sábado, 15 de março de 2014

Faça a Diferença!


Um elemento, um detalhe, uma ação pode fazer diferença e alterar um todo. Esse axioma é demonstrado pela Lógica, Matemática, Física, Química, Biologia e todas as demais ciências. É óbvio que existem limitações para esse fenômeno: não se pode exigir que um único jogador sozinho, por mais habilidoso que seja, reverta o placar se o restante do time não cooperar. Mas as ações individuais são muito importantes.
  

Como ocorrem as mudanças coletivas? As ações individuais contagiam outras pessoas que passam a agir igual e todas essas ações somam-se e transformam a situação. A Humanidade vive em constante mudança. Muitos indivíduos mudam para acompanhar a nova maioria. Mas a própria coletividade muda porque alguns pioneiros mudaram antes, são imitados e o movimento vai crescendo até chegar a uma massa crítica.
 
As mudanças pioneiras requerem coragem, pois o indivíduo tem que lidar com sua própria tendência de permanecer em sua zona de conforto e ainda precisa lidar com a pressão dos que se opõem à mudança. É necessário persistência até que os novos hábitos substituam os anteriores, bem arraigados. E a mudança tem que parecer lógica e benéfica na visão das pessoas, ou não a adotarão.
 
Com o decorrer das mudanças socioculturais e tecnológicas, as pessoas são expostas a diferentes estímulos e começam a fazer novas associações, a ter novas ideias, mesmo sem terem contato umas com as outras em sua totalidade. Por isso muitas vezes a mesma ideia, invenção ou descoberta é feita ao mesmo tempo em lugares separados e sem ligação entre si. Em filosofia isso é chamado de “zeitgeist” (pronuncia-se “tzait.gaisst”), palavra alemã que significa “mentalidade de uma época”.
 
As ações individuais resultam da busca pela satisfação de suas necessidades e desejos. Muitas pessoas temem a reprovação alheia, mas alguns indivíduos não. Eles fazem o que consideram mais apropriado, não necessariamente com o intuito de influenciar outros a fazer o mesmo, mas para atingir os seus próprios objetivos e valores. Se ocorrer a influência sobre os demais, é um subproduto dessa busca.
 
Kant disse que o indivíduo adulto que ainda depende da direção dos outros para construir o seu próprio entendimento e orientar sua conduta ainda está na menoridade. Para ele, a busca do esclarecimento é condição necessária para entrar na maioridade, desenvolver uma autonomia responsável.
 
Como outros seres sociais, o ser humano tira vantagens de viver em sociedade, o que maximiza sua qualidade de vida. Os insetos sociais (abelhas, formigas, cupins) têm divisão de trabalho, mas o realizam instintivamente, sem necessitar de recompensas e punições, confiando que todos os demais farão suas parcelas. Mas eles são basicamente robôs. O ser humano é muito mais complexo. Não temos certeza absoluta de que o outro cumprirá sua parte, é apenas uma probabilidade.
 
O que nos leva à Teoria dos Jogos. Cada pessoa tem basicamente duas opções ao decidir praticar uma ação individual: (1) agir de acordo com a expectativa dos outros, fazendo a sua parte, ou (2) buscar apenas o seu próprio interesse recebendo sem fazer sua parte, prejudicando os demais. Colaborar ou desertar. Então as pessoas deixam de colaborar porque acreditam que os outros desertarão. Ou cada lado enrijece as exigências e controles sobre o outro por causa da desconfiança.
 
O ideal é o indivíduo realizar a sua parte da melhor forma possível, por acreditar que esta é a ação correta a realizar, a ação que mais o fará se sentir bem e mais o beneficiará de alguma forma. E esse tipo de ação é a que mais beneficia a coletividade, o que se reverte em benefício para o próprio indivíduo. Para pensar e agir assim, é necessário cultivar o esclarecimento. Não significa ser ingênuo e fazer papel de tolo, mas interagir com os outros de modos que produzam benefício mútuo.
 
 
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