Um elemento, um detalhe,
uma ação pode fazer diferença e alterar um todo. Esse axioma é demonstrado pela
Lógica, Matemática, Física, Química, Biologia e todas as demais ciências. É
óbvio que existem limitações para esse fenômeno: não se pode exigir que um
único jogador sozinho, por mais habilidoso que seja, reverta o placar se o
restante do time não cooperar. Mas as ações individuais são muito importantes.
Como ocorrem as mudanças coletivas? As ações individuais contagiam outras pessoas que passam a agir igual e todas essas ações somam-se e transformam a situação. A Humanidade vive em constante mudança. Muitos indivíduos mudam para acompanhar a nova maioria. Mas a própria coletividade muda porque alguns pioneiros mudaram antes, são imitados e o movimento vai crescendo até chegar a uma massa crítica.
As mudanças pioneiras
requerem coragem, pois o indivíduo tem que lidar com sua própria tendência de
permanecer em sua zona de conforto e ainda precisa lidar com a pressão dos que
se opõem à mudança. É necessário persistência até que os novos hábitos
substituam os anteriores, bem arraigados. E a mudança tem que parecer lógica e
benéfica na visão das pessoas, ou não a adotarão.
Com o decorrer das
mudanças socioculturais e tecnológicas, as pessoas são expostas a diferentes
estímulos e começam a fazer novas associações, a ter novas ideias, mesmo sem
terem contato umas com as outras em sua totalidade. Por isso muitas vezes a
mesma ideia, invenção ou descoberta é feita ao mesmo tempo em lugares separados
e sem ligação entre si. Em filosofia isso é chamado de “zeitgeist”
(pronuncia-se “tzait.gaisst”), palavra alemã que significa “mentalidade de uma
época”.
As ações individuais
resultam da busca pela satisfação de suas necessidades e desejos. Muitas
pessoas temem a reprovação alheia, mas alguns indivíduos não. Eles fazem o que
consideram mais apropriado, não necessariamente com o intuito de influenciar outros
a fazer o mesmo, mas para atingir os seus próprios objetivos e valores. Se
ocorrer a influência sobre os demais, é um subproduto dessa busca.
Kant disse que o
indivíduo adulto que ainda depende da direção dos outros para construir o seu
próprio entendimento e orientar sua conduta ainda está na menoridade. Para ele,
a busca do esclarecimento é condição necessária para entrar na maioridade,
desenvolver uma autonomia responsável.
Como outros seres
sociais, o ser humano tira vantagens de viver em sociedade, o que maximiza sua
qualidade de vida. Os insetos sociais (abelhas, formigas, cupins) têm divisão
de trabalho, mas o realizam instintivamente, sem necessitar de recompensas e punições,
confiando que todos os demais farão suas parcelas. Mas eles são basicamente
robôs. O ser humano é muito mais complexo. Não temos certeza absoluta de que o
outro cumprirá sua parte, é apenas uma probabilidade.
O que nos leva à Teoria dos Jogos. Cada pessoa tem
basicamente duas opções ao decidir praticar uma ação individual: (1) agir de
acordo com a expectativa dos outros, fazendo a sua parte, ou (2) buscar apenas
o seu próprio interesse recebendo sem fazer sua parte, prejudicando os demais.
Colaborar ou desertar. Então as pessoas deixam de colaborar porque acreditam
que os outros desertarão. Ou cada lado enrijece as exigências e controles sobre
o outro por causa da desconfiança.
O ideal é o indivíduo
realizar a sua parte da melhor forma possível, por acreditar que esta é a ação
correta a realizar, a ação que mais o fará se sentir bem e mais o beneficiará
de alguma forma. E esse tipo de ação é a que mais beneficia a coletividade, o
que se reverte em benefício para o próprio indivíduo. Para pensar e agir assim,
é necessário cultivar o esclarecimento. Não significa ser ingênuo e fazer papel
de tolo, mas interagir com os outros de modos que produzam benefício mútuo.
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