O ser humano se distingue
dos outros animais por duas características básicas (dentre outras): o intelecto e a vontade. Damos muita importância para a inteligência intelectual e
de fato ela é muito importante. Porém, o intelecto sozinho não nos faz vencer
na vida. Todos nós conhecemos pessoas que todos consideravam muito capacitadas,
mas que hoje vivem em constantes dificuldades de um tipo ou de outro.
O intelecto é um farol
que ilumina o nosso caminho, mas ele não nos faz caminhar. O diferencial está
na vontade. Enquanto o intelecto nos permite saber o que fazer, é a vontade que
nos move a fazê-lo ou não. Muitas vezes desenvolvemos o nosso intelecto, mas
não cultivamos a nossa força de vontade. O resultado é que sabemos que devemos
fazer uma série de atividades e diminuir ou deixar de fazer uma série de ações,
mas não temos volição suficiente para realizar isso de forma permanente.
A liberdade é um atributo
da vontade. Se colocarmos a mão no fogo e experimentarmos pela sensação e
percepção que este queima, nosso intelecto sempre vai nos dizer que o fogo fere
e destrói a pele com o seu calor. Em condições normais, depois disso o nosso intelecto
não tem a liberdade de nos dizer que o fogo não queima. Porém, se quisermos
colocar a mão no fogo, temos a liberdade de fazê-lo.
Porém, quando
somos livres e inteligentes? Aquilo que fizemos um ano ou até mesmo um minuto
atrás não nos pertence mais, é passado e não podemos modificá-lo. Assim, não somos livres nem inteligentes no
passado. Da mesma forma, o futuro (seja um minuto ou um ano à frente) ainda não
nos pertence e não somos livres nem
inteligentes no futuro.
Entenda bem: podemos
dizer que fomos livres e inteligentes
no passado e que o seremos no futuro;
também podemos ser livres e inteligentes quanto
ao passado e ao futuro; mas só somos livres e inteligentes no momento presente.
Em termos concretos, só existe o aqui e o agora.
Entretanto, nós tendemos
a passar 70% do tempo vivendo e pensando no passado e 25% do tempo no futuro. Os números e as proporções mudam de pessoa para
pessoa, para alguns pode ser o inverso. Mas o ponto é que em geral
passamos apenas cerca de 5% do tempo vivendo o presente, o único momento real
da nossa existência. Esta é uma das causas do sentimento de não-realização e de
frustração com a vida que muitos sofrem.
Quantas pessoas não
prestam atenção no que o outro está dizendo e não conseguem se concentrar muito
no que estão fazendo, pois estão sempre distraídas pensando no que fizeram
antes e/ou no que farão depois? Mas naquele momento passado elas também estavam
distraídas, pensando no passado ainda anterior ou no futuro (que é agora). E
quando o momento futuro se tornar presente, se distrairão de novo.
Pense em um relógio de
pêndulo: qual movimento o pêndulo faz? A maioria dirá que ele vai e volta. Mas,
na realidade, ele nunca volta, ele só vai para um lado e para outro, pois cada
movimento será realizado em um novo tempo que nunca voltará. E como a Terra se
movimenta no Universo, em certo sentido até mesmo o espaço que o pêndulo ocupa
nunca mais será o mesmo.
Muitos sempre afirmam não
terem tempo para nada. Alguns se colocam como o sujeito mais ocupado do mundo.
A maioria das pessoas não compreende que tempo é questão de preferência e que
nunca teremos tempo para aquilo que não priorizamos. O tempo é objetivamente o
mesmo para todos: 60 minutos por hora, 24 horas por dia, 7 dias por semana e 52
semanas por ano. O que muda de uma pessoa para outra são as prioridades de cada
uma e sua habilidade de administrar sua vida.
Nas empresas e outras organizações,
sempre há alguns que se empenham para melhorar a situação para todos e outros
que só sabem reclamar, criticar os que agem e dar ideias inviáveis. Quando se
lhes pergunta se podem colaborar, respondem que não tem tempo (e/ou outro
subterfúgio).
Pessoas que vivem dizendo não ter tempo deveriam assumir sua
incapacidade atual de priorizar, se organizar e de cooperar. O pior é que, além
de nada fazerem, ainda vivem criticando aqueles que fazem mais do que é a obrigação
estrita deles, colocando defeitos em suas ações e/ou atribuindo-lhes motivações
erradas.
Só podem se desenvolver
aqueles que têm a coragem de encontrar tempo para participar e para se comprometer,
aqueles que escolhem suas ações de forma ponderada e responsável e não daqueles
que apenas reagem aos estímulos do ambiente e encontram somente desculpas. Faça
uma autoanálise para verificar se você não está caindo neste erro e também
ajude outros a entender que tempo é priorização.
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