Considerações Iniciais

A “tolerância” é (1) a margem de erro aceitável em relação a um padrão, (2) a capacidade de aceitar algo sem alterar-se, (3) a permissão para alguém fazer algo para o qual ele foi reprovado em uma seleção, (4) a liberalização ou isenção de uma norma geral, (5) a boa disposição de ouvir com paciência opiniões opostas às suas e de aceitar pacificamente que outros tenham modos de pensar e agir diferentes dos seus, (6) a disposição de perdoar, condescendência, (7) indulgência, transigência.
 
Já “intolerância” pode ser definida como (1) falta ou inverso de “tolerância”, (2) intransigência, (3) atitude agressiva e/ou repressora para com diferenças de crenças e modo de pensar e agir, (4) atitude de quem não aceita margem de erro em relação a um padrão.   
Uma olhada rápida por estas definições pode fazer parecer que a tolerância é sempre algo bom e que a intolerância é sempre algo ruim. E em muitos casos realmente é assim mesmo. Durante grande parte da História, a Humanidade sofreu muito com a intolerância: quem pensasse diferente da maioria podia ser horrivelmente torturado e morto. Com frequência os perseguidos de uma época assumiram o poder e se tornaram os perseguidores de outra e vice-versa.
 
Foi necessário um longo e gradual processo histórico para que as pessoas compreendessem a importância de praticar a tolerância mútua, ao passo que a democracia moderna foi se desenvolvendo lentamente na Europa e na América do Norte a partir do século 16. Depois dos horrores da Segunda Guerra causados pela intolerância étnica e ideológica, foi elabora a Declaração Universal dos Direitos Humanos e desde então a necessidade de haver tolerância é cada vez mais enfatizada.
 
Mas mesmo nos dias de hoje muitas pessoas são altamente intolerantes, expressando essa atitude em palavras e ações. Depois dessa Declaração houve muitas guerras (principalmente civis) pelo mundo todo motivadas pela intolerância. Em nosso próprio cotidiano encontramos exemplos de intolerância. No Brasil, até o final da década de 1990, um membro das classes sociais mais baixas professar qualquer opção religiosa que não fosse a católica podia fazê-lo ser alvo de ódio imediato.
 
E é um engano pensar que as pessoas melhoraram muito desde então: com frequência, ser o único diferente em um grupo (seja de escola, trabalho ou o que for) é ser o bode expiatório do mesmo. Por exemplo: (1) ser o único homem heterossexual em uma escola ou empresa onde a maioria é mulher; (2) ser a única pessoa branca em uma maioria de pessoas negras; (3) ser o único com bagagem cultural em uma maioria de analfabetos funcionais, etc.

Você ficou indignidado por estes exemplos serem "invertidos"? Esses exemplos são de propósito politicamente incorretos para demonstrar que existem muitos preconceitos socialmente aceitos e promovidos como “esclarecimento”. É fácil ser “contra todos os tipos de preconceitos” que nos atingem; o desafio é reconhecer os preconceitos que nos beneficiam.
 
A intolerância se manifesta de diversas formas e em vários graus de intensidade. Muitas vezes se limita ao pensamento, outras vezes é manifesta em um olhar de reprovação, outras em palavras e/ou voz e ainda outras vezes em ações de muitos tipos contra a pessoa reprovada. A intolerância pode manifestar-se na forma de zombarias, acusações, boatos, críticas, agressões, sabotagens e assim por diante.
 
Ninguém aprecia ser alvo de intolerância, quando outros querem nos impor arbitrariamente seus próprios padrões pessoais e tomar por nós as nossas decisões pessoais. Ficamos irritados quando somos vítimas do dogmatismo arrogante de quem pensa que todos devem ter os mesmos gostos que ele em qualquer assunto e que quer sempre ter a última palavra em uma conversa. Mas, e você? Não comete esses mesmo erros? Não precisa aprender a ser mais tolerante? Não fica incomodado só de saber que alguém pensa diferente de você, mesmo que ele não diga nada sobre o assunto?
 
Três fatores que produzem intolerância são a ansiedade, o desconhecimento e o orgulho. Indivíduos e grupos de pessoas passando forte estresse e insegurança podem se tornar intolerantes com quem é diferente. E as pessoas intolerantes muitas vezes nunca conheceram (de verdade) membros de um grupo que não toleram.
 
Todos nós temos alguma tendência para a intolerância e precisamos praticar a tolerância. Somos e continuaremos sendo diferentes em personalidade, convicções e experiências de vida e temos que aprender a conviver pacificamente e a trabalhar juntos eficazmente. Indivíduos extrovertidos com introvertidos, racionais com emotivos, intuitivos com sensoriais, adeptos da ideologia X com adeptos da ideologia Y e assim por diante. Essas diferenças podem causar desgaste ou ser fonte de energia criativa.
 
 
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