sábado, 1 de setembro de 2012

Tolerância (4/4): Tolerância e Intolerância Segundo Princípios

 
É um grande desafio ser tolerante pelos motivos certos, da forma e na medida certas. A maioria das pessoas falha neste desafio, pois requer autodisciplina para habituar-se a padrões elevados no modo de pensar e agir. Indivíduos esclarecidos não são rígidos, dogmáticos. Mas também não são indiscriminadamente tolerantes, permissivos. E quando não toleram algo, sabem expressar sua intolerância com palavras e ações adequadas, de forma educada e ética. Também sabem avaliar o momento certo e mesmo se compensa dizer ou fazer algo em cada caso.
 

A grandeza pessoal, a alta qualidade no que somos e fazemos, requer uma prática constante de autodisciplina e de autodesenvolvimento. Porém, seguir o “caminho estreito” da grandeza pessoal não significa ter uma mentalidade estreita. Ao contrário, uma das formas de mostrarmos grandeza é permitir que a vida seja mais agradável para todos por evitarmos ser dogmáticos e controladores uns com os outros.
  
As pessoas têm diferentes formações e preferências. Quando não se trata de uma questão de ética ou de legalidade, mas sim de mero gosto pessoal, devemos ser adaptáveis e tolerantes. Algo que pode nos ajudar a praticar a tolerância é conhecer pessoas diferentes de nós, compreender como pensam e agem, descobrir diretamente quais são suas ideias e costumes. Quando fazemos isso, muitas vezes descobrimos que as diferenças são mais superficiais e secundárias do que imaginávamos e que elas são pessoas como nós. Quando paramos de querer só falar e de sempre dar a última palavra, aprendemos mais e temos maior satisfação na vida.
 
Um ponto importante é que praticar a tolerância e buscar compreender as pessoas que pensam diferente de nós NÃO significa necessariamente que vamos passar a concordar com suas ideias e adotar suas práticas. Podemos compreender e continuar pensando e agindo diferente delas, tolerando de boa vontade a diferença de opinião dentro dos parâmetros democráticos. Só que agora discordamos com esclarecimento.
 
Uma das chaves para praticar a tolerância na medida certa, com equilíbrio e bom senso, é ser tolerante com objetivos claros. Um desses objetivos é o bem-estar de longo prazo de todos os envolvidos. Para que haja esse bem-estar, é necessário busquemos padrões elevados. Rebaixar os padrões para não contrariar ninguém pode ser muito satisfatório no curto prazo, mas no longo prazo apenas prejudica a todos. Também é necessário que se respeite o princípio da liberdade responsável. Dentro dos parâmetros democráticos, somos livres para termos as ideias e comportamentos que quisermos. Porém, essas decisões têm consequências pelas quais somos responsáveis. E como diz a máxima, “sua liberdade termina onde começa a liberdade do outro”.
 
A tolerância pode ser excessiva, refletindo sentimentalismo, comodismo, falta de assertividade, visão de curto prazo, medo de confrontar as pessoas e até indiferença. Quando fazemos parte de um grupo no qual não possuímos autoridade formal, nossa capacidade de intervir é limitada, mas podemos dar bom exemplo e dentro dos nossos limites auxiliar e orientar aqueles que querem auxílio e orientação. Porém, se temos autoridade formal, podemos cair em um de dois extremos: autoritarismo (intolerância excessiva) ou permissividade (tolerância excessiva).
 
O autoritário quer tanto os bons resultados imediatos que se esquece de manter o bom relacionamento e de promover o desenvolvimento de seus subordinados. O permissivo quer tanto ser popular, estimado, que se esquece de manter elevados padrões e de promover o amadurecimento das pessoas que supervisiona. Ambos focalizam apenas um aspecto do curto prazo e perdem de vista o longo prazo.
 
Não podemos mudar o mundo (macrocosmo), mas podemos otimizar nosso campo de ação, nosso mundo pessoal (microcosmo). Se formos tolerantes ou intolerantes demais, no longo prazo vamos prejudicar a nós mesmos e a outros. Se realmente nos importamos com nós próprios e com as pessoas com quem nos relacionamos, temos que praticar a tolerância na medida certa: respeitar as diferenças pessoais em questões de gosto e ao mesmo tempo buscar com razoabilidade altos padrões de ética e qualidade.
 
                                     
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