sábado, 1 de setembro de 2012

Tolerância (2/4): O Valor da Intolerância Correta


Uma olhada mais atenta nas definições dos dois termos mostra que nem sempre a tolerância é uma virtude e a intolerância é um defeito. Algumas definições de “tolerância” possuem um teor de permissividade e até de corrupção. E algumas definições de “intolerância” podem denotar uma elevada ética. Assim, às vezes a tolerância pode ser algo ruim e a intolerância pode ser algo bom.


Há alguns anos, um prefeito de Nova York ficou famoso em todo o mundo por reduzir a criminalidade através de um programa de prevenção e correção chamado Tolerância Zero. Neste programa (que também poderia se chamar “Intolerância Total”) foi aplicado um rigor crítico absoluto em relação às leis, determinações, procedimentos, regras éticas da cidade, de modo a não se aceitar o mínimo desvio, não haver complacência com menos que sua observância total. Todos o aplaudiram por ser intolerante com a criminalidade e a delinquência.
 
A vida melhorou bastante no aspecto físico depois que as empresas tiveram que fornecer produtos e serviços com maior qualidade e menor preço a partir da década de 1990 com o advento da Qualidade Total, uma filosofia empresarial que impunha a obrigação das empresas melhorarem continuamente seus processos produtivos.

Esse processo contínuo reduz os custos (redução que é repassada para o cliente final) e aumenta a qualidade, de modo que os produtos e serviços hoje são melhores e mais baratos do que ontem. E essa melhoria ocorre em grande parte com a intolerância a desperdícios de materiais, tempo e energia. É o que esperamos de produtos e serviços, especialmente daqueles que afetam nossa saúde e vida: intolerância a erros.
 
Portanto, é possível ser tolerante demais. Ou ser tolerante quando não devíamos. Em nome da “tolerância”, muitos abandonaram a crença na verdade ética, que existe certo e errado, adotando o relativismo moral e o lema de que “nunca devemos julgar” que um comportamento é errado. É uma forma de posar uma fachada de “esclarecido”, “mente aberta” e “moderno”. Tudo deve ser tolerado – exceto pessoas que ainda têm senso crítico e ética.
 
Assim, a questão não é como ser cada vez mais e mais tolerante indiscriminadamente, como se a tolerância sempre fosse algo bom e como se quanto mais tolerância, melhor. A questão é como ser tolerante na medida certa em cada assunto e em cada caso.
 
 
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