terça-feira, 15 de julho de 2014

Mania de Comparação (4/8): Comparações Saudáveis x Comparações Tóxicas

Uma faca é um instrumento feito para preparar e/ou consumir alimentos, mas pode ser utilizada para ferir alguém ou a si próprio. O mesmo ocorre com as comparações: são instrumentos cognitivos úteis para avaliação, motivação, direcionamento, mas também podem ser usadas de forma prejudicial.


Muitos insultos são feitos na forma de comparações: “você é um porco”, “pare de agir como criança”, etc. O objetivo é constranger a pessoa alvejada para que ela modifique o seu comportamento. Dependendo de como é feita e de como é recebida, uma comparação pode abalar nossa autoconfiança, deturpar nossa capacidade de avaliação, nos tornar insatisfeitos, nos desmotivar e nos paralisar.

As comparações podem nos fazer focar apenas aquilo que não temos e que ignorar o que temos de bom. Podem fazer com que desperdicemos oportunidades que estão ao nosso alcance, ou que nos lancemos em busca de metas inadequadas. E podem nos levar a buscar prejudicar nosso rival em vez de fazer algo em nosso próprio benefício.

Uma observação importante é que (1) algumas comparações destrutivas podem se tornar construtivas se você ajustar a forma como as processa, mas (2) outras comparações são inevitavelmente prejudiciais porque são inadequadas em si mesmas. De qualquer forma, se comparar-se e/ou ser comparado for doloroso e desestimulante para você, sua habilidade de processar comparações deve estar desregulada.

Como diferenciar comparações construtivas das comparações destrutivas? Um dos melhores barômetros pode ser o efeito que causa no seu estado emocional e no seu modo de pensar e agir. Quando você mesmo ou alguém faz determinada comparação, qual é o resultado que provoca? Sente-se motivado ou desanimado? Aprecia sinceramente o bom exemplo do modelo com quem é comparado ou sente raiva dele? Procura aproximar-se do nível do seu modelo ou o considera totalmente inalcançável e então desiste, passando a se dedicar a algum comportamento autodestrutivo?

Qual é o efeito das comparações em seus relacionamentos? Adler diferenciou formas construtivas e destrutivas de destacar-se e sobressair-se no meio da multidão. A busca saudável pela superioridade envolve um aprimoramento de nossa capacidade, desempenho e realizações. A busca doentia envolve diminuir os outros através de criticas, zombarias e sabotagens.

Adler disse que pessoas que apresentam esses comportamentos não têm “complexo de superioridade”, mas um complexo de inferioridade exagerado. Enquanto esse comportamento é tolerado pelos demais, pode não haver maiores problemas. Mas quando se ultrapassa o limiar de tolerância deles, podem começar a retaliar.

Outro efeito das comparações é fazer a pessoa sentir-se inadequada, insegura, até sem saída. Assim, o desempenho decai, os resultados também, reforçando os pensamentos e sentimentos negativos e alimentando um círculo vicioso. Finalmente desistimos de toda e qualquer tentativa de atingir determinada meta. Assim, uma das consequências da mania de comparar-se é nos tornar desistentes crônicos.

A mania de comparação também nos induzir a buscar metas e tentar acompanhar pessoas sem termos condições de fazê-lo. Alguns tentam realizar as mesmas atividades que amigos, parentes ou colegas que possuem renda maior do que a deles, afundando-se em dívidas.

Outros elegem alguém como “arquirrival” e tentam equiparar-se e superá-lo em tudo, mesmo que nada tenha a ver com seus gostos e objetivos. São capazes de iniciarem determinado curso ou pedir uma transferência para certo departamento da empresa só porque o rival o fez. Muitos desejam tanto fazer parte de um grupo que são dispostos a tomar decisões tolas ou até mesmo ilegais só para se integrarem a ele.


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