Considerada uma das
principais abordagens cognitivo-comportamentais, a teoria e prática da TREC
foram formuladas há mais de 40 anos por Albert Ellis. Após adquirir ampla
formação e experiência em psicanálise, começou a questionar sua eficácia pelo
fato de pacientes tenderem a ficar grandes períodos em terapia sem razoável
progresso e que apenas o insight (compreender as causas dos problemas) por si
só era insuficiente para produzir mudanças.
Então Ellis começou a
experimentar técnicas mais diretivas que enfatizavam uma abordagem prática dos
problemas, partindo do pressuposto de que o pensamento e a emoção são
inter-relacionados. Os sintomas neuróticos seriam causados pelo encontro de
sistemas de crenças irracionais com eventos ativadores. O objetivo é
identificar e desafiar essas crenças irracionais. O ser humano possui
tendências inatas e adquiridas para pensar e agir de forma irracional e uma das
chaves da saúde psicológica é monitorar e corrigir constantemente o seu sistema
de crenças.
Um dos principais
conceitos introduzidos por Albert Ellis é a Estrutura ABC, onde um evento ativador (A) ativa uma crença (B) e
produz consequências cognitivas e comportamentais (C). Assim, o que nos
perturba não são os fatos em si, mas sim as opiniões que formamos deles. Os
pensamentos e as emoções são profundamente inter-relacionadas. E possuímos uma
tendência inata e adquirida à perturbação.
Albert Ellis nos convida
a refletir:
1- Quais as evidências de
que esta crença é verdadeira?
2- Caso seja verdadeira,
o que isso significa para você?
3- Caso seja verdadeira,
o que pode fazer de produtivo a respeito?
Ellis identificou 12
crenças irracionais básicas que assumem a forma geral de expectativas irreais
ou absolutistas. Quando o indivíduo as substitui por crenças ou preferências
razoáveis, pode fazer grandes mudanças em suas emoções e comportamentos. Porém,
como tendemos a preservar nossos padrões de pensamento, necessitamos de métodos
forçosos de intervenção para haver mudanças significativas e duradouras.
Os terapeutas de TREC
podem utilizar seletivamente uma ampla variedade de técnicas, mas a principal
ferramenta terapêutica é o debate metódico, lógico, empírico de desafio às
crenças. A teoria e a prática da TREC pouco mudou e a alteração de nome não foi
devido à uma mudança filosófica ou de foco, mas sim para explicitar sua
abrangência.
Uma das principais
diferenças ente a TREC e as outras abordagens C/C está na
sua ênfase filosófica. O objetivo é estimular o interesse pessoal e social, o
senso de direcionamento, a tolerância consigo mesmo e com os outros,
flexibilidade, aceitação da incerteza, compromisso com interesses vitais,
autoaceitação, pensamento científico e uma perspectiva não-utópica da vida. A
TREC pressupõe que os indivíduos que adotam esse modo de pensar sentem o mínimo
de perturbação emocional.
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