Na Física, “resiliência” é a propriedade de um material retornar à forma ou posição original depois de cessar a tensão incidente sobre o mesmo, determinada pela quantidade de energia devolvida após a deformação elástica. Na Biologia, é a capacidade de um ecossistema retornar à condição original de equilíbrio após suportar alterações ou perturbações ambientais. Na Psicologia, é a habilidade que uma pessoa desenvolve para resistir, lidar e reagir de modo positivo em situações adversas.
Assim, “resiliência”
é a capacidade de atravessar dificuldades adaptando-se e depois delas recuperar
a saúde psíquica anterior às mesmas. As diferenças individuais quanto à resiliência
e à vulnerabilidade são fatores-chave na duração e intensidade dos sintomas relacionados
aos traumas.
Alguns traços de personalidade protegem os
indivíduos expostos a estresse muito intenso e/ou muito prolongado. Estudos com
sobreviventes dos campos de concentração nazistas que após esta experiência foram
capazes de manterem-se saudáveis e levar uma vida normal indicam três
componentes
(1) Compreensão Cognitiva: a vida e seus
acontecimentos têm sentido em termos cognitivos, é a capacidade de compreender
a situação como um todo;
(2) Significado Emocional: a vida e seus
acontecimentos têm sentido em termos emocionais, os problemas são vistos como
desafios e não como fardos, o foco é no que tem de bom e no que pode fazer;
(3) Proatividade: senso de responsabilidade e de
iniciativa para usar os recursos disponíveis fazendo o que estiver dentro de
seu alcance a fim de lidar com os desafios da vida da forma mais produtiva
possível.
Conforme comprovado por centenas de estudos,
características como estas ajudam a explicar como algumas pessoas se recuperam
melhor de traumas do que outros que passaram por experiências semelhantes: elas
fazem com que estes indivíduos sejam mais resilientes sob condições de estresse
muito intenso e/ou muito prolongado.
Outros estudos demonstram que um fator decisivo
para desenvolver resiliência é o modo como o indivíduo processa e elabora
mentalmente a experiência. Pessoas que possuem o padrão de interpretar os
problemas como desafios a serem enfrentados e de buscar modificar as
circunstâncias atuais de forma construtiva possuem maior capacidade de superar
traumas psicológicos. Por outro lado, padrões de autopiedade, autodepreciação,
complexo de vítima e de abandono intensificam os sentimentos negativos
relacionados às lembranças traumáticas e exacerbam o sofrimento.
Ainda outros estudos demonstram que a
religiosidade pode ajudar o enfrentamento do trauma através do apoio social do
grupo, que em geral desencoraja comportamentos autodestrutivos e incentiva o
perdão e a continuidade da vida alinhada à saúde.
Pessoas que são exemplos de indivíduos que
superaram eventos traumáticos e neste processo tiveram um aprendizado,
cultivaram uma maior maturidade e espiritualidade, desenvolveram serenidade
para enfrentar dificuldades e restauraram confiança para prosseguir suas vidas
servem de modelos para aqueles que ainda estão nos primeiros passos da
recuperação.
Nossa compreensão sobre a adaptação
humana ao trauma se estende aos poucos. Dado o reconhecimento dos efeitos
potenciais das crenças religiosas e espirituais nos comportamentos resilientes,
os estudos nesse âmbito devem continuar. Contudo, a integração
das dimensões espirituais e religiosas dos clientes em seus tratamentos requer
alta qualidade de conhecimento e habilidades para alinhar as informações
coletadas sobre as crenças e valores à eficácia terapêutica.
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