sábado, 22 de março de 2014

TREC – Terapia Racional Emotiva Comportamental (Albert Ellis) [2/2]



A Terapia Racional Emotiva Comportamental (TREC) foi criada por Albert Ellis em 1955, influenciada pela filosofia lógica e empírica, também se identificando com o humanismo ético. A despeito de ter sido um ateu de origem judaica, Ellis seguiu a máxima cristã de “condenar o pecado e aceitar o pecador”, ou seja: diferenciar o erro do errante, atacando o desacerto e ajudando o indivíduo que o cometeu.

Ellis também foi influenciado por pensadores como Emmanuel Kant (o poder e as limitações da cognição), Alfred Adler (o comportamento vem das ideias), Alfred Korzybski (processos psicológicos são muito influenciados por generalizações e linguagem) e Karen Horney (a tirania do ‘devo’).

A atitude promovida por Ellis era a da frase “Ele não sabia que era impossível, foi lá e fez”. Ou seja, nossas convicções a respeito do que é realizável, admissível e desejável influenciam poderosamente os nossos comportamentos e os resultados que obtemos na vida. O mesmo vale para nossos estados emocionais. Como disse Epíteto: “As pessoas não são perturbadas pelos fatos, mas por sua visão dos fatos”.

Outro ensino de Ellis é que o indivíduo está no centro do seu universo subjetivo (mas não do Universo objetivo) e tem poder de escolha (embora limitado) com relação ao seu autodomínio emocional. Seu objetivo é maximizar sua individualidade, autonomia, interesses pessoais e autocontrole, buscar viver de forma envolvida, comprometida e seletivamente afetuosa. Também precisamos diferenciar os sofrimentos “normais” (funcionais) dos sofrimentos “anormais” (disfuncionais).

Ellis alterou o nome de sua linha de psicoterapia duas vezes. Em 1950, a denominação era “Psicoterapia Racional” (TR), ressaltando os aspectos cognitivo-comportamentais para mostrar diferenciação da psicanálise. Em 1961 alterou para “Terapia Racional Emotiva” (TRE), acrescentando essa palavra em resposta a críticos que o acusavam de negligenciar o papel das emoções. E em 1993, para “Terapia Racional Emotiva Comportamental” (TREC), novamente em resposta aos críticos. Faleceu em 2007, aos 93 anos, um dos psicólogos mais influentes da História.

De acordo com Ellis, o ser humano é orientado para objetivos de curto e longo prazo. O “racional” é aquilo que é lógico e ajuda a alcançar metas, enquanto “irracional” é o que é ilógico, falso, aquilo que fazemos que atrapalhe a nossa própria busca de objetivos de longo prazo. Queremos bons resultados sem pagar o preço, pegamos atalhos que nos levam a becos sem saída (ou algo pior) e depois reclamamos.

Temos duas tendências biológicas. A primeira é tendência de pensar de forma irracional, criar demandas absolutistas sobre si mesmo, sobre os outros e sobre o mundo. Algumas das evidências empíricas da nossa irracionalidade são: (1) Todos temos crenças irracionais; (2) Todos nós em algum sentido e grau vamos à contramão de modelos efetivos socialmente aprendidos (por exemplo, procrastinar em vez de sermos pontuais); (3) Nossas crenças irracionais podem ser modificadas apenas em parte, quando uma crença irracional se vai, outra crença irracional toma o seu lugar, nossa tendência ontológica à irracionalidade continua; (4) Em geral é mais fácil aprendermos comportamentos autodestrutivos do que bons hábitos.

A outra tendência biológica é a capacidade de pensar sobre o próprio processo de pensamento e de trabalhar para modificar o seu pensamento irracional. Não faça dos seus erros o seu modo de vida!



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