Sempre houve mudanças na
História da Humanidade. Mas antes elas eram mais lentas e havia muitos retrocessos.
Foi há poucos séculos que o avanço tecnológico se tornou uma constante. Dois
campos que tiveram progressos extraordinários foram os meios de transporte e os
meios de comunicação. Hoje temos que lidar com um grande número de informações
em alta velocidade e podemos ficar ansiosos com a atualização. Como selecionar
a informação que é útil para nós? E como transformá-la em conhecimento?
Selecionar informações,
como toda escolha, envolve o dilema de fazer renúncias. Quando optamos por
algo, renunciamos a tudo que poderíamos ter optado em lugar dele. Mesmo quando
podemos ficar com mais de uma das alternativas, chega um limite em que temos
que abdicar de algumas delas. Quando vamos comprar um tênis ou sapato, ao
escolher um par nós deixamos de comprar os outros. Pode ser fácil quando a
melhor escolha é óbvia, mas quando diversas alternativas parecem boas, podemos
experimentar algum grau de ansiedade durante (e até após) o processo decisório.
O dilema se repete em
todas as escolhas que fazemos. E o mesmo vale para as informações que optamos
assimilar. Quando você decide ler um livro, revista ou artigo na internet, está
deixando de ler outro material. Ainda que você adquira mais de
um livro ao mesmo tempo, terá que escolher ler um primeiro. E a oferta de novos
materiais de leitura é infindável. Sempre há novas leituras sendo oferecidas
para nós, além das antigas que não fizemos. Isso para não falar da publicidade
sempre nos abordando.
Esse fluxo de informações
não vai diminuir. Compete a cada um aprender a selecionar. O primeiro
passo é estabelecer os seus próprios objetivos para poder escolher com base
neles. E então tomar nossas decisões mantendo a serenidade. Muitas informações
podem ser úteis para outros, mas são desnecessárias para você. Desta forma
evitamos a sobrecarga de informações, o desperdício de tempo e energia e mantemos
a abertura seletiva, evitando também perder materiais úteis para nossos objetivos.
Selecionar informações é
algo que já fazemos intuitivamente. A maioria das pessoas mal percebe conscientemente
uma loja de calçados quando não quer comprar um par. E quando quer, olha as
vitrines com os tipos de calçados que quer obter, não analisa tênis esportivos
quando quer sapatos sociais. O problema surge quando o indivíduo não sabe
exatamente o que quer e não tem controle sobre os seus desejos. Pode ocorrer
por imaturidade ou por causa de um processo de mudança interior.
Para transformar
informação em conhecimento precisamos saber a diferença entre ambos. Uma informação é uma variável que pode
assumir qualquer um entre dois ou mais valores. Por exemplo: a lâmpada está
acesa, sim ou não? Qual a temperatura neste momento? Já o conhecimento é a informação processada pelas nossas faculdades mentais
(percepção, raciocínio, memória, etc.) de modo a adquirir significado e poder
servir para um propósito. Informação passa, conhecimento fica.
O acervo de conhecimento
de um indivíduo é construído por ele em sua interação com o ambiente na medida
em que desenvolve e utiliza suas faculdades mentais e relaciona informações
novas com antigas. É um processo que se inicia na infância e prossegue por toda
a vida. Um computador pode conter informação, mas apenas um ser humano
pode ter conhecimento. Podemos transmitir informações uns aos outros, mas
somente o indivíduo pode construir o seu próprio conhecimento processando os
dados que recebe. O instrutor interage com o aprendiz transmitindo-lhe
informações de modo que esse construa o seu próprio conhecimento do assunto.
Todo novo conhecimento é
sempre construído a partir do conhecimento anterior, pois o cérebro só consegue
armazenar bem as informações que compreende minimamente. E não se trata de uma
questão apenas de intelecto, pois o aspecto afetivo também influi na memória.
Assimilamos melhor aquilo que entendemos e encaramos como algo prazeroso e/ou
que será futuramente útil para nossos objetivos. Mas quando uma informação é
vista como algo que precisamos apenas para passar em um exame, a tendência é
nos esquecermos dela com o tempo.
O conhecimento torna os
tolos mais orgulhosos e os sábios mais humildes. Isso ocorre porque o “conhecimento”
dos tolos em grande parte é apenas informação acumulada e parcialmente
processada, enquanto o conhecimento dos sábios é tanto causa quanto efeito de
um processo transformador. O tolo pode até pronunciar frases prontas de humildade,
mas no fundo acredita saber muito. Já o sábio tem cada vez mais consciência de
sua ignorância. Por isso Sócrates disse: “Tudo o que sei é que nada sei”.
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