A Terapia Racional Emotiva Comportamental (TREC) foi criada por Albert Ellis em 1955, influenciada pela filosofia lógica e empírica, também se identificando com o humanismo ético. A despeito de ter sido um ateu de origem judaica, Ellis seguiu a máxima cristã de “condenar o pecado e aceitar o pecador”, ou seja: diferenciar o erro do errante, atacando o desacerto e ajudando o indivíduo que o cometeu.
Ellis também foi influenciado
por pensadores como Emmanuel Kant (o poder e as limitações da cognição), Alfred
Adler (o comportamento vem das ideias), Alfred Korzybski (processos
psicológicos são muito influenciados por generalizações e linguagem) e Karen
Horney (a tirania do ‘devo’).
A atitude promovida por
Ellis era a da frase “Ele não sabia que era impossível, foi lá e fez”. Ou seja,
nossas convicções a respeito do que é realizável, admissível e desejável
influenciam poderosamente os nossos comportamentos e os resultados que obtemos
na vida. O mesmo vale para nossos estados emocionais. Como disse Epíteto: “As
pessoas não são perturbadas pelos fatos, mas por sua visão dos fatos”.
Outro ensino de Ellis é
que o indivíduo está no centro do seu universo subjetivo (mas não do Universo objetivo) e tem
poder de escolha (embora limitado) com relação ao seu autodomínio emocional.
Seu objetivo é maximizar sua individualidade, autonomia, interesses pessoais e
autocontrole, buscar viver de forma envolvida, comprometida e seletivamente
afetuosa. Também precisamos diferenciar os sofrimentos “normais” (funcionais)
dos sofrimentos “anormais” (disfuncionais).
Ellis alterou o
nome de sua linha de psicoterapia duas vezes. Em 1950, a denominação era
“Psicoterapia Racional” (TR), ressaltando os aspectos cognitivo-comportamentais
para mostrar diferenciação da psicanálise. Em 1961 alterou para “Terapia
Racional Emotiva” (TRE), acrescentando essa palavra em resposta a críticos que
o acusavam de negligenciar o papel das emoções. E em 1993, para “Terapia
Racional Emotiva Comportamental” (TREC), novamente em resposta aos críticos.
Faleceu em 2007, aos 93 anos, um dos psicólogos mais influentes da
História.
De acordo com Ellis, o
ser humano é orientado para objetivos de curto e longo prazo. O “racional” é
aquilo que é lógico e ajuda a alcançar metas, enquanto “irracional” é o que é
ilógico, falso, aquilo que fazemos que atrapalhe a nossa própria busca de
objetivos de longo prazo. Queremos bons resultados sem pagar o preço, pegamos
atalhos que nos levam a becos sem saída (ou algo pior) e depois reclamamos.
Temos duas tendências
biológicas. A primeira é tendência de pensar de forma irracional, criar
demandas absolutistas sobre si mesmo, sobre os outros e sobre o mundo. Algumas
das evidências empíricas da nossa irracionalidade são: (1) Todos temos
crenças irracionais; (2) Todos nós em algum
sentido e grau vamos à contramão de modelos efetivos socialmente aprendidos
(por exemplo, procrastinar em vez de sermos pontuais); (3) Nossas crenças
irracionais podem ser modificadas apenas em parte, quando uma crença irracional
se vai, outra crença irracional toma o seu lugar, nossa tendência ontológica à
irracionalidade continua; (4) Em geral é mais fácil
aprendermos comportamentos autodestrutivos do que bons hábitos.
A outra tendência biológica é a
capacidade de pensar sobre o próprio processo de pensamento e de trabalhar para
modificar o seu pensamento irracional. Não faça dos seus erros o seu modo de
vida!
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