sábado, 1 de março de 2014

Intelecto, Vontade e Foco Temporal


O ser humano se distingue dos outros animais por duas características básicas (dentre outras): o intelecto e a vontade. Damos muita importância para a inteligência intelectual e de fato ela é muito importante. Porém, o intelecto sozinho não nos faz vencer na vida. Todos nós conhecemos pessoas que todos consideravam muito capacitadas, mas que hoje vivem em constantes dificuldades de um tipo ou de outro.
 

O intelecto é um farol que ilumina o nosso caminho, mas ele não nos faz caminhar. O diferencial está na vontade. Enquanto o intelecto nos permite saber o que fazer, é a vontade que nos move a fazê-lo ou não. Muitas vezes desenvolvemos o nosso intelecto, mas não cultivamos a nossa força de vontade. O resultado é que sabemos que devemos fazer uma série de atividades e diminuir ou deixar de fazer uma série de ações, mas não temos volição suficiente para realizar isso de forma permanente.
 
A liberdade é um atributo da vontade. Se colocarmos a mão no fogo e experimentarmos pela sensação e percepção que este queima, nosso intelecto sempre vai nos dizer que o fogo fere e destrói a pele com o seu calor. Em condições normais, depois disso o nosso intelecto não tem a liberdade de nos dizer que o fogo não queima. Porém, se quisermos colocar a mão no fogo, temos a liberdade de fazê-lo.
 
Porém, quando somos livres e inteligentes? Aquilo que fizemos um ano ou até mesmo um minuto atrás não nos pertence mais, é passado e não podemos modificá-lo. Assim, não somos livres nem inteligentes no passado. Da mesma forma, o futuro (seja um minuto ou um ano à frente) ainda não nos pertence e não somos livres nem inteligentes no futuro.
 
Entenda bem: podemos dizer que fomos livres e inteligentes no passado e que o seremos no futuro; também podemos ser livres e inteligentes quanto ao passado e ao futuro; mas só somos livres e inteligentes no momento presente. Em termos concretos, só existe o aqui e o agora.
 
Entretanto, nós tendemos a passar 70% do tempo vivendo e pensando no passado e 25% do tempo no futuro. Os números e as proporções mudam de pessoa para pessoa, para alguns pode ser o inverso. Mas o ponto é que em geral passamos apenas cerca de 5% do tempo vivendo o presente, o único momento real da nossa existência. Esta é uma das causas do sentimento de não-realização e de frustração com a vida que muitos sofrem.
 
Quantas pessoas não prestam atenção no que o outro está dizendo e não conseguem se concentrar muito no que estão fazendo, pois estão sempre distraídas pensando no que fizeram antes e/ou no que farão depois? Mas naquele momento passado elas também estavam distraídas, pensando no passado ainda anterior ou no futuro (que é agora). E quando o momento futuro se tornar presente, se distrairão de novo.
 
Pense em um relógio de pêndulo: qual movimento o pêndulo faz? A maioria dirá que ele vai e volta. Mas, na realidade, ele nunca volta, ele só vai para um lado e para outro, pois cada movimento será realizado em um novo tempo que nunca voltará. E como a Terra se movimenta no Universo, em certo sentido até mesmo o espaço que o pêndulo ocupa nunca mais será o mesmo.
 
Muitos sempre afirmam não terem tempo para nada. Alguns se colocam como o sujeito mais ocupado do mundo. A maioria das pessoas não compreende que tempo é questão de preferência e que nunca teremos tempo para aquilo que não priorizamos. O tempo é objetivamente o mesmo para todos: 60 minutos por hora, 24 horas por dia, 7 dias por semana e 52 semanas por ano. O que muda de uma pessoa para outra são as prioridades de cada uma e sua habilidade de administrar sua vida.
 
Nas empresas e outras organizações, sempre há alguns que se empenham para melhorar a situação para todos e outros que só sabem reclamar, criticar os que agem e dar ideias inviáveis. Quando se lhes pergunta se podem colaborar, respondem que não tem tempo (e/ou outro subterfúgio).
 
Pessoas que vivem dizendo não ter tempo deveriam assumir sua incapacidade atual de priorizar, se organizar e de cooperar. O pior é que, além de nada fazerem, ainda vivem criticando aqueles que fazem mais do que é a obrigação estrita deles, colocando defeitos em suas ações e/ou atribuindo-lhes motivações erradas.
 
Só podem se desenvolver aqueles que têm a coragem de encontrar tempo para participar e para se comprometer, aqueles que escolhem suas ações de forma ponderada e responsável e não daqueles que apenas reagem aos estímulos do ambiente e encontram somente desculpas. Faça uma autoanálise para verificar se você não está caindo neste erro e também ajude outros a entender que tempo é priorização.
 
 
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