Uma faca é um instrumento feito para preparar e/ou
consumir alimentos, mas pode ser utilizada para ferir alguém ou a si próprio. O
mesmo ocorre com as comparações: são instrumentos cognitivos úteis para
avaliação, motivação, direcionamento, mas também podem ser usadas de forma
prejudicial.
Muitos insultos são feitos na forma de
comparações: “você é um porco”, “pare de agir como criança”, etc. O objetivo é
constranger a pessoa alvejada para que ela modifique o seu comportamento.
Dependendo de como é feita e de como é recebida, uma comparação pode abalar
nossa autoconfiança, deturpar nossa capacidade de avaliação, nos tornar
insatisfeitos, nos desmotivar e nos paralisar.
As comparações podem nos fazer focar apenas aquilo
que não temos e que ignorar o que temos de bom. Podem fazer com que
desperdicemos oportunidades que estão ao nosso alcance, ou que nos lancemos em
busca de metas inadequadas. E podem nos levar a buscar prejudicar nosso rival
em vez de fazer algo em nosso próprio benefício.
Uma observação importante é que (1) algumas
comparações destrutivas podem se tornar
construtivas se você ajustar a forma como as processa, mas (2) outras
comparações são inevitavelmente
prejudiciais porque são inadequadas em si mesmas. De qualquer forma, se
comparar-se e/ou ser comparado for doloroso e desestimulante para você, sua
habilidade de processar comparações deve estar desregulada.
Como diferenciar comparações construtivas das
comparações destrutivas? Um dos melhores barômetros pode ser o efeito que causa
no seu estado emocional e no seu modo de pensar e agir. Quando você mesmo ou alguém
faz determinada comparação, qual é o resultado que provoca? Sente-se motivado
ou desanimado? Aprecia sinceramente o bom exemplo do modelo com quem é
comparado ou sente raiva dele? Procura aproximar-se do nível do seu modelo ou o
considera totalmente inalcançável e então desiste, passando a se dedicar a
algum comportamento autodestrutivo?
Qual é o efeito das comparações em seus relacionamentos?
Adler diferenciou formas construtivas e destrutivas de destacar-se e
sobressair-se no meio da multidão. A busca saudável pela superioridade envolve
um aprimoramento de nossa capacidade, desempenho e realizações. A busca doentia
envolve diminuir os outros através de criticas, zombarias e sabotagens.
Adler disse que pessoas que apresentam esses comportamentos não têm “complexo de superioridade”, mas um complexo de inferioridade exagerado. Enquanto esse comportamento é tolerado pelos demais, pode não haver maiores problemas. Mas quando se ultrapassa o limiar de tolerância deles, podem começar a retaliar.
Adler disse que pessoas que apresentam esses comportamentos não têm “complexo de superioridade”, mas um complexo de inferioridade exagerado. Enquanto esse comportamento é tolerado pelos demais, pode não haver maiores problemas. Mas quando se ultrapassa o limiar de tolerância deles, podem começar a retaliar.
Outro efeito das comparações é fazer a pessoa
sentir-se inadequada, insegura, até sem saída. Assim, o desempenho decai, os
resultados também, reforçando os pensamentos e sentimentos negativos e alimentando
um círculo vicioso. Finalmente desistimos de toda e qualquer tentativa de
atingir determinada meta. Assim, uma das consequências da mania de comparar-se
é nos tornar desistentes crônicos.
A mania de comparação também nos induzir a buscar
metas e tentar acompanhar pessoas sem termos condições de fazê-lo. Alguns
tentam realizar as mesmas atividades que amigos, parentes ou colegas que
possuem renda maior do que a deles, afundando-se em dívidas.
Outros elegem alguém como “arquirrival” e tentam equiparar-se e superá-lo em tudo, mesmo que nada tenha a ver com seus gostos e objetivos. São capazes de iniciarem determinado curso ou pedir uma transferência para certo departamento da empresa só porque o rival o fez. Muitos desejam tanto fazer parte de um grupo que são dispostos a tomar decisões tolas ou até mesmo ilegais só para se integrarem a ele.
Outros elegem alguém como “arquirrival” e tentam equiparar-se e superá-lo em tudo, mesmo que nada tenha a ver com seus gostos e objetivos. São capazes de iniciarem determinado curso ou pedir uma transferência para certo departamento da empresa só porque o rival o fez. Muitos desejam tanto fazer parte de um grupo que são dispostos a tomar decisões tolas ou até mesmo ilegais só para se integrarem a ele.
* * *

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Envie-nos seu comentário inteligente e educado: